sexta-feira, 6 de setembro de 2019

31-08-2019: 2º Capítulo de Nietzsche de Deleuze - Ativo e Reativo


Começamos nosso encontro com a apresentação de Rubens, explicando como o grupo funciona, demos também as boas-vindas à Sphepanie e Alexandre, alunos da faculdade do 1º semestre. Na reunião deste sábado, contamos também com a presença de Fidel Machado, doutorando pelo programa e pós-graduação e bolsista pela Unicamp, e a ênfase de suas pesquisas é Friedrich Nietzsche. E, como estamos lendo o livro Nietzsche e a Filosofia” de Gilles Deleuze, aconteceu a ideia de chamar pessoas para corroborar com o acontecimento, sendo que, já foi pensado isto antes, mas, somente agora que bateu a data. Assim, realizamos o contato com Fidel via Skype, bebendo do uso das tecnologias. Ainda como algo simples, mas um tanto quanto potente, levamos um café e algumas bolachas para petiscar.
Após essas apresentações, surgiu propostas de dinâmicas de como tocar o encontro, dentre todas propostas, o grupo optou por ouvir Fidel falar um pouco de Nietzsche sendo algo básico para que, todos possam ter uma visão sobre e também aberto para dúvidas, críticas, indagações e tudo mais. Demos início então na abordagem a Nietzsche com Fidel, onde ele começa expondo um pouco sobre a vida e história de Nietzsche e alguns dos autores que ele se inspirou, sendo, dentre deles o que mais se destaca é Arthur Schopenhauer. Um autor trágico, que afirma que na vida todos os caminhos nos levam a sofrer, e traz o corpo como elemento central para pensar, que naqueles tempos, o corpo era deixado de lado.
Continuando, Fidel coloca a moral e ética para pensarmos, e argumenta com alguns exemplos, trazendo à tona a imagem de Jesus de Nazaré, pois, pessoas que não tem conhecimento sobre Nietzsche, o associam com demoníaco, ateu, etc. Assim, Nietzsche não crítica Cristo, mesmo em seu livro “o anti-Cristo” ao contrário, diz que ele foi uma pessoa exemplar, mas o erro foi fazer dele diversas religiões que pregam determinadas morais à serem seguidas. Por esta lógica do pensamento, a moral julga, rotula, puni corpos, sendo um movimento vertical. Já a ética em Nietzsche, é afirmar a vida, ou seja, fazer coisas que você gosta de fazer, dentro de seus valores, seguindo rumos de linhas transversais.
Rubens diz para Fidel explicar um pouco mais sobre o porquê Nietzsche romper com Schopenhauer. Fidel comenta que Schopenhauer convida para vida, mas de certa forma dá a entender que é preciso suprir a vida, e pega o termo vontade e a faz de vontade de poder, vontade no verbo, vontade de suprir. Deste modo, Nietzsche rompe por ele negar à vontade, pois, negar à vontade é negar a vida. Rubens coloca outro ponto para pensar, diz que: e se ao afirmar a minha vida e ferir a vida do outro. Fidel argui que Nietzsche, em determinado momento usa o conceito de força para falar do homem, e o homem para se tornar forte é preciso compreender a dinâmica de valores, se aniquilar todos não vai ter mais conflitos. Ou seja, ele precisa do outro para viver, sem o outro não seriamos nada.
Ainda com Rubens, ele pergunta: a afirmação da vida constante não pode gerar uma autodestruição? Fidel o responde dando exemplo de Apolo e Dionísio, que um não vive sem o outro, eles coexistem e em certos momentos um alta com mais intensidade que outro, caminhando juntos em uma balança. Ainda complementa citando Scarlet Marton quando fala sobre a sociedade rebanho, e o primeiro passo para fugir disso é perceber que fazemos parte do rebanho, rebanho no sentido de sempre estarmos subjetivados e influenciados por outras pessoas.
Voltando na questão de ética e moral, Elder pergunta se é possível ser cristão e nietzschiano? Fidel diz que antes é preciso elencar alguns fatores para pensar sobre a filosofia dele. Os elementos já são por si pouco convidativos. Afirma que ser cristão hoje, tem pouca ou quase nada dos ensinamentos deixado por Cristo, então, seria difícil ter um cristão “puro”. Mas, com isso, sendo apenas um comentário dele, dizendo que são sempre singulares os gostos e as intensidades, afirma que sim, e que Cristo foi uma pessoa que afirmou a vida.
Com isso e dando sequência ao encontro, Paulo coloca uma questão: nós estamos se construindo em um projeto moderno em que Nietzsche, vem reverter, Nietzsche chama de niilista aquele que nega a vida, como você vê a transcendência em Nietzsche, se antes era vista como algo a se atingir, qual é a transcendência que Nietzsche trás? Fidel diz: tem o niilismo ativo (cristão) e passivo (larga tudo, vira um ressentido) e o afirmativo para ter a vida como o valor dos valores. A vida aqui e agora, uma vida imanente. Ainda Fidel da coloca o exemplo da vida como passar na corda da vida, onde diz que a vida e como passar em uma corda, alguns passam com medo, outros nem tentam, alguns passam dançando, correndo, pulando, outros passam bem devagar.
Entrando mais especificamente no texto, Fidel fala sobre o texto de vivência e experiência, a vivência para Nietzsche é sentir sem saber que sente, não racionaliza. E na lógica moderna isso gera sinônimo com experiência com determinado fim já posto a priori. A experiência na lógica moderna já tem todo um fim pré-concebido. Rubens, aponta isso agora no currículo cultural, mas nos antigos 10 anos, se nega o que foi falado. O currículo cultural, como qualquer outro currículo, é uma maneira de que governar condutas, um problema é fazer do currículo cultural uma nova tábua de valores, seria virar um novo modelo. A grande dificuldade é não ter esse modelo, ao assumir múltiplas saídas é não se debruçar em um modelo.
Sofia, comenta sobre alguns conceitos do texto onde teve algumas dúvidas, como o conceito de força, eterno retorno uma força reativa e o devir reativo da força. Assim, Fidel fala sobre o eterno retorno em Nietzsche e diz que a dialética não é hegeliana é perspectivista, não é binária é múltipla, e sobre o eterno retorno disse se você volta-se mil vezes no mesmo dia, você seria feliz? Mas, o mesmo fazendo a ressalva de que sempre voltamos na diferença. Rubens aponta que a filosofia deleuze-guattariana tem um devir Nietzschiano, e a grande moral que nos limita a vida é o capital, e Deleuze e Guattari se propõem a pensar isso, em alguns momentos se sujeitar para que outras se afirmar, encerre perguntando à Fidel como ele vê isso com Nietzsche. Fidel diz: ao contrário do ócio é negócio, para Nietzsche a vida é uma guerra, mas, entende que ele começou a rasgar o caos, todavia não se debruçou muito nessas questões, seus leitores sim.
Caminhando para reta final do encontro, agradecemos pela presença do Fidel e deixando o convite para quando quiser participar mais vezes e a importância de sua presença no grupo. E, Rubens para finalizar conta que fizeram o exemplo do burro de maneira equivocada, pois, quando o burro cansa de ser violentado, ele empaca e ninguém tira do local, ele não é fácil de ser domado e nem tão produtivo. Diferente do cavalo e camelo, que trabalham até morrer, sempre produzindo, e são passíveis de adestramentos. Assim, encerramos nosso segundo encontro do semestre, no sábado dia 31 de agosto, de 2019, às 12:00.










