sexta-feira, 7 de junho de 2019

01-06-2019 – Aplicações didáticas a partir da Filosofia da Diferença

Iniciamos o encontro com a apresentação das novas pessoas e, foi realizado uma abordagem sobre onde estamos operando, sendo a aprendizagem a partir da filosofia(s) da diferença. Após isso, João Pedro fez o convite a todos sobre o congresso SBCE, que acontecerá no Rio Grande do Sul, sendo o maior congresso de Estudos Culturais da América Latina, e nosso grupo teve 2 trabalhos aceitos. Paulo ficou responsável por colocar na lousa os “princípios didáticos”, um documento que vem sendo desenvolvido no grupo de iniciação científica e na pesquisa do Rubens. Foi exposto este documento para os demais saberem o que estamos produzindo e relacionar com os textos e, também passível a críticas, mudanças, opiniões diferentes etc.
Em seguida a esta introdução, começamos as discussões sobre os textos. Rubens pediu para que primeiramente fizéssemos algumas impressões de leitura, então, Paulo iniciou com uma fala a sobrevoo sobre os textos e, o que mais lhe chamou a atenção foi o conceito de “gesto” proposto no texto “Diferença E Gesto Em Sala De Aula” e, com isso, ele pensou em uma possível pista para o documento que estamos desenvolvendo. A seguir, Elder colocou uma pergunta para o pensar em grupo, com o texto “Deleuze-Guattari e Educação Física Cultural: pedagogia do conceito de ‘escrita-currículo’”, como pensar em no currículo cultural ou em qualquer outro a partir de Deleuze e Guattari? Sendo que para eles os conceitos servem para responder um determinado problema singular e, os currículo expressão a priori determinadas coordenadas.
Clayton e Vitor responderam que esta pergunta é bastante pertinente no grupo GPEF-FEUSP e também estão pensando nisso.  Rubens responde: pode se olhar para os engessamentos ou para os seus rizomas. Todo currículo engessa. Podemos pensar o currículo cultural como uma maneira de dar aula dentro muitas outras possíveis, pensar o que ele tem de bom, os diferentes agenciamentos que ele propõe. Rubens entende que o problema de está na escrita sobre o currículo, pois, a escrita está imersa a estruturas, a territorialização. Mas, podemos pensar em práticas inspiradas pela filosofia(s) da diferença. 
Pensando a partir disso e com outros assuntos, Vitor trás um assunto bastante interessante ao debate, ele faz uma leitura de que a Educação, a Escola enquanto mecanismos de controle trabalham na lógica do que um corpo deve, e, pensar em aulas de Educação Física com esta perspectiva é, também pensar no que o corpo pode. Com a fala do Vitor, Rubens cria um novo princípio para o material que está sendo produzido, sendo ele: “ensinar é, pensar e proporcionar encontros sobre o que pode um corpo, e não só o que deve um corpo”.
Elder propõe uma discussão mais próxima sobre os princípios da aprendizagem e se possível ir relacionando com os textos. Com isso, foi esmiuçando a discussão de cada princípio, pensando sobre as variantes, se cabe críticas, se cabe complementos e outros. Em um dos princípios, é dito que a aprendizagem é sempre imprevisível, mas, Rubens traz uma fala intrigante a pensar, que para ele, a figura do professor é só mais um vetor de muitos em uma aula. Contudo, neste jogo de poder, o professor em sua aula exerce mais poder, então ele pode priorizar o que trabalhar, se não, poderia dar o entender que é tudo incontrolável e, ainda faz uma realça, a Educação é bastante controlada, mas, a aprendizagem escapa, desvia.
Para Andressa e Clayton pensar isso dá um certo alívio, ter consciência de que não seremos professores/as profetas que iremos salvar ou revolucionar o mundo com nossas aulas. Mas sim operando como Silvio Gallo propõe, em uma educação menor, nas micropolíticas. Rubens toma o cuidado de dizer que dar aulas nessa perspectiva é, de certa forma priorizar a invenção, mas, é preciso prudência, pois, nenhuma aula é completamente inventiva ou recognitiva, elas acontecem e não analisar que isso se dá em um processo dicotômico. Entendemos essa perspectiva pela lógica do rizoma, no sentido do “e, e, e...”. Pensando com o texto do Gallo, Elder diz que ensinar é lançar sementes, mas, se a pessoa irá aprender ou não é imprevisível e têm relações com o conceito de tempo-duração de Henri Bergson.
João Pedro, Rubens e Vitor trazem à discussão a teleologia, que foi abordada nos textos para o encontro, e com isso, pensam em: ter direito à uma teleologia docente, e conforme a discussão propuseram isso como mais um princípio. Em linhas gerais, esses foram alguns dos acontecimentos discutido neste encontro. Após isso e devido ao horário, foi aberto a discussão para leituras no próximo semestre, sendo que, sempre estamos tentando outras propostas, neste semestre foram escolhidos de 4 a 6 artigos por encontro e discutir a partir deles. Contudo, foi pautado que, seria mais interessante pensar em 3 artigos para que, todos possam ler e gerar um dialogo melhor. Outra proposta foi pegar um livro e em cada encontro discutir um capítulo e, se preciso alguns artigos introdutórios. A proposta de ler um livro para o próximo semestre aderiu mais força e caminharemos nesta perspectiva. Assim, encerramos mais um semestre.
Princípios do encontro:
- Estar atendo aos gestos em sala de aula como convite a aprendizagem dos signos;
- Pensar no que o corpo pode, não só que o que o corpo deve;
- Direito à teleología docente;
- Ensinar é “lançar sementes” (Gallo) e têm seu tempo e duração singular (Bergson), ou seja, algo pode fazer sentido após determinado tempo que é sempre imprevisível.





PS: Notas da Eliza abaixo.