sexta-feira, 16 de agosto de 2019

10-08-2019 - 1º Capítulo - Nietzsche e a Filosofia


Iniciamos nosso primeiro encontro do segundo semestre, no sábado dia 10, às 9h de agosto de 2019. Demos boas vindas as novas participantes, Sofia, Sabrina e Kettelin, do 1º semestre da FEFISO/ACM. Começamos nossa reunião com Rubens dizendo que, neste semestre, com a sugestão de Elder, todo encontro faremos um café coletivo, sendo algo simples, para não pesar financeiramente a ninguém. Ainda Rubens, expôs como o grupo trabalha, e foi feito um convite aos congressos que iremos participar e realçando a presença dos iniciantes científicos que submeteram trabalhos. Sendo eles os congressos do semestre: CONBRACE no Rio Grande do Norte, Conexões na UNICAMP e SEMEF na USP.
Foi então apresentado o que iremos discutir esse semestre e, não menos importante, realçando o que estudamos nos anos anteriores, fazendo assim uma rápida abordagem ao documento que vem sendo desenvolvido em conjunto com o grupo “pistas da aprendizagem”, onde se é criado pistas como poder ser aprender e ensinar na perspectiva da filosofia de diferença. Foi apontado também, já relacionando com o livro que iremos discutir no semestre, as intersecções, os agenciamentos de Nietzsche e Deleuze. Por conta de tais problemáticas, foi justificado o porquê desta leitura, pois Nietzsche é um Filósofo que afirma a vida. E a perspectiva que o grupo vem pesquisando é um autor que começa esse movimento do pensar diferente. E uma das lutas dele era sobre a moral que delimita modos de vida, modos de ser, de agir, a moral aqui, é entendida enquanto algo transcendente.
Consequentemente, Rubens cita alguns vídeos que pode servir de apoio para mergulhar nesses novos mares, sendo de fácil acesso e se encontro no You Tube, palestras de: Roberto Machado, Amauri Ferreira, Oswaldo Giacóia, Clóvis de Barros e outros. Após essa abordagem, foi aberto espaço para as impressões de leituras, onde todos e todas tiveram espaço de fala a dizer sobre o que haviam achado do texto, se estava fácil ou difícil, quais foram as dúvidas, incômodos e o que quiser. Paulo abriu essa discussão com alguns comentários, afirmando a diferença de ler Nietzsche e ler Nietzsche de Deleuze, pois Deleuze escreve aos seus modos, e deixa um tanto quanto mais acessível, o mesmo ainda afirma que sentiu uma facilidade de ler, pois já fazia um tempo que vem lendo coisas nesta perspectiva. Para Elder, a leitura lhe pareceu um tanto estranha, eram outros vocábulos, outros modos operantes, outras estruturas e diz sobre a fase de Gilles Deleuze enquanto jovem comentador, um acadêmico, e sobre seu encontro com Félix Guattari.
João Pedro, sentiu uma certa facilidade também e gostou bastante do movimento em que Nietzsche faz de ligar a Filosofia/Ciência com a Religião. Lucas diz que lhe pareceu difícil, mas não se prendeu muito em conceitos específicos, porém buscou entender o de maneira mais geral, citou o trecho “os deuses morreram, mas morreram de rir ouvindo um Deus dizer que era único” (DELEUZE, 2018, p. 12). Clayton, bastante intrigado com as relações sobre a moral, expõe uma questão para o grupo: é possível ser cristão e nietzschiano? Seria possível que dois platôs de intensidades bastante diferentes assim, sendo quase um oposto do outro, seria possível pensar em sujeito assim?
Wellington diz que é possível sim, pois na filosofia nietzschiana onde existe uma essência do pluralismo, pode-se pensar e viver diversas coisas a partir daquilo, porque essas linhas de pensamentos não se preocupam com respostas estabelecidas a priori. Rubens adiciona dizendo: é possível, sim, se não levados ambos ao extremo. A partir disso, Paulo diz que os escritos de Nietzsche lhe parecem muito atual, e faz uma relação de como a moral contemporânea cria modos para subjetivar uma grande parte da sociedade. Pois por conta de tradições criadas, pessoas em nome de uma moral maior se limitam de viver certas experiências, e entendem Deus enquanto julgador. Ainda com Paulo, ele nos diz um pouco sobre a história de Jesus, dele na terra, que vivia sempre os mais pobres, os miseráveis, mas, capturaram alguns de seus pensamentos e transformaram em uma moral, uma moral que julga e pune. Rubens incrementa dizendo que, poderiam fazer isso em outras áreas também, como na Educação, ao transformar pensamentos em verdades, e que devemos tomar certos cuidados ao operar com a filosofia da diferença. Ou seja, qualquer pensamento, seja o mais revolucionário possível é apto de ser capturado e engessado, transformado em verdades absolutas.
Todavia, João Pedro realiza uma pergunta à Paulo, questionando-o sobre a tal atualidade de Nietzsche. Paulo entende que esta atualidade é amarrada com o tempo, e com as representações, representações de discursos, pois, na época em que ele escreveu, as coisas de um modo geral eram muito mais seletivas à quem iria receber, e na medida em que temos acesso a diversos discursos, assim se faz uma pluralidade de saberes. Porém, foi ele quem dá início com o pensamento da diferença. Aos emaranhados de ideias expostas no texto e na discussão, Maria Clara, resgata uma questão sobre a vida trágica, onde, no jogo da pluralidade, uma coisa pode também ser muitas outras. Isto é, todo objeto está inserido em um contexto maior e, o significado é sempre arbitrário.
Alegria é a força movente, é potência, vontade de vida, o que Nietzsche afirma no texto, e não sorrir, Rubens coloca este ponto ao grupo. Voltando à pergunta aberta por Clayton, Rubens coloca que: dependendo dos graus que você estabelece com uma cosmovisão, ser cristão e nietzschiano, e diz que a vida não precisa ser sofrida.
Ao decorrer da discussão, foi pautado o acaso, que é bastante abordado no texto, onde, o acaso é o que ocorre sempre ao encontro, na imprevisibilidade, nas singularidades do encontro. Rubens pensa isso com a aprendizagem, e realiza uma analogia de um jogo de futebol, pois, toda partida ocorrem os acasos, o imprevisto, não pouco frequente acontece de times com jogadores menos conhecidos da outra equipe ganhar o jogo, e, algumas pessoas chamam de “subverter a lógica”. Assim, acontece com a aprendizagem também, mas, como Rubens coloca o professor faz parte da partida, joga-se junto, ele também toca na bola, realiza passes, marca, pois, isso está imerso em relações de poderes, e dentro da aula o professor exerce mais poder, claro que existem sempre momentos específicos à isso.
No acaso existe uma necessidade, e necessidade no acaso, relações imbricadas que acontecem juntas, João Pedro cola essas questões, e pensa com o exemplo do jogo de futebol, pois, há certas necessidades em um jogo, ou seja, não é tudo acaso, pessoas treinam para isso, fazer jogadas ensaiadas e dentre tantas outras coisas de um jogo. Por essa via, isso nos tangencia à pensa a aprendizagem, pois, ela não acontece apenas dos acasos, às aulas possuem certas necessidades, necessidades de ensinar algo, estão imersas em políticas maiores. Elder pensa isso como um possível pista no documento de “pistas da aprendizagem”, pois, assim como a recognição e invenção acontecem juntas, e elas coexistem em uma com dependência da outra e existem momentos de intensidades de uma e de outras. Mas, João e Rubens pensam que o documento têm algo assim, porém, deixam a dica de anotar e tentar complementar alguma.
Com os acasos ao decorrer do encontro, esbarramos em um conceito de bastante valor no texto, sobre o pensamento trágico, o que seria trágico em Nietzsche. Entendemos o trágico enquanto aquilo que não controlamos, como por exemplo, uma vida é trágica, não só vida, mas, talvez, diversos momentos da vida. Clayton, vê um nó sobre a “contra dialética” pois, para ele pensar isso: criticar uma dialética, não seria pensar ou pressupor outra? João, propõe pensar o trágico com alegria e sofrimento, mas, como pensar isso além da moral cristã? É possível? Ele entende o trágico como afirmação do acaso, da vida que acontece, afirmar a potência da multiplicidade, e diz que o trágico está além do bem e do mal, não precisa ser classificado. E, ainda como uma das possíveis respostas que ele levante, diz que, talvez seja preciso renascer para além da consciência moral.
Deste modo, por conta do horário, encerramos nosso encontro às 12:00, mas com aquele clima no ar de que, se houvesse mais tempo, ficaríamos. Ressaltamos aqui, alguns pontos mais importantes do encontro, e, claro, a partir da pessoa que vos escreve aqui:
·         É possível ser cristão e nietzschiano?;
·         Pensar o acaso, necessidade e o trágico com a aprendizagem;
·       Na Filosofia da Diferença também existe uma essência, aqui, uma essência nômade, movente, questionadora, da pluralidade, entre as multiplicidades;
·         Pensar em uma “contra dialética” não seria pressupor outra?;
·         Filosofia Nietzschiana afirma a vida;
·         Afirmar a vida permite ferir a vida do outro?




sexta-feira, 7 de junho de 2019

01-06-2019 – Aplicações didáticas a partir da Filosofia da Diferença

Iniciamos o encontro com a apresentação das novas pessoas e, foi realizado uma abordagem sobre onde estamos operando, sendo a aprendizagem a partir da filosofia(s) da diferença. Após isso, João Pedro fez o convite a todos sobre o congresso SBCE, que acontecerá no Rio Grande do Sul, sendo o maior congresso de Estudos Culturais da América Latina, e nosso grupo teve 2 trabalhos aceitos. Paulo ficou responsável por colocar na lousa os “princípios didáticos”, um documento que vem sendo desenvolvido no grupo de iniciação científica e na pesquisa do Rubens. Foi exposto este documento para os demais saberem o que estamos produzindo e relacionar com os textos e, também passível a críticas, mudanças, opiniões diferentes etc.
Em seguida a esta introdução, começamos as discussões sobre os textos. Rubens pediu para que primeiramente fizéssemos algumas impressões de leitura, então, Paulo iniciou com uma fala a sobrevoo sobre os textos e, o que mais lhe chamou a atenção foi o conceito de “gesto” proposto no texto “Diferença E Gesto Em Sala De Aula” e, com isso, ele pensou em uma possível pista para o documento que estamos desenvolvendo. A seguir, Elder colocou uma pergunta para o pensar em grupo, com o texto “Deleuze-Guattari e Educação Física Cultural: pedagogia do conceito de ‘escrita-currículo’”, como pensar em no currículo cultural ou em qualquer outro a partir de Deleuze e Guattari? Sendo que para eles os conceitos servem para responder um determinado problema singular e, os currículo expressão a priori determinadas coordenadas.
Clayton e Vitor responderam que esta pergunta é bastante pertinente no grupo GPEF-FEUSP e também estão pensando nisso.  Rubens responde: pode se olhar para os engessamentos ou para os seus rizomas. Todo currículo engessa. Podemos pensar o currículo cultural como uma maneira de dar aula dentro muitas outras possíveis, pensar o que ele tem de bom, os diferentes agenciamentos que ele propõe. Rubens entende que o problema de está na escrita sobre o currículo, pois, a escrita está imersa a estruturas, a territorialização. Mas, podemos pensar em práticas inspiradas pela filosofia(s) da diferença. 
Pensando a partir disso e com outros assuntos, Vitor trás um assunto bastante interessante ao debate, ele faz uma leitura de que a Educação, a Escola enquanto mecanismos de controle trabalham na lógica do que um corpo deve, e, pensar em aulas de Educação Física com esta perspectiva é, também pensar no que o corpo pode. Com a fala do Vitor, Rubens cria um novo princípio para o material que está sendo produzido, sendo ele: “ensinar é, pensar e proporcionar encontros sobre o que pode um corpo, e não só o que deve um corpo”.
Elder propõe uma discussão mais próxima sobre os princípios da aprendizagem e se possível ir relacionando com os textos. Com isso, foi esmiuçando a discussão de cada princípio, pensando sobre as variantes, se cabe críticas, se cabe complementos e outros. Em um dos princípios, é dito que a aprendizagem é sempre imprevisível, mas, Rubens traz uma fala intrigante a pensar, que para ele, a figura do professor é só mais um vetor de muitos em uma aula. Contudo, neste jogo de poder, o professor em sua aula exerce mais poder, então ele pode priorizar o que trabalhar, se não, poderia dar o entender que é tudo incontrolável e, ainda faz uma realça, a Educação é bastante controlada, mas, a aprendizagem escapa, desvia.
Para Andressa e Clayton pensar isso dá um certo alívio, ter consciência de que não seremos professores/as profetas que iremos salvar ou revolucionar o mundo com nossas aulas. Mas sim operando como Silvio Gallo propõe, em uma educação menor, nas micropolíticas. Rubens toma o cuidado de dizer que dar aulas nessa perspectiva é, de certa forma priorizar a invenção, mas, é preciso prudência, pois, nenhuma aula é completamente inventiva ou recognitiva, elas acontecem e não analisar que isso se dá em um processo dicotômico. Entendemos essa perspectiva pela lógica do rizoma, no sentido do “e, e, e...”. Pensando com o texto do Gallo, Elder diz que ensinar é lançar sementes, mas, se a pessoa irá aprender ou não é imprevisível e têm relações com o conceito de tempo-duração de Henri Bergson.
João Pedro, Rubens e Vitor trazem à discussão a teleologia, que foi abordada nos textos para o encontro, e com isso, pensam em: ter direito à uma teleologia docente, e conforme a discussão propuseram isso como mais um princípio. Em linhas gerais, esses foram alguns dos acontecimentos discutido neste encontro. Após isso e devido ao horário, foi aberto a discussão para leituras no próximo semestre, sendo que, sempre estamos tentando outras propostas, neste semestre foram escolhidos de 4 a 6 artigos por encontro e discutir a partir deles. Contudo, foi pautado que, seria mais interessante pensar em 3 artigos para que, todos possam ler e gerar um dialogo melhor. Outra proposta foi pegar um livro e em cada encontro discutir um capítulo e, se preciso alguns artigos introdutórios. A proposta de ler um livro para o próximo semestre aderiu mais força e caminharemos nesta perspectiva. Assim, encerramos mais um semestre.
Princípios do encontro:
- Estar atendo aos gestos em sala de aula como convite a aprendizagem dos signos;
- Pensar no que o corpo pode, não só que o que o corpo deve;
- Direito à teleología docente;
- Ensinar é “lançar sementes” (Gallo) e têm seu tempo e duração singular (Bergson), ou seja, algo pode fazer sentido após determinado tempo que é sempre imprevisível.