Vídeo potência....
É difícil pensar de forma não dicotomia
Desafio em perceber os momentos de potência
Ao mesmo tempo que pode possibilitar os bons
encontros pode proporcionar também os maus
encontros(tédio, sem pensamentos), além de que
há uma expectativa do aluno em chegar e ter uma
queimada e se decepciona por ser outro conteúdo
As vezes o professor chega sen potência e tem a
potência aumentada pelos alunos, do encontro
com os alunos.
Texto Silvio Galo- recognição, representação, ao tentar
entender o outro a partir de explicar o outro a partir do
que eu penso. O outro é inapreensivel, é singular.
A educação é um empreendimento coletivo, é sempre
encontro por isso esta ideia de alteridade. Os corpos
podem coexistir sem encontro. O aprendizado
foge ao controle, se aprende o que o professor
nem imaginava ensinar
Professor enquanto atrator de afetos
Numa aula a gente sabe o que esta em jogo, uma
máquina social que nos amarra, não é fugir, talvez
resistir pra não viver de forma impotente. O que faço
a partir do que é dado pode ser encontro de potência,
ferramenta para movimentar ideias, o sujeito não quer
estar na faculdade as 7 da manhã mas o Rubens falou
sobre usar do poder para virar potência.
Educação como vetor de produção de singularidades,

em sentido deleuziano e anarquista.
Não é possível saber e controlar como alguém
aprende. É produção e movimentos que pensar o
singular parece que não chega a lugar algum.
O Clayton perguntou o que vetor de singularidades
produz potência? Olha a gente não pode
homogeneizar vamos singulizar, sendo assim uma
nova norma, uma nova homogeneizar.
Separar o que acontece do que o professor espera, a
perspectiva da filosofia da diferença sabe o construto
social e se propõe a movimentar o pensamento,
a moderna também produz singularidades mas
talvez não sabe.
Em alguns momentos precisa ser estruturado para
ser compartilhado mas apesar desta estruturação o
professor é só mais um vetor e mais uma força.
Como defende em uma tese em imanência mas
viver na transcendência? Pode ser uma alternativa
pois te leva ao limbo, não te da respostas, é a
transcendência te conforta.
Você se rende a ferramenta que você tem, te
trás um conforto.
Diversos modos de vida já se intiguiram mas
a igreja não.
Articulação entre micro e macro, a gente age no
micro e o que seria? No espaço e no tempo, é aqui
pois quando você vira a esquina já é atravessado
por outras coisas.
O aluno não aprendeu a culpa é do professor e os pro‐
fessores que lembramos é aqueles que identificamos

que ensinaram as mais coisas pois estamos na lógica
de que queremos dar a resposta certa.
Tem as linhas de força d graduação, da pós... Tem a
questão que estamos produzindo ciência.
1 Sensibilidade ao devir potência;
2 Modulação do controle;
3 Articulação micro/macropolitica;
4 Experimentação dos encontros;
5 Organização dos encontros;
6 Avaliar constantemente o processo;
7 Estar atento às misérias;
8 Sempre produzir singularidades;
9 Dar aulas sobre o que buscamos aprender e
não o que já sabemos;
10 Ensinar inventivamente é imprevisível;
11 Ensinar é possibilitar a invenção do problema
12 O professor é um artista;
13 A potência está (pode estar) na indagação;
14 Não se apaixonar pelo poder;
15 Ensinar é produzir máquina de guerra;
16 Proporcionar encontros com direito aos
próprios problemas;
17 Estar atento aos gestos;
18 Lançar sementes
19 Direito a teleologia docente.
Avaliar não é a mesma coisa que dar nota, dar nota
é só preencher requisitos que você tem que cumprir
e que você acordar com os pares, já avaliar é olhar
para o processo, olhar para os afetos. O próprio
professor se avaliando mas da ordem dos afetos,

não dá racionalidade, você intui que a aula tá ou não
produzindo potências.
Texto Pedro- Ensinar é o que pode um corpo,
espaços dados para experimentar. Pensar o que
pode e não o que é!
Produzir uma máquina de guerra enquanto aquela que
questiona a máquina social, com relação de afetos.
Pode muito bem por exemplo num partido político o
discurso ser máquina de guerra, discurso da diferença
mas chega no poder e pressupõe homogeneização,
então não existe poder de direita ou esquerda mas
graus de cumprir a máquina social.
Livro de Deleuze: Nietzsche.
O anti Édito
Reuniões de experimentações: Filosofias da diferença
é educação- Maria dos Remédios de Brito e Silvio Galo
- Entre as linhas da Educação e da diferença

segunda-feira, 22 de abril de 2019

13-04-2019: Desejo e esquizoanálise


No encontro do dia 13 de Abril, iniciamos com a listagem dos eventos que estão por vir: Congresso: CONBRACE (Natal); Anped (RJ); Curso Educação Física Cultural (FEFISO); Do cais ao caos (Campinas); SBECE (Rio Grande do Sul).
Demos continuidade com o tema do dia “Desejo” (é sempre revolucionário, não se espera), uma leitura de mundo em que  tudo é máquina que se conecta para a produção do real (ex: psicólogo- uma busca de traumas, sem ver os outros pontos de interferências que estão em você), o estar preso dentro de uma estrutura disciplinar. Entendendo desejo sendo o que compõe nos encontros e produz o aumento de potencia (alto ou baixo - momentos), agenciados por máquinas sociais. Havendo o desejo esquizo (eu não quero controle, como está o desejo nas pessoas, produz aumento de potência) e o desejo reacionário (quer mais controle da máquina social-organização). Você nasce e não tem como sair. Já o prazer é o querer.
            Que se dão por fluxos (máquina despótica para desejante): monetário / fluxo de dinheiro - capitalismo (gera um grande mercado- ex: morre o mercado de cds, morre o de filmes, ... mas produz desejos novos, spotify, netflix, games, moda,...), o que mais produz
é a subjetividade capitalista, onde  para se divertir precisa de dinheiro, sem saber produzir potência (ir na casa do amigo para conversar, brincar na rua,... que resulta no aumento de potência) e Vitor relaciona esse processo com essa subjetividade criada por meio do poder que estamos inseridos. Como também quando relacionado a fluidez das relações/composição para a produção de potência, sempre tentamos elevar a potência, mas entende o processo de decomposição (atento aos encontros e busca novas coisas, em um processos sem fim). Deleuze diz que na esquizo é desejo de menos, agenciamento, acontecimentos, ...TRANSVERSAL.
            Como sequência abordamos o texto “Processo de subjetivação segundo a esquizoanálise”, e a necessidade de falar sobre as linhas de desejo (moral e valores): dura (necessidade para uma organização social - ex: pagar o boleto, passar o ponto no trabalho, escola...) , maleáveis (ex: atitudes e ações do professor que permite aumento de potência sem ser disciplinar o tempo todo), de fuga (ex: matar aula... - linha que escapa do limiar do capitalismo, não são territorializadas), linha suicidária (não se encaixa na sociedade e não sabe buscar a potência, só sabem a fase terminal - ex: fascismo, ...). As coisas não são, elas dependem do olhar. Entendendo que Foucault busca pelos prazeres, já Deleuze, o prazer mata o desejo.
A esquizoanálise é o propor encontros, experimentações, para quem se sente espremido pela máquina social, mas "Seja prudente nas experimentações". E com a cartografia sendo a execução de uma pessoas que traça linhas para compor um órgão, capaz cartografar as nossas linhas, de mim, das aulas, das pesquisas, … Sem haver categorização e sim a MISTURA ENTRE SI QUE NÃO PARAM DE INTERFERIR UMA SOBRE AS OUTRAS, RIGIDEZ E VICE E VERSA, COM EFEITOS DE AUMENTO OU DIMINUIÇÃO DA POTÊNCIA. Mas há riscos, a decomposição ou a sobrecarga.
Comentamos também sobre “CORPO SEM ÓRGÃOS”, o não que está subjugado pela máquina capitalista, o corpo como é, já que o corpo capturado é o categórico, existe como obra da sustentação do ramo social. Nenhum órgão meu está a serviço da máquina, aprender a produzir para mim um corpo sem órgãos - a Esquizoanálise trabalha quais são as linhas de fugas que irão compor corpos sem órgãos (aumento de potência precisa de um platô - mas a maneira que olhamos para a ação, é singular de cada um, operando de diferentes maneiras). E o devir, com o processo de ser diferente, quando está aberto para outras oportunidades que não seja da subjetividade; vem se você prever, sem controlar, que acorda de uma forma diferente.
Entendo que esse processo vem de uma canibalização de conceitos filosóficos para a compreensão e ações para o agora, lembrando que as sementes estão lá em Nietzsche; que toda composição é uma decomposição; e que VIVEMOS EM TORNO DOS PRAZERES (subjetividade capitalista - desejo reacionário, para satisfazer os meus prazeres, por ter uma vida vazia sem desejos).