PS: Notas da Eliza abaixo.

Vídeo potência....
É difícil pensar de forma não dicotomia
Desafio em perceber os momentos de potência
Ao mesmo tempo que pode possibilitar os bons
encontros pode proporcionar também os maus
encontros(tédio, sem pensamentos), além de que
há uma expectativa do aluno em chegar e ter uma
queimada e se decepciona por ser outro conteúdo
As vezes o professor chega sen potência e tem a
potência aumentada pelos alunos, do encontro
com os alunos.
Texto Silvio Galo- recognição, representação, ao tentar
entender o outro a partir de explicar o outro a partir do
que eu penso. O outro é inapreensivel, é singular.
A educação é um empreendimento coletivo, é sempre
encontro por isso esta ideia de alteridade. Os corpos
podem coexistir sem encontro. O aprendizado
foge ao controle, se aprende o que o professor
nem imaginava ensinar
Professor enquanto atrator de afetos
Numa aula a gente sabe o que esta em jogo, uma
máquina social que nos amarra, não é fugir, talvez
resistir pra não viver de forma impotente. O que faço
a partir do que é dado pode ser encontro de potência,
ferramenta para movimentar ideias, o sujeito não quer
estar na faculdade as 7 da manhã mas o Rubens falou
sobre usar do poder para virar potência.
Educação como vetor de produção de singularidades,

em sentido deleuziano e anarquista.
Não é possível saber e controlar como alguém
aprende. É produção e movimentos que pensar o
singular parece que não chega a lugar algum.
O Clayton perguntou o que vetor de singularidades
produz potência? Olha a gente não pode
homogeneizar vamos singulizar, sendo assim uma
nova norma, uma nova homogeneizar.
Separar o que acontece do que o professor espera, a
perspectiva da filosofia da diferença sabe o construto
social e se propõe a movimentar o pensamento,
a moderna também produz singularidades mas
talvez não sabe.
Em alguns momentos precisa ser estruturado para
ser compartilhado mas apesar desta estruturação o
professor é só mais um vetor e mais uma força.
Como defende em uma tese em imanência mas
viver na transcendência? Pode ser uma alternativa
pois te leva ao limbo, não te da respostas, é a
transcendência te conforta.
Você se rende a ferramenta que você tem, te
trás um conforto.
Diversos modos de vida já se intiguiram mas
a igreja não.
Articulação entre micro e macro, a gente age no
micro e o que seria? No espaço e no tempo, é aqui
pois quando você vira a esquina já é atravessado
por outras coisas.
O aluno não aprendeu a culpa é do professor e os pro‐
fessores que lembramos é aqueles que identificamos

que ensinaram as mais coisas pois estamos na lógica
de que queremos dar a resposta certa.
Tem as linhas de força d graduação, da pós... Tem a
questão que estamos produzindo ciência.
1 Sensibilidade ao devir potência;
2 Modulação do controle;
3 Articulação micro/macropolitica;
4 Experimentação dos encontros;
5 Organização dos encontros;
6 Avaliar constantemente o processo;
7 Estar atento às misérias;
8 Sempre produzir singularidades;
9 Dar aulas sobre o que buscamos aprender e
não o que já sabemos;
10 Ensinar inventivamente é imprevisível;
11 Ensinar é possibilitar a invenção do problema
12 O professor é um artista;
13 A potência está (pode estar) na indagação;
14 Não se apaixonar pelo poder;
15 Ensinar é produzir máquina de guerra;
16 Proporcionar encontros com direito aos
próprios problemas;
17 Estar atento aos gestos;
18 Lançar sementes
19 Direito a teleologia docente.
Avaliar não é a mesma coisa que dar nota, dar nota
é só preencher requisitos que você tem que cumprir
e que você acordar com os pares, já avaliar é olhar
para o processo, olhar para os afetos. O próprio
professor se avaliando mas da ordem dos afetos,

não dá racionalidade, você intui que a aula tá ou não
produzindo potências.
Texto Pedro- Ensinar é o que pode um corpo,
espaços dados para experimentar. Pensar o que
pode e não o que é!
Produzir uma máquina de guerra enquanto aquela que
questiona a máquina social, com relação de afetos.
Pode muito bem por exemplo num partido político o
discurso ser máquina de guerra, discurso da diferença
mas chega no poder e pressupõe homogeneização,
então não existe poder de direita ou esquerda mas
graus de cumprir a máquina social.
Livro de Deleuze: Nietzsche.
O anti Édito
Reuniões de experimentações: Filosofias da diferença
é educação- Maria dos Remédios de Brito e Silvio Galo
- Entre as linhas da Educação e da diferença