segunda-feira, 1 de abril de 2019

30/03/2019 - Subjetividade e Corpo

Iniciamos o encontro relatando sobre as nossas ações quanto a leitura, que buscamos a extração, o trazer para a nossa realidade - Educação - e a busca constante de aproximações com o ensinar e o aprender, permitindo a criação com os seus significados. Se dando pela leitura do permitir-se aos fluxos e após o término, o entendimento das estruturas do textos e as compreensões adquiridas.
As nossas discussões, se deu com um breve comentário do texto "Sensibilizar para viver a criação" e priorizamos o texto “Educação, cultura e subjetividade: Deleuze e a Diferença”, que se aproxima muito do nosso foco e ações, subjetividade e corpo.
            Sobre o primeiro texto relacionado a dança, problematizamos o entendimento sobre a parte prática da autora, dificuldade do entendimento, mas que se deu pelas conexões com o outro, que permite a criação e a sensibilização com as práticas de si, sendo sempre imanente, que sai ali, naquele momento que se deu os encontros, impactando o momento com o deixar fluir. Isto se dá pelos encontros se resultarem do entre, a filosofia relacional. Cabe a compreensão que a racionalidade trava as nossas ações, pelas marcações que são dadas e direcionadas, como a Lilian deu o exemplo do Ballet, todos sabem ou possuem uma noção imediata do que seja. E o Rubens continuou dizendo que quando somos mediados pela razão, nos distanciamos do nosso corpo, de si mesmo, porque não estamos a vontade. Compreendendo assim, que a dança-educação são como a junção do sentir e o fazer, pelos encontros e significados.
            O segundo texto, iniciou com o exemplo de Rubens, de uma aula, sobre a filosofia da diferença, que estando naquele momento a visão flui, mas que ao sair daquele instante já se encontra novamente no racional.  E que  toda repetição carrega uma diferença, como Rubens disse todos nós possuímos uma rotina, por exemplo,  todo dia você vai para faculdade, isso se repete diariamente, mas não é a mesma coisa, igualzinho por descrição todo o dia, acontece algo que o difere dos demais dias.
            Para Deleuze não existe uma identidade, já que são infinitos modos de existência e para o filósofo o corpo coexistem em duas grandezas: VIRTUAL (se atualiza, possibilidade) e o  ATUAL (uma expressão do virtual). A duração da virtualidade sendo a que dá: a diferença de grau (um pequeno instante que muda a natureza, intensidade de fluxos), damos como exemplo um dia como de rotina está indo ao trabalho e é fechado por um carro; e a diferença de natureza (intensidade de acontecimentos), damos como exemplo, a sua mãe morre e afeta o todo. A repetição, resulta o nosso pensamento em que não denota para pensar essas diferenças, só quando acontece, porque nunca se percebe a mudança que irá acontecer e quando percebe, já se tornou uma repetição, "em filosofia, a primeira vez é já a segunda; é essa a noção de fundamento. Sem dúvida, de certa maneira, o produto é que é, e o movimento é que não é, que não é mais" (DELEUZE, 1999, p.127).
            O corpo sempre está no E,E,E,E... e não no OU, OU, OU,.... Pensando na multiplicidade, já que esse corpo não tem identidade (só se sabe pelo momento que esteve). E o que se repete é a matéria, repete, mas carrega a diferença, só enxergamos a matéria. A ciências analisa o grau da repetição dessa matéria, mas há uma diferença do virtual, que atualiza de outra maneira a sua perspectiva e a natureza só está no pós, o que difere é a duração, mudança na forma de existência para cada um.  

" As multiplicidades são a própria realidade e não supõe nenhuma unidade, não entram em nenhuma totalidade e tampouco remetem a um sujeito. As subjetivações, as totalizações, as unificações são, ao contrário, processos que se produzem e aparecem nas multiplicidades. Os princípios característicos das multiplicidades concernem a seus elementos, que são singularidades; as suas relações, que são devires; a seus agenciamentos, que são hecceidades (quer dizer, individualizações sem sujeito); a seus espaços-tempos que são espaços e tempos livres; a seu modelo de realização, que é o rizoma (por oposição ao modelo da árvore); a seu plano de composição, que constitui platôs (Zonas de intensidade contínua); aos vetores que as atravessam, e que constituem territórios e graus de desterritorialização.” (DELEUZE; GUATARI, 1995, p.8).

            Trecho que foi abordado por Rubens, para que haja o entendimento de todos de alguns conceitos necessários para dar continuidade as leituras e estar familiarizado para todos: singularidade, devires, acontecimento, hecceidade, espaço tempo livre, rizoma, cartografia, platôs, território e agenciamento.
            Finalizamos com um trecho do texto e a problematização de que o encontro nosso de pistas e princípios, permite o fluxo maior. "O desafio posto para o professor de Educação é propor uma educação cujas práticas educativas não impeçam o devir, mas o implementem. Portanto o desafio é o de implementar o exercício da infância e o pensamento” (ABRAMOWICZ et al., 2009).






terça-feira, 19 de março de 2019

ATA – 16-03-2019 Tema: Pensamento




Nos encontramos sábado, dia 16 de março na FEFISO/ACM as 9:00 horas para discutirmos textos voltados ao pensamento, a partir de Gilles Deleuze. Começamos dando as boas vindas a Carla e Matheus, após isso, Rubens explicou sobre as funções e porque o grupo existe, disse também sobre nossas relações com algumas universidades, como a USP, UNICAMP e UFSCAR, com isso, foi feito o convite para quem quiser frequentar os grupos de estudos dessas universidades, se comunicar com o pessoal que está indo. Welinton complementou dizendo que, para quem se interessar por mestrado, existe também a possibilidade de participar como aluno especial.
Feito esta introdução do grupo, entramos no texto O agenciamento Deleuze-Guattari: considerações sobre método de pesquisa e formação de pesquisadores em educação, de Cintya Regina Ribeiro, Doutora pela USP e especialista em Gilles Deleuze. Todavia, antes de entrar no texto, Rubens perguntou como foi está leitura, muitos responderam que gerou um estranhamento, uma violência e que ela escreve difícil, porém, para Bia as leituras iam se ligando e fazendo mais sentido. Com isso, Rubens diz que, a autora comenta sobre o dicionário de ambivalência o qual é uma forma de enriquecer a escrita. Aline disse: não compreendi alguns conceitos que a autora coloca ao discorrer do trabalho, porém, no contexto em si pude entender melhor.
Ao desarrolhar do nosso encontro, Bia mencionou a palavra estrangeiro na própria linguagem e, que este conceito vem, não somente da razão, mas também dos afetos / sensível. Para Murilo, o(a) autor(a) quando escreve, escreve também sentimentos. Aline, inspirada no texto de Cintya diz que, ela não afirma nada, não defende uma verdade absoluta, lá não existe um conceito pronto. Rubens complementou dizendo que, dentro desta perspectiva da(s) Filosofia(s) da Diferença, fugimos de modos e sistemas de classificações, de verdades únicas e absolutas, não é preso a rótulos, este pensamento não se limita, pois está aberto as multiplicidades e entende tudo como uma construção.
Cintya, a autora do texto, chama de jogo de cartas marcadas, quando existe uma pesquisa que de antemão já sabem uma conclusão ou ficar repetindo o que já foi dito, pois, a chance de sair algo novo é muito baixo e, pensando com Deleuze, a criação é sempre algo novo, inédito, fugindo deste jogo de cartas marcadas. Para exemplo de um pensamento estruturado é sobre o pensamento de Piaget, pois, de antemão ele cria uma teoria de como todas as crianças do mundo nascem, se desenvolvem e aprendem, este pensamento pode até ser valide e este discurso circula mundialmente com bastante força, todavia, temos dúvidas em propor um método, um teoria mundial, pois, partimos do principio da multiplicidade. O ele faz é, nada mais do que classificar, criar um identidade sobre.
Rubens disse: Foucault não se limitava com métodos, em Palavras e as coisas, ele escreveu todo o livro e, não se preocupou com o método. Todavia, após uma cobrança dos acadêmicos e críticos da época, ele escreveu A arqueologia do saber, como uma possível resposta. Com isso, Welinton questiona: mas, para qualquer trabalho científico, seja de graduação ou pós-graduação, precisamos colocar que usamos ou estamos apoiados em algum método, como para entrar no mestrado, necessita fazer um projeto e neste projeto têm que haver um método. Então, Rubens falou sobre a possibilidade de estratégias, ou seja, escolhas para operar.
Uma das contribuições de Deleuze e Guattari é que eles colocam o corpo na aprendizagem, pois, sempre aprendemos com o corpo. Todavia, antes e ainda existe um discurso sobre repartição de corpo e alma, que deriva de influências de Platão e Descartes. E ao discutirmos sobre o conceito de rizoma, surgiu uma nova pista da aprendizagem, que é, “aprender é ensinar um movimento rizomatico”. Com isso, Rubens colocou um problema para pensarmos, é possível um pensamento criativo sem um desejo esquizo? Inspirados no texto de Cintya, discutimos o conceito de maquina de guerra, de Nietzsche e, entendemos que pode ser entendido como um movimento que transforma o sofrimento como um desejo de vida.
Inspirados no pensamento trágico abordado no texto, que entendemos como um pensamento outro, que opera fora da moral, que foge das normas, aberto as multiplicidades, nos ajudou a pensar outra pista da aprendizagem, que é “aprender se dá a partir do pensamento trágico”. A partir disso, Rubens fez um comentário sobre o currículo cultural, que foi: se o pensamento pós-crítico é criação, por quê tem um discurso colocando como as coisas devem ser, como eixos, não seria um movimento de congelamento do pensamento, o amarrando, limitando-o?
E assim, demos inicio ao nosso terceiro texto do encontro, que foi, “Arte e filosofia em Deleuze e o “fora” filosófico-educacional: uma crítica às formas analógicas de pensamento”. A partir deste texto, discutimos sobre a desterritorização, que ela constitui um dublo-fora sendo um 1º fora de ideias, sobre o campo e conhecimento e o 2º como um fora de si. Após isso, João Pedro citou:
Fazer seu próprio movimento a partir do encontro com o estrangeiro. Não se trata de mediação, nem de interação nem de hibridização. Essas formas, já viciadas, são a plataforma de constituição de um pensamento que opera a partir de mecanismos de reconhecimento (RIBEIRO, ANO, p. 8).
Com isso, nos ajudando pensar em estratégias para escapar do tal jogo de cartas marcadas. Também, pensando a partir do que foi discutido, pensamos em outra pista da aprendizagem, que é “aprender necessita da potência o fora”. Nosso 4º e último texto a ser debatido foi “Pensamento do fora, conhecimento e pensamento em educação: conversações com Michel Foucault”.
Um dos termos que mais nos chamou a atenção foi o de dobla, que entendemos como o pensamento como experiência de resistência instaura necessariamente um plano de criação. Tal ato se faz como uma espécie de “dobra” do pensamento, na qual é a própria linguagem que se encontra sub judice, exausta diante dos rebatimentos infinitos dos atos de reflexão – esse jogo especular das representações e seus avessos. E com isso, podemos pensar os efeitos e resultados dos problemas. A Cintya Ribeiro, autora, questiona sobre o processo de criação de técnicas para dar aulas, pois, dentro deste perspectiva, não existe uma receita, por exemplo, seria inviável fundar um currículo, ou pensar uma educação deleuzeana maior.
João Pedro disse que se aproxima seu pensamento ao dela, pois, para ele também não cabe criar um currículo, porque poderia estar criando um único jeito de fazer, todavia, está perspectiva parte da multiplicidade e com isso, não se conversa. Rubens acredita que pode existir estratégias para lidar com isso. O grupo de iniciação científica vem com ele desenvolvendo um trabalho sobre pistas e princípios didáticos sobre o aprender com Deleuze, fornecendo alguns subsídios para mais pessoas terem acesso, porém não é criar uma receita e sim apontar algumas pistas. Para finalizar o texto a autora sugere duas propostas, a 1º recusar o regime de verdades como dadas e o 2º ter seu próprio pensamento como objeto / problema de pesquisa. E assim, finalizamos mais um encontro.
Pistas desse encontro:
·         Aprender é ensinar um movimento rizomatico;
·         Aprender se dá a partir do pensamento trágico;
·         Aprender necessita da potência o fora.




domingo, 24 de fevereiro de 2019

23-02-2019 Primeiro encontro do ano: tema de Aprendizagem em Deleuze.