segunda-feira, 22 de abril de 2019

13-04-2019: Desejo e esquizoanálise


No encontro do dia 13 de Abril, iniciamos com a listagem dos eventos que estão por vir: Congresso: CONBRACE (Natal); Anped (RJ); Curso Educação Física Cultural (FEFISO); Do cais ao caos (Campinas); SBECE (Rio Grande do Sul).
Demos continuidade com o tema do dia “Desejo” (é sempre revolucionário, não se espera), uma leitura de mundo em que  tudo é máquina que se conecta para a produção do real (ex: psicólogo- uma busca de traumas, sem ver os outros pontos de interferências que estão em você), o estar preso dentro de uma estrutura disciplinar. Entendendo desejo sendo o que compõe nos encontros e produz o aumento de potencia (alto ou baixo - momentos), agenciados por máquinas sociais. Havendo o desejo esquizo (eu não quero controle, como está o desejo nas pessoas, produz aumento de potência) e o desejo reacionário (quer mais controle da máquina social-organização). Você nasce e não tem como sair. Já o prazer é o querer.
            Que se dão por fluxos (máquina despótica para desejante): monetário / fluxo de dinheiro - capitalismo (gera um grande mercado- ex: morre o mercado de cds, morre o de filmes, ... mas produz desejos novos, spotify, netflix, games, moda,...), o que mais produz
é a subjetividade capitalista, onde  para se divertir precisa de dinheiro, sem saber produzir potência (ir na casa do amigo para conversar, brincar na rua,... que resulta no aumento de potência) e Vitor relaciona esse processo com essa subjetividade criada por meio do poder que estamos inseridos. Como também quando relacionado a fluidez das relações/composição para a produção de potência, sempre tentamos elevar a potência, mas entende o processo de decomposição (atento aos encontros e busca novas coisas, em um processos sem fim). Deleuze diz que na esquizo é desejo de menos, agenciamento, acontecimentos, ...TRANSVERSAL.
            Como sequência abordamos o texto “Processo de subjetivação segundo a esquizoanálise”, e a necessidade de falar sobre as linhas de desejo (moral e valores): dura (necessidade para uma organização social - ex: pagar o boleto, passar o ponto no trabalho, escola...) , maleáveis (ex: atitudes e ações do professor que permite aumento de potência sem ser disciplinar o tempo todo), de fuga (ex: matar aula... - linha que escapa do limiar do capitalismo, não são territorializadas), linha suicidária (não se encaixa na sociedade e não sabe buscar a potência, só sabem a fase terminal - ex: fascismo, ...). As coisas não são, elas dependem do olhar. Entendendo que Foucault busca pelos prazeres, já Deleuze, o prazer mata o desejo.
A esquizoanálise é o propor encontros, experimentações, para quem se sente espremido pela máquina social, mas "Seja prudente nas experimentações". E com a cartografia sendo a execução de uma pessoas que traça linhas para compor um órgão, capaz cartografar as nossas linhas, de mim, das aulas, das pesquisas, … Sem haver categorização e sim a MISTURA ENTRE SI QUE NÃO PARAM DE INTERFERIR UMA SOBRE AS OUTRAS, RIGIDEZ E VICE E VERSA, COM EFEITOS DE AUMENTO OU DIMINUIÇÃO DA POTÊNCIA. Mas há riscos, a decomposição ou a sobrecarga.
Comentamos também sobre “CORPO SEM ÓRGÃOS”, o não que está subjugado pela máquina capitalista, o corpo como é, já que o corpo capturado é o categórico, existe como obra da sustentação do ramo social. Nenhum órgão meu está a serviço da máquina, aprender a produzir para mim um corpo sem órgãos - a Esquizoanálise trabalha quais são as linhas de fugas que irão compor corpos sem órgãos (aumento de potência precisa de um platô - mas a maneira que olhamos para a ação, é singular de cada um, operando de diferentes maneiras). E o devir, com o processo de ser diferente, quando está aberto para outras oportunidades que não seja da subjetividade; vem se você prever, sem controlar, que acorda de uma forma diferente.
Entendo que esse processo vem de uma canibalização de conceitos filosóficos para a compreensão e ações para o agora, lembrando que as sementes estão lá em Nietzsche; que toda composição é uma decomposição; e que VIVEMOS EM TORNO DOS PRAZERES (subjetividade capitalista - desejo reacionário, para satisfazer os meus prazeres, por ter uma vida vazia sem desejos).


segunda-feira, 1 de abril de 2019

30/03/2019 - Subjetividade e Corpo

Iniciamos o encontro relatando sobre as nossas ações quanto a leitura, que buscamos a extração, o trazer para a nossa realidade - Educação - e a busca constante de aproximações com o ensinar e o aprender, permitindo a criação com os seus significados. Se dando pela leitura do permitir-se aos fluxos e após o término, o entendimento das estruturas do textos e as compreensões adquiridas.
As nossas discussões, se deu com um breve comentário do texto "Sensibilizar para viver a criação" e priorizamos o texto “Educação, cultura e subjetividade: Deleuze e a Diferença”, que se aproxima muito do nosso foco e ações, subjetividade e corpo.
            Sobre o primeiro texto relacionado a dança, problematizamos o entendimento sobre a parte prática da autora, dificuldade do entendimento, mas que se deu pelas conexões com o outro, que permite a criação e a sensibilização com as práticas de si, sendo sempre imanente, que sai ali, naquele momento que se deu os encontros, impactando o momento com o deixar fluir. Isto se dá pelos encontros se resultarem do entre, a filosofia relacional. Cabe a compreensão que a racionalidade trava as nossas ações, pelas marcações que são dadas e direcionadas, como a Lilian deu o exemplo do Ballet, todos sabem ou possuem uma noção imediata do que seja. E o Rubens continuou dizendo que quando somos mediados pela razão, nos distanciamos do nosso corpo, de si mesmo, porque não estamos a vontade. Compreendendo assim, que a dança-educação são como a junção do sentir e o fazer, pelos encontros e significados.
            O segundo texto, iniciou com o exemplo de Rubens, de uma aula, sobre a filosofia da diferença, que estando naquele momento a visão flui, mas que ao sair daquele instante já se encontra novamente no racional.  E que  toda repetição carrega uma diferença, como Rubens disse todos nós possuímos uma rotina, por exemplo,  todo dia você vai para faculdade, isso se repete diariamente, mas não é a mesma coisa, igualzinho por descrição todo o dia, acontece algo que o difere dos demais dias.
            Para Deleuze não existe uma identidade, já que são infinitos modos de existência e para o filósofo o corpo coexistem em duas grandezas: VIRTUAL (se atualiza, possibilidade) e o  ATUAL (uma expressão do virtual). A duração da virtualidade sendo a que dá: a diferença de grau (um pequeno instante que muda a natureza, intensidade de fluxos), damos como exemplo um dia como de rotina está indo ao trabalho e é fechado por um carro; e a diferença de natureza (intensidade de acontecimentos), damos como exemplo, a sua mãe morre e afeta o todo. A repetição, resulta o nosso pensamento em que não denota para pensar essas diferenças, só quando acontece, porque nunca se percebe a mudança que irá acontecer e quando percebe, já se tornou uma repetição, "em filosofia, a primeira vez é já a segunda; é essa a noção de fundamento. Sem dúvida, de certa maneira, o produto é que é, e o movimento é que não é, que não é mais" (DELEUZE, 1999, p.127).
            O corpo sempre está no E,E,E,E... e não no OU, OU, OU,.... Pensando na multiplicidade, já que esse corpo não tem identidade (só se sabe pelo momento que esteve). E o que se repete é a matéria, repete, mas carrega a diferença, só enxergamos a matéria. A ciências analisa o grau da repetição dessa matéria, mas há uma diferença do virtual, que atualiza de outra maneira a sua perspectiva e a natureza só está no pós, o que difere é a duração, mudança na forma de existência para cada um.  

" As multiplicidades são a própria realidade e não supõe nenhuma unidade, não entram em nenhuma totalidade e tampouco remetem a um sujeito. As subjetivações, as totalizações, as unificações são, ao contrário, processos que se produzem e aparecem nas multiplicidades. Os princípios característicos das multiplicidades concernem a seus elementos, que são singularidades; as suas relações, que são devires; a seus agenciamentos, que são hecceidades (quer dizer, individualizações sem sujeito); a seus espaços-tempos que são espaços e tempos livres; a seu modelo de realização, que é o rizoma (por oposição ao modelo da árvore); a seu plano de composição, que constitui platôs (Zonas de intensidade contínua); aos vetores que as atravessam, e que constituem territórios e graus de desterritorialização.” (DELEUZE; GUATARI, 1995, p.8).

            Trecho que foi abordado por Rubens, para que haja o entendimento de todos de alguns conceitos necessários para dar continuidade as leituras e estar familiarizado para todos: singularidade, devires, acontecimento, hecceidade, espaço tempo livre, rizoma, cartografia, platôs, território e agenciamento.
            Finalizamos com um trecho do texto e a problematização de que o encontro nosso de pistas e princípios, permite o fluxo maior. "O desafio posto para o professor de Educação é propor uma educação cujas práticas educativas não impeçam o devir, mas o implementem. Portanto o desafio é o de implementar o exercício da infância e o pensamento” (ABRAMOWICZ et al., 2009).






terça-feira, 19 de março de 2019

ATA – 16-03-2019 Tema: Pensamento




Nos encontramos sábado, dia 16 de março na FEFISO/ACM as 9:00 horas para discutirmos textos voltados ao pensamento, a partir de Gilles Deleuze. Começamos dando as boas vindas a Carla e Matheus, após isso, Rubens explicou sobre as funções e porque o grupo existe, disse também sobre nossas relações com algumas universidades, como a USP, UNICAMP e UFSCAR, com isso, foi feito o convite para quem quiser frequentar os grupos de estudos dessas universidades, se comunicar com o pessoal que está indo. Welinton complementou dizendo que, para quem se interessar por mestrado, existe também a possibilidade de participar como aluno especial.
Feito esta introdução do grupo, entramos no texto O agenciamento Deleuze-Guattari: considerações sobre método de pesquisa e formação de pesquisadores em educação, de Cintya Regina Ribeiro, Doutora pela USP e especialista em Gilles Deleuze. Todavia, antes de entrar no texto, Rubens perguntou como foi está leitura, muitos responderam que gerou um estranhamento, uma violência e que ela escreve difícil, porém, para Bia as leituras iam se ligando e fazendo mais sentido. Com isso, Rubens diz que, a autora comenta sobre o dicionário de ambivalência o qual é uma forma de enriquecer a escrita. Aline disse: não compreendi alguns conceitos que a autora coloca ao discorrer do trabalho, porém, no contexto em si pude entender melhor.
Ao desarrolhar do nosso encontro, Bia mencionou a palavra estrangeiro na própria linguagem e, que este conceito vem, não somente da razão, mas também dos afetos / sensível. Para Murilo, o(a) autor(a) quando escreve, escreve também sentimentos. Aline, inspirada no texto de Cintya diz que, ela não afirma nada, não defende uma verdade absoluta, lá não existe um conceito pronto. Rubens complementou dizendo que, dentro desta perspectiva da(s) Filosofia(s) da Diferença, fugimos de modos e sistemas de classificações, de verdades únicas e absolutas, não é preso a rótulos, este pensamento não se limita, pois está aberto as multiplicidades e entende tudo como uma construção.
Cintya, a autora do texto, chama de jogo de cartas marcadas, quando existe uma pesquisa que de antemão já sabem uma conclusão ou ficar repetindo o que já foi dito, pois, a chance de sair algo novo é muito baixo e, pensando com Deleuze, a criação é sempre algo novo, inédito, fugindo deste jogo de cartas marcadas. Para exemplo de um pensamento estruturado é sobre o pensamento de Piaget, pois, de antemão ele cria uma teoria de como todas as crianças do mundo nascem, se desenvolvem e aprendem, este pensamento pode até ser valide e este discurso circula mundialmente com bastante força, todavia, temos dúvidas em propor um método, um teoria mundial, pois, partimos do principio da multiplicidade. O ele faz é, nada mais do que classificar, criar um identidade sobre.
Rubens disse: Foucault não se limitava com métodos, em Palavras e as coisas, ele escreveu todo o livro e, não se preocupou com o método. Todavia, após uma cobrança dos acadêmicos e críticos da época, ele escreveu A arqueologia do saber, como uma possível resposta. Com isso, Welinton questiona: mas, para qualquer trabalho científico, seja de graduação ou pós-graduação, precisamos colocar que usamos ou estamos apoiados em algum método, como para entrar no mestrado, necessita fazer um projeto e neste projeto têm que haver um método. Então, Rubens falou sobre a possibilidade de estratégias, ou seja, escolhas para operar.
Uma das contribuições de Deleuze e Guattari é que eles colocam o corpo na aprendizagem, pois, sempre aprendemos com o corpo. Todavia, antes e ainda existe um discurso sobre repartição de corpo e alma, que deriva de influências de Platão e Descartes. E ao discutirmos sobre o conceito de rizoma, surgiu uma nova pista da aprendizagem, que é, “aprender é ensinar um movimento rizomatico”. Com isso, Rubens colocou um problema para pensarmos, é possível um pensamento criativo sem um desejo esquizo? Inspirados no texto de Cintya, discutimos o conceito de maquina de guerra, de Nietzsche e, entendemos que pode ser entendido como um movimento que transforma o sofrimento como um desejo de vida.
Inspirados no pensamento trágico abordado no texto, que entendemos como um pensamento outro, que opera fora da moral, que foge das normas, aberto as multiplicidades, nos ajudou a pensar outra pista da aprendizagem, que é “aprender se dá a partir do pensamento trágico”. A partir disso, Rubens fez um comentário sobre o currículo cultural, que foi: se o pensamento pós-crítico é criação, por quê tem um discurso colocando como as coisas devem ser, como eixos, não seria um movimento de congelamento do pensamento, o amarrando, limitando-o?
E assim, demos inicio ao nosso terceiro texto do encontro, que foi, “Arte e filosofia em Deleuze e o “fora” filosófico-educacional: uma crítica às formas analógicas de pensamento”. A partir deste texto, discutimos sobre a desterritorização, que ela constitui um dublo-fora sendo um 1º fora de ideias, sobre o campo e conhecimento e o 2º como um fora de si. Após isso, João Pedro citou:
Fazer seu próprio movimento a partir do encontro com o estrangeiro. Não se trata de mediação, nem de interação nem de hibridização. Essas formas, já viciadas, são a plataforma de constituição de um pensamento que opera a partir de mecanismos de reconhecimento (RIBEIRO, ANO, p. 8).
Com isso, nos ajudando pensar em estratégias para escapar do tal jogo de cartas marcadas. Também, pensando a partir do que foi discutido, pensamos em outra pista da aprendizagem, que é “aprender necessita da potência o fora”. Nosso 4º e último texto a ser debatido foi “Pensamento do fora, conhecimento e pensamento em educação: conversações com Michel Foucault”.
Um dos termos que mais nos chamou a atenção foi o de dobla, que entendemos como o pensamento como experiência de resistência instaura necessariamente um plano de criação. Tal ato se faz como uma espécie de “dobra” do pensamento, na qual é a própria linguagem que se encontra sub judice, exausta diante dos rebatimentos infinitos dos atos de reflexão – esse jogo especular das representações e seus avessos. E com isso, podemos pensar os efeitos e resultados dos problemas. A Cintya Ribeiro, autora, questiona sobre o processo de criação de técnicas para dar aulas, pois, dentro deste perspectiva, não existe uma receita, por exemplo, seria inviável fundar um currículo, ou pensar uma educação deleuzeana maior.
João Pedro disse que se aproxima seu pensamento ao dela, pois, para ele também não cabe criar um currículo, porque poderia estar criando um único jeito de fazer, todavia, está perspectiva parte da multiplicidade e com isso, não se conversa. Rubens acredita que pode existir estratégias para lidar com isso. O grupo de iniciação científica vem com ele desenvolvendo um trabalho sobre pistas e princípios didáticos sobre o aprender com Deleuze, fornecendo alguns subsídios para mais pessoas terem acesso, porém não é criar uma receita e sim apontar algumas pistas. Para finalizar o texto a autora sugere duas propostas, a 1º recusar o regime de verdades como dadas e o 2º ter seu próprio pensamento como objeto / problema de pesquisa. E assim, finalizamos mais um encontro.
Pistas desse encontro:
·         Aprender é ensinar um movimento rizomatico;
·         Aprender se dá a partir do pensamento trágico;
·         Aprender necessita da potência o fora.