O primeiro encontro do ano de 2019, aconteceu no sábado dia 23 de Fevereiro, com a presença de alguns alunos conhecendo o grupo e em especial a primeira transmissão via Skype com a Universidade YMCA - México (Georgina, Elder, Caio e Alejandra). Houve uma apresentação de todos e foi elencando o objetivo do grupo: produções de pesquisas e melhorar a formação da graduação.
Demos início com a explicação sobre o porquê estarmos estudando Deleuze, que veio através de inquietações sobre a formação dos alunos, assim iniciamos com estudos sobre a aprendizagem inventiva e chegamos em um dado instante que precisávamos ler Deleuze e as suas contribuições quando relacionado com a Educação. Já faz um ano que o grupo está estudando nessa linha, com muitas leituras feitas fomos em conjunto apontando pistas e princípios, mas entendendo que não vem como verdade e sim auxiliadora nas ações.
Para a discussão dos textos do dia foram apontados dois movimentos a serem realizados durante o encontro: I- colocar as impressões “suas” em cada texto; II- ficar constantemente olhando, para encontrar mais pistas e princípios - ação de garimpo, limpando para tentar encontrar. E também foi elaborado pelo Rubens slides com apontamentos mais relevantes na sua interpretação para fluir com as discussões e problematizações expostas.
Iniciamos com o texto "Esboço de um mapa", apontamos o como a educação necessita criar subsídios para dar aula - mas cabe ao modificar a forma que eu dou aula em todos os momentos - e neste texto a crítica está em não se preocupar em dar subsídios ao professor, aprendendo e pensando a singularidade que lida com certos problemas. Abordando também que Deleuze chega até nós por Tomaz Tadeu da Silva que internacionalizou autores, nas suas traduções, dando início nos estudos culturais, tendo o encontro com Foucault e por seguinte Deleuze, este que ganha força em meados da década de 2000, mas somente em 2005 foi o ano de consolidação - conquista a popularização e alavanca os estudos - um filósofo mas com maior presença no campo da educação.
Dando sequência com o texto “Implicações midiáticos e acadêmicas”, que elenca dois paradigmas de apropriação: ascetismo (disciplina) e exegese (comentários) - trazer o autor para sua vida - pensamos os autores como uma disciplina, mudando a nossa maneira de pensar a educação, movimentando os pensamentos, sendo possível pela conexão dos autores. Com essas conexões Glaurea e Murilo dão exemplos de autores ou até mesmo palestras que recordam quando estavam lendo os textos. Aprofundando que o famoso “Aprender a perder tempo” estão nos signos das ações (campo da inconsciência).
Quanto ao relacionarmos com a educação Georgina abordou sobre, como pensar a educação quando temos do outro lado as ações políticas, direitos exigidos dentro das salas dentro dessa identidade e João retoma dizendo que a forma de pensar “é a forma de pensar”, ou escolha de aula, maneira de se pensar e colocá-la é uma atitude política, sendo duas instâncias que não podem se separar”. Rubens complementa retirando do próprio artigo que menciona a dessubjetivação, porque entendemos que o espaço/contato com o outro já é um forçar a pensar a diferença e quando está ENTRE é que ocorre a dessubjetivação, tem potência para pensar as outras coisas e a escrita como uma ascese (trabalhar agir sob si), solidária, mas produzido para outras pessoas ler (coletivo).
Assim, o ler livros não para entender e sim para se inspirar/produzir, esse é o movimento da diferença. Dando continuidade com a problematização Georgina diz que os discursos dos direitos humanos, como fazer esses tipos de políticos nas aulas, relações de micropolítica com micro espaços, com o poder de máquinas e como eu e a minha classe teria estratégias do micro para o macro. Então Rubens diz sobre a micropolítica se dando no menor, e se pensar igual produz robôs formatadas em um pensamento, só inverte a moeda, não ter respostas prontas e as estratégias irão se desenvolvendo.
Monique recorre ao que o grupo sempre se explica, quando está em questionamentos com relação como estar na ações no pensamento da diferença a todo momento, que é o grande perigo como já citado na inversão da moeda, mas o que acontece está na fuga, são momentos, encontros que possibilitam estar e ser a diferença, a que cria. Georgina finaliza com o pensamento dos corpos como estratégias, dando como exemplo a capoeira que nos estudos de Neira também é exemplificada e Elder exemplifica com a citação:

[...] Eu acredito que não há nada mais triste do que jovens avançando em idade incapazes de encontrar os livros que realmente amam. E, geralmente, não encontrar os livros que ama, ou não amar a nenhum, dá um mau humor. Acaba por gerar aquele sabe tudo sobre todos os livros. É uma coisa comum. Nós tornamos amargos. Vocês conhecem a amargura desse tipo de intelectual que se volta contra os autores pelo simples fato de não ter encontrado aqueles que realmente ama... aquele ar de superioridade conferido pela força de ser um boçal. Tudo isso é muito nojento. Seria preciso que, em última instância, apenas mantenhamos relações com aquilo que amamos (DELEUZE, 2008, p. 161, tradução nossa).

Dando sequência com uma abordagem de todos os textos, Georgina elenca como ver a experiência, já que experimentação vem quanto corpo, que sente/prova. Então Rubens diz que a experimentação serve para os cortes de fluxos (conversa com alguém diferente, um meme, uma aula, etc.       Tudo isso é corte), porque se encontra com outro objeto que muda, influência e pode produzir potência como não produzir, mas podemos ter uma ideia de produção desejante, esta que pode tender a zero, daí que entra as formas de experimentação, a do pensamento.
Ressaltamos o texto “Agenciamento Foucault-Deleuze”, entendendo que Foucault, não segue nenhuma escola filosófica e sim cria maneiras, que cada um aja do seu jeito, pelos os tapas da vida, faz você criar as suas maneiras de viver. O qual vê pela imanência e quer saber porque pensamos o que estamos pensando no hoje - ESTÉTICA DA EXISTÊNCIA.
Compreendendo que somos produzidos nos encontros/influências que agem na subjetividade, criando a nossa concepção de leitura perante ao que foi escrito que é o AGENCIAMENTO, sendo levado pelos caminhos, “não temos controle”, somos criados como robôs, mecânica, um sistema que está corrompendo, uma estrutura que aprisiona.





quinta-feira, 13 de dezembro de 2018

08/12/2018 - Encerramento do Semestre - MOSSI, Cristian Poletti. Teoria em ato: o que pode e o que aprende um corpo?




TEXTO:  MOSSI, Cristian Poletti. Teoria em ato: o que pode e o que aprende um corpo? Educação e Pesquisa, São Paulo, v. 41, n. especial, p. 1541-1552, dez., 2015.
Sugestão audiovisual: Filme "Na natureza selvagem" (2007).

O encontro de hoje, foi coordenado pelo membro do nosso grupo, João Pedro, ele também ficou responsável em fazer um resumo do texto, para facilitar a leitura para os iniciantes. Ao chegarmos na sala, havia algumas imagens e frases sobre a multiplicidade de corpos, que João colocou e, também ele nos pediu para que levássemos alguns “gatilhos” do texto (palavras e/ou frases) para colocarmos na lousa.
Começamos dizendo alguns dos gatilhos, para colocar na lousa, e foi divido como nos tópicos que o autor utilizou no texto, sendo eles: o que pode e aprende um corpo? Corpo fendido; Corpo-sem-órgãos. Nossa discussão girou em torno desses três eixos, colocado pelo autor e, conversa bastante com o estamos estudando, a aprendizagem inventiva.
Elder mencionou, “a Educação – escrita assim, em caixa alta –, a Grande Educação, Educação Maior, focada na aprendizagem de conteúdos fechados, e não ao sabor dos encontros que por ventura podem instigar o pensamento a pensar, como nos propõe Deleuze (2006), parece ter nos feito esquecer que temos corpo”. (MOSSI, 2015, p. 1543).
Logo relacionamos essa Educação Maior, com as práticas dos currículos tradicionais, que desenvolvem conteúdos fechados, e não dão passagem as potências dos encontros e muitas das vezes parecem fazer esquecer que temos corpo, ou simplesmente ignoram.
Welinton citou o trecho de Gallo (apud MOSSI, 2015, p. 1544) “aprender é sempre encontrar-se com o outro” e o outro não seria necessariamente outra pessoa, e sim com qualquer objeto que nos tornamos sensíveis. Nessa perspectiva, tudo emite um signo, e o aprender é sempre um encontro com o signo, assim, encontramos uma nova pista da aprendizagem inventiva, que é um trabalho que está sendo desenvolvido pelo professor e mediador do grupo, Rubens e os iniciantes científicos.
Após isso, Rubens apontou, segundo Mossi (p. 1544) “aprende-se o tempo todo, aprende-se com o corpo inteiro”. Deste modo, pensamos que, aprender é sempre construir outro corpo e sempre aprendemos de corpo inteiro. Todavia, temos uma forte influência do pensamento de Rene Descartes, que fragmenta coisas para se pensar, tomemos como exemplo as disciplinas que temos nas instituições.
Mais à frente, entramos no tópico do corpo fendido (conceito criado pelo autor) e para explicar esse conceito, o autor expõem o exemplo do suicida. Neste exemplo, o que menos nos importa é a figura do suicida, porém, ao abstrairmos essa ideia entendemos que, um suicídio seria como ser atravessado por intensidades e vazar, por exemplo: ao ato de um sujeito sair vestido com uma determinada roupa que não está habituado, podemos entender com uma vazão de fendas. Para Mossi (2015) à Educação Maior, tenta fechar o maior número possível.
Ao discorrer do encontro, entramos no tema de corpo sem órgãos, que se conversa bastante com o filme proposto ao encontro. Compreendemos que, um corpo sem órgãos é um corpo em constante movimento, que em busca de se liberar das amarras impostas. No filme, “Na natureza selvagem” o personagem principal, Chris McCandless, após terminar a graduação em direito, abandona a vida que estava habituado e, vai morar na natureza, em busca de um desprendimento.
Como de costume, fizemos uma reflexão de como foi o semestre, os textos e vídeos discutidos, em geral o pessoal gostou bastante de estudar essa perspectiva sobre a aprendizagem, e foi decidido continuar por esse caminho. Desde modo, leremos para o próximo semestre o livro do Sílvio Gallo, Deleuze e Educação, passaremos o semestre todo lendo-o, sendo dividido ler até a metade nas férias e após isso será dividido por capitulo.
Foi decidido também que, algum membro mais velho do grupo seguirá fazendo um resumo do texto, para que os iniciantes, caso queiram, consigam ler um texto mais curto e didático e coordenará o encontro. Abaixo está, algumas pistas da aprendizagem, extraída do encontro:

·         Aprender é sempre um acoplamento maquinico;
·         Aprender é sempre um encontro com o signo;
·         Aprender é sempre construir outro corpo;
·         Aprende-se com o corpo inteiro;
·         Aprendizagem é sempre uma ordenada intensiva de atravessamento e passagem;
·         Aprendizagem é sempre a produção de diferença;
·         Aprendizagem é produção de Copo Sem Órgãos das fendas do corpo, escape, linhas de fuga. (micro/macro política).

Assim, encerramos nosso encontro e mais um semestre, que foi bastante produtivo e desejamos a todos um ótimo natal, fim de ano e boas festas. Até 2019!

terça-feira, 20 de novembro de 2018

10-11-2018 Defesa de PIBIC da Monique Camargo




TEXTO: CAMARGO, Monique. Tecnologia-Educação: Modificações epistêmicas e impactos no ensino superior de educação física. Trabalho de Iniciação Científica, 2018.