domingo, 24 de fevereiro de 2019

23-02-2019 Primeiro encontro do ano: tema de Aprendizagem em Deleuze.


O primeiro encontro do ano de 2019, aconteceu no sábado dia 23 de Fevereiro, com a presença de alguns alunos conhecendo o grupo e em especial a primeira transmissão via Skype com a Universidade YMCA - México (Georgina, Elder, Caio e Alejandra). Houve uma apresentação de todos e foi elencando o objetivo do grupo: produções de pesquisas e melhorar a formação da graduação.
Demos início com a explicação sobre o porquê estarmos estudando Deleuze, que veio através de inquietações sobre a formação dos alunos, assim iniciamos com estudos sobre a aprendizagem inventiva e chegamos em um dado instante que precisávamos ler Deleuze e as suas contribuições quando relacionado com a Educação. Já faz um ano que o grupo está estudando nessa linha, com muitas leituras feitas fomos em conjunto apontando pistas e princípios, mas entendendo que não vem como verdade e sim auxiliadora nas ações.
Para a discussão dos textos do dia foram apontados dois movimentos a serem realizados durante o encontro: I- colocar as impressões “suas” em cada texto; II- ficar constantemente olhando, para encontrar mais pistas e princípios - ação de garimpo, limpando para tentar encontrar. E também foi elaborado pelo Rubens slides com apontamentos mais relevantes na sua interpretação para fluir com as discussões e problematizações expostas.
Iniciamos com o texto "Esboço de um mapa", apontamos o como a educação necessita criar subsídios para dar aula - mas cabe ao modificar a forma que eu dou aula em todos os momentos - e neste texto a crítica está em não se preocupar em dar subsídios ao professor, aprendendo e pensando a singularidade que lida com certos problemas. Abordando também que Deleuze chega até nós por Tomaz Tadeu da Silva que internacionalizou autores, nas suas traduções, dando início nos estudos culturais, tendo o encontro com Foucault e por seguinte Deleuze, este que ganha força em meados da década de 2000, mas somente em 2005 foi o ano de consolidação - conquista a popularização e alavanca os estudos - um filósofo mas com maior presença no campo da educação.
Dando sequência com o texto “Implicações midiáticos e acadêmicas”, que elenca dois paradigmas de apropriação: ascetismo (disciplina) e exegese (comentários) - trazer o autor para sua vida - pensamos os autores como uma disciplina, mudando a nossa maneira de pensar a educação, movimentando os pensamentos, sendo possível pela conexão dos autores. Com essas conexões Glaurea e Murilo dão exemplos de autores ou até mesmo palestras que recordam quando estavam lendo os textos. Aprofundando que o famoso “Aprender a perder tempo” estão nos signos das ações (campo da inconsciência).
Quanto ao relacionarmos com a educação Georgina abordou sobre, como pensar a educação quando temos do outro lado as ações políticas, direitos exigidos dentro das salas dentro dessa identidade e João retoma dizendo que a forma de pensar “é a forma de pensar”, ou escolha de aula, maneira de se pensar e colocá-la é uma atitude política, sendo duas instâncias que não podem se separar”. Rubens complementa retirando do próprio artigo que menciona a dessubjetivação, porque entendemos que o espaço/contato com o outro já é um forçar a pensar a diferença e quando está ENTRE é que ocorre a dessubjetivação, tem potência para pensar as outras coisas e a escrita como uma ascese (trabalhar agir sob si), solidária, mas produzido para outras pessoas ler (coletivo).
Assim, o ler livros não para entender e sim para se inspirar/produzir, esse é o movimento da diferença. Dando continuidade com a problematização Georgina diz que os discursos dos direitos humanos, como fazer esses tipos de políticos nas aulas, relações de micropolítica com micro espaços, com o poder de máquinas e como eu e a minha classe teria estratégias do micro para o macro. Então Rubens diz sobre a micropolítica se dando no menor, e se pensar igual produz robôs formatadas em um pensamento, só inverte a moeda, não ter respostas prontas e as estratégias irão se desenvolvendo.
Monique recorre ao que o grupo sempre se explica, quando está em questionamentos com relação como estar na ações no pensamento da diferença a todo momento, que é o grande perigo como já citado na inversão da moeda, mas o que acontece está na fuga, são momentos, encontros que possibilitam estar e ser a diferença, a que cria. Georgina finaliza com o pensamento dos corpos como estratégias, dando como exemplo a capoeira que nos estudos de Neira também é exemplificada e Elder exemplifica com a citação:

[...] Eu acredito que não há nada mais triste do que jovens avançando em idade incapazes de encontrar os livros que realmente amam. E, geralmente, não encontrar os livros que ama, ou não amar a nenhum, dá um mau humor. Acaba por gerar aquele sabe tudo sobre todos os livros. É uma coisa comum. Nós tornamos amargos. Vocês conhecem a amargura desse tipo de intelectual que se volta contra os autores pelo simples fato de não ter encontrado aqueles que realmente ama... aquele ar de superioridade conferido pela força de ser um boçal. Tudo isso é muito nojento. Seria preciso que, em última instância, apenas mantenhamos relações com aquilo que amamos (DELEUZE, 2008, p. 161, tradução nossa).