Nosso encontro de hoje, foi um pouco atípico, pois foi a defesa de iniciação científica da Monique, membra do grupo de estudos. Tivemos na banca o professor Pedro Bonetto (doutorando na USP) e o professor Rodrigo, pesquisador que também lê Foucault e é professor na UNISO.
Rubens, coordenador do grupo, fez uma introdução aos/às presentes falando sobre a existência do grupo, os objetivos, o que estamos estudando e após essa introdução Monique iniciou sua apresentação.
Iniciou sua fala sobre a escolha do tema dizendo que para ela a Educação e Tecnologia possuem relações estreitas revelando seu objetivo que era analisar os impactos desta última no Ensino Superior. Para tanto, ela utilizou a ferramenta Foucaultiana episteme.
Ao decorrer Monique foi expondo as ideias de Foucault e, falou sobre três Foucault, sendo que seu pensamento forma um ciclo, Ser-saber (Arqueologia), Ser-poder (Genealogia), Ser-consigo (Eu).
Para Monique, a tecnologia vem como confronto dos diferentes tipos de discursos por meio dos canais comunicativos. E isso sempre caminha junto ao sujeito, pois não conseguimos fugir desses discursos. Pois, com o acesso a este mundo globalizado e a tecnologia facilita esse acesso, com bastante frequência nos deparamos com perspectivas diferentes, discursos diferentes, opiniões diferentes.
Mais à frente Monique pautou sobre as sociedades, sendo elas, Modernidade Líquida, que ela associa com um rio, sempre em constante movimento, baseando-se em Bauman (2001); nas 3 ondas descritas por Toffler (1980); na Cibercultura de Lévy, e a comunicação se dando pelo ciberespaços, independentemente de estar perto ou não; Castells (1999), falando sobre a sociedade de redes.
Quando Monique aborda, “impactos no ensino superior”, ela diz sobre a facilidade do sujeito interagir no mundo, que se dá através dessa incrível velocidade. Na Educação Física, os discursos que têm circulado em cada episteme, está sujeito a máquina reguladora, que faz os indivíduos assumirem devidas identidades. Ou seja, estamos inseridos na máquina reguladora, que é o mercado, e que às vezes, por exemplo: para conseguirmos um certo emprego tenhamos que assumir uma outra identidade.
Na metodologia, Monique fez uma análise da CPA (Comissão Própria de Avaliação) da FEFISO. Foi feita uma coleta de 2013 a 2017, onde analisaram-se os comentários e uma pergunta fechada. O critério de escolha das falas que comporiam o corpo do trabalho se deu pelo seu potencial de relacionamento com a temática da pesquisa, ou seja, com a tecnologia.
Monique dividiu as falas na CPA, e o que ficou muito claro foi, sobre informações e a necessidade de acesso a informações, sendo através de livros, revista, artigos, wi-fi, Datashow e sempre existe uma busca constante sobre estar atualizado na tecnologia, e ela chama de sujeitos “conectados”. 
Foi dito na CPA também sobre um aplicativo da faculdade, Monique deu um exemplo sobre o ventilador que foi muito pautado na CPA, e que depois de um tempo, foram comprados ares-condicionados, ela fez essa relação com a mudança constante da tecnologia. Ainda sobre aparatos tecnológicos, ela citou sobre os computadores e data show.
O sujeito tem como a primeira linguagem a tecnologia, ela pautou também a grande necessidade de atualização. Segundo Toffler não conseguimos controlar as ondas, e elas sempre veem e se transbordam não havendo controle de parar.
Monique terminou sua apresentação com a frase de Michael Foucault, “não me pergunte quem eu sou e não me diga para permanecer o mesmo”.
Após a apresentação, ficou aberto a discussão para comentarem sobre o trabalho. Pedro começou dizendo sobre o tema que lhe parece bastante relevante e importante e, que daria um grande projeto de pós-graduação. Porém, possui alguns problemas de escrita, mas deu para entender o contexto. Ainda sobre a escrita, Pedro disse para Monique dar uma suavizada, pois escreve muito duro, e que seu trabalho servirá de complemento para os próximos estudantes de iniciação científica.
Pedro diz, que Monique colocou o conceito da episteme muito cedo e a questionou sobre a “metodologia de pesquisa/ação”, pois o pensar é uma ação, e não somente quando vai fazer a pesquisa de campo é uma ação.
Pedro fala que talvez ela possa ver o efeito dessa nova episteme, ele faz uma pergunta, existe ruptura para quem sempre viveu neste modo de vida? 
Para Pedro, talvez o exemplo do ventilador seja muito bom, pois, até pouco tempo não existia ventilador nas escolas, hoje em algumas tem ventilador e em outras tem até o ar-condicionado.
Sugestões de Pedro: deixar como anexos os gráficos, pois não tem relação com a tecnologia e educação; não usar espaços reais e virtuais, pois não sabemos como um começa e outro termina; explicar melhor sobre a episteme, falta do conceito “acontecimento”; para Foucault, não existe a ruptura; não usar o termo “aclarar”, pois é um termo muito iluminista para o referencial teórico.
 Após as colocações de Pedro, Rodrigo começou falando sobre si, que não tem formação em Educação Física, mas tem formação em Pedagogia, Educação Ambiental e formação de professores e, agradeceu pelo convite para participar desse encontro.
Rodrigo diz:  usar mais Veiga-Neto ao invés de Strathern, se posicionar como primeira pessoa, fez falta a Monique no texto, falando por si própria, senti ausência de um posicionamento.
Para Rodrigo, é um trabalho muito bom para uma iniciação científica, elogiou a postura e o domínio do tema, porém teve uma certa carência em relação à Educação Física. Entretanto, segundo Rodrigo, o texto se contrária, pois, Monique busca pelas falas dos sujeitos em sua pesquisa, mas não escrever a partir das falas dela.
Rodrigo indicou algumas sugestões, seccionar os capítulos, para um melhor entendimento dos leitores, colocar subitem dos objetivos, ler Deleuze “Sociedade de controle”, colocar alguns gráficos como anexos e só deixar o que tem maior relação com educação e tecnologia.
Rodrigo pergunta, como os discursos dos estudantes mudam a prática, sendo discursos que vem de baixo, como isso afeta a faculdade?
João elogia o trabalho e diz que houve uma evolução bastante grande após a primeira iniciação de Monique. Rubens encerra agradecendo sobre a participação de todos(as), especialmente dos professores Pedro e Rodrigo e agradece pelas contribuições, críticas, sugestões e sobre a leitura atenta.


segunda-feira, 29 de outubro de 2018

27-10-2018 Práticas corporais e artísticas, aprendizagem inventiva e cuidado de si - LIBERMAN, Flávia et al.





Boas Vindas ao Alexandre (já graduado), Talita (4º semestre) e ao Leonardo (já graduado).

TEXTO:  LIBERMAN, Flávia et al. Práticas corporais e artísticas, aprendizagem inventiva e cuidado de si. Fractal: Revista de Psicologia, v. 29, n. 2, p. 118-126, maio-ago. 2017.

Sugestão audiovisual: Filme “Gênio Indomável” (1997).