Dando sequência com uma abordagem de todos os textos, Georgina elenca como ver a experiência, já que experimentação vem quanto corpo, que sente/prova. Então Rubens diz que a experimentação serve para os cortes de fluxos (conversa com alguém diferente, um meme, uma aula, etc.       Tudo isso é corte), porque se encontra com outro objeto que muda, influência e pode produzir potência como não produzir, mas podemos ter uma ideia de produção desejante, esta que pode tender a zero, daí que entra as formas de experimentação, a do pensamento.
Ressaltamos o texto “Agenciamento Foucault-Deleuze”, entendendo que Foucault, não segue nenhuma escola filosófica e sim cria maneiras, que cada um aja do seu jeito, pelos os tapas da vida, faz você criar as suas maneiras de viver. O qual vê pela imanência e quer saber porque pensamos o que estamos pensando no hoje - ESTÉTICA DA EXISTÊNCIA.
Compreendendo que somos produzidos nos encontros/influências que agem na subjetividade, criando a nossa concepção de leitura perante ao que foi escrito que é o AGENCIAMENTO, sendo levado pelos caminhos, “não temos controle”, somos criados como robôs, mecânica, um sistema que está corrompendo, uma estrutura que aprisiona.





quinta-feira, 13 de dezembro de 2018

08/12/2018 - Encerramento do Semestre - MOSSI, Cristian Poletti. Teoria em ato: o que pode e o que aprende um corpo?




TEXTO:  MOSSI, Cristian Poletti. Teoria em ato: o que pode e o que aprende um corpo? Educação e Pesquisa, São Paulo, v. 41, n. especial, p. 1541-1552, dez., 2015.
Sugestão audiovisual: Filme "Na natureza selvagem" (2007).

O encontro de hoje, foi coordenado pelo membro do nosso grupo, João Pedro, ele também ficou responsável em fazer um resumo do texto, para facilitar a leitura para os iniciantes. Ao chegarmos na sala, havia algumas imagens e frases sobre a multiplicidade de corpos, que João colocou e, também ele nos pediu para que levássemos alguns “gatilhos” do texto (palavras e/ou frases) para colocarmos na lousa.
Começamos dizendo alguns dos gatilhos, para colocar na lousa, e foi divido como nos tópicos que o autor utilizou no texto, sendo eles: o que pode e aprende um corpo? Corpo fendido; Corpo-sem-órgãos. Nossa discussão girou em torno desses três eixos, colocado pelo autor e, conversa bastante com o estamos estudando, a aprendizagem inventiva.
Elder mencionou, “a Educação – escrita assim, em caixa alta –, a Grande Educação, Educação Maior, focada na aprendizagem de conteúdos fechados, e não ao sabor dos encontros que por ventura podem instigar o pensamento a pensar, como nos propõe Deleuze (2006), parece ter nos feito esquecer que temos corpo”. (MOSSI, 2015, p. 1543).
Logo relacionamos essa Educação Maior, com as práticas dos currículos tradicionais, que desenvolvem conteúdos fechados, e não dão passagem as potências dos encontros e muitas das vezes parecem fazer esquecer que temos corpo, ou simplesmente ignoram.
Welinton citou o trecho de Gallo (apud MOSSI, 2015, p. 1544) “aprender é sempre encontrar-se com o outro” e o outro não seria necessariamente outra pessoa, e sim com qualquer objeto que nos tornamos sensíveis. Nessa perspectiva, tudo emite um signo, e o aprender é sempre um encontro com o signo, assim, encontramos uma nova pista da aprendizagem inventiva, que é um trabalho que está sendo desenvolvido pelo professor e mediador do grupo, Rubens e os iniciantes científicos.
Após isso, Rubens apontou, segundo Mossi (p. 1544) “aprende-se o tempo todo, aprende-se com o corpo inteiro”. Deste modo, pensamos que, aprender é sempre construir outro corpo e sempre aprendemos de corpo inteiro. Todavia, temos uma forte influência do pensamento de Rene Descartes, que fragmenta coisas para se pensar, tomemos como exemplo as disciplinas que temos nas instituições.
Mais à frente, entramos no tópico do corpo fendido (conceito criado pelo autor) e para explicar esse conceito, o autor expõem o exemplo do suicida. Neste exemplo, o que menos nos importa é a figura do suicida, porém, ao abstrairmos essa ideia entendemos que, um suicídio seria como ser atravessado por intensidades e vazar, por exemplo: ao ato de um sujeito sair vestido com uma determinada roupa que não está habituado, podemos entender com uma vazão de fendas. Para Mossi (2015) à Educação Maior, tenta fechar o maior número possível.
Ao discorrer do encontro, entramos no tema de corpo sem órgãos, que se conversa bastante com o filme proposto ao encontro. Compreendemos que, um corpo sem órgãos é um corpo em constante movimento, que em busca de se liberar das amarras impostas. No filme, “Na natureza selvagem” o personagem principal, Chris McCandless, após terminar a graduação em direito, abandona a vida que estava habituado e, vai morar na natureza, em busca de um desprendimento.
Como de costume, fizemos uma reflexão de como foi o semestre, os textos e vídeos discutidos, em geral o pessoal gostou bastante de estudar essa perspectiva sobre a aprendizagem, e foi decidido continuar por esse caminho. Desde modo, leremos para o próximo semestre o livro do Sílvio Gallo, Deleuze e Educação, passaremos o semestre todo lendo-o, sendo dividido ler até a metade nas férias e após isso será dividido por capitulo.
Foi decidido também que, algum membro mais velho do grupo seguirá fazendo um resumo do texto, para que os iniciantes, caso queiram, consigam ler um texto mais curto e didático e coordenará o encontro. Abaixo está, algumas pistas da aprendizagem, extraída do encontro:

·         Aprender é sempre um acoplamento maquinico;
·         Aprender é sempre um encontro com o signo;
·         Aprender é sempre construir outro corpo;
·         Aprende-se com o corpo inteiro;
·         Aprendizagem é sempre uma ordenada intensiva de atravessamento e passagem;
·         Aprendizagem é sempre a produção de diferença;
·         Aprendizagem é produção de Copo Sem Órgãos das fendas do corpo, escape, linhas de fuga. (micro/macro política).

Assim, encerramos nosso encontro e mais um semestre, que foi bastante produtivo e desejamos a todos um ótimo natal, fim de ano e boas festas. Até 2019!