O encontro de hoje foi coordenado pelo Vitor-Moska, que iniciou dizendo que o texto trás a abordagem do Corpo e a Arte na prática e o resumo realizado sobre o texto foi elencado duas provocações:
Provocação 1: “Tendo em mente que para Foucault o cuidado de si é um conjunto de práticas e técnicas que não se restringem a uma relação individual, mas, neste movimento, a relação com o outro, é possível identificarmos a leitura dos textos, debates e reflexões propostas no território do grupo como práticas de cuidado de si? Se sim, conseguiríamos aferir essa postura para além do momento do grupo? Ou seja, fora do espaço tempo/geográfico que o grupo acontece, poderíamos aferir vestígios dessa prática na nossa relação com os outros? ”.
Respondendo a primeira provocação, Elder iniciou falando que o pensamento acontece constantemente, que ele veio de uma educação de reprodução. A grande inquietação sobre esse cuidado de si que esta na extensão do contato com o outro, e Rubens diz que o que pensamos está na relação com o social, a criação a partir do externo/o, do fora.
Partindo para a visualização do texto em si, as autoras são da área da saúde e a problematização esta no relacionar com a nossa área, podendo visualizar a recognição como um processo didático e a aprendizagem inventiva sendo um momento que acontece. E o decorrer do texto se da por meio de relatos.
E para dar sequência Vitor menciona a Provocação 2: “Pensando nas experiências de cada um e uma ao ministrar (ou participar de) aulas de Educação Física no contexto escolar, a partir dos relatos apresentados pelas autoras, como seriam as propostas para a Educação Física alinhadas a essa perspectiva de aprendizagem?”.
João diz que ao ver através dos encontros, pensando no propiciar e deixarem acontecer. E Monique continua, mas se vai haver os encontros como ter e ser programado uma aula? E daí elencasse que não dá e não tem como didatizar a subjetividade de alguém. Se aproximando com um dos referenciais das autoras, Vitor diz que quando relacionamos a Educação Física com o habito podemos ter como exemplo uma atividade: o propor para “alguém” que faça uma mímica e os outros, reconhecer a prática corporal que ela está gesticulando. Exemplo, futebol, chutando uma bola, e como resposta de todos a mobilização para sensibilizar esse habito e o processo de reconhecer essa prática entra como a recognição, a partir de reconhecer a prática e Rubens, o habito esta na observação que gera um comportamento em mim que é o habito. O que é cabível observar, que se existisse duas ou mais pessoas simularia de formas diferentes, e se é construído e passível de uma desconstrução.
Observando assim que o tabular como ser, congela o que desejaria. Próximo exemplo foi o futebol de cabeça, mostrando somente o vídeo (A bola jlkunahaty- futebol de uma etnia indígena) para a pessoa que iria realizar a mímica, analisando assim que isso não é um habito nosso e esses hábitos constroem os sujeitos pertencentes ao meio.
No desenvolver do texto e dentro de um relato, ocorre a utilização do mercado como a quebra da aprendizagem inventiva, deixando de ter a potência de si, continua Rubens, se discute cultura generalizou e quanto a aprendizagem ela é singular, ou seja, ao ver o que é afetado e a escola faz o inverso, querendo uniformizar/automatizar, não que que de alguma maneira isso não seja importante “cultivamos e compartilhamos... da humanidade” , mas impede o afeto para que produza novas formas de ser sentir. Para dar continuidade sobre a automatização e o afeto, Vitor faz a pergunta: em que momento você aprendeu a ler? E dá o seu relato, de que aprendeu a ler na placa do cemitério que viu na rua, ou seja, a partir do contato com aquilo, que faz parte da aprendizagem inventiva que foi um momento. O entender que na escola havia uma repetição mecânica para que houvesse a leitura, mas não sabia e quando se viu na situação aprendeu/aconteceu que foi o momento.
Mas a necessidade de cautela com o tema aprendizagem inventiva, que o grupo esta apenas no inicio e Rubens diz que constroem conceitos para operar, inventando como queremos para que as coisas aconteçam, mas tudo é um caos, e na área acadêmica, entra com as palavras jogadas ao vento e a linguagem ser diferente, caindo assim no congelamento de si próprio de cada coisa que se criou.
E Vitor salienta que usou a leitura como o efeito do texto nele e foi conectando com momentos. Para dar continuidade nas problematizações práticas e o lançar questões que potencializam a questão de desconfiar, Vitor passa o vídeo redball, é praticado na Europa central, um esporte que todo gol é de “bicicleta”. E com esse momento Leonardo recapitulou alguns momentos, nas ações que não são direcionadas está os encontros, assim mudando o foco, a criança esta em outro meio/mundo, exemplo, no horário do intervalo é o momento que se expressam, que existe a interação, uma movimentação.
Havendo a conexão Rubens diz o como colocar em prática que vem do controle e da experimentação, o professor vai escrevendo em vida de acordo com uma serie de coisas que vai se dando nos acontecimentos, uma hora é controlador e a outra propiciando experimentações e encontros, mas não podemos esquecer que a recognição é necessária, mas que não seja permanente.
Com mais especificidade o cartografar os movimentos, mas não a realidade em si, um guia para si, no seu raciocínio, não uma verdade e sim como você vê, nem a própria pessoa pode ter o controle de tudo que esta em ação/nos mesmos, impossível padronizar, só diz como nos vemos e como se assemelham as coisas, um processo da ordem do imprevisível. Continua Vitor só o buscar pistas, e propostas que desafiem o que já possuímos como o aprendido e afinal tudo está em uma cultura.
Mas o desafio maior encontra-se, quando você lança a experiência para quem quer, tem o prazer, mas existem aqueles que não querem, tem crianças que já foram capturados pela máquina social e está na recognição existente e romper com esse domínio, eles não aceitam. E o problema esta no como sair desse NÓ?
Um grande dilema pedagógico. Por exemplo, o ato de escrita é um efeito que vai modificando a própria subjetividade/enquanto composição de subjetividade e possuem discursos que afetam tudo sendo uma ficção e nada corresponde a verdade. Associando o todo com o filme, destaca-se “viver é diferente de ler sobre”, a liberdade como a potencia de vida e as ações nas escolas as que matam. Entendendo que a ação de relacionar o texto com o filme esta na pergunta: Quais os efeitos que o filme produz em você? O semear, jogar as coisas e ver o que acontece, não é aprender como e sim com, colocando pistas, sinais, signos para que haja o contato. Não há controle e sim ideais de como trabalhar nessa área, quanto a áreas que matam a potencia e outras favorecem a potencia. O aprender de forma aleatória sem haver uma ordem. Para finalizar o grupo, Rubens elencou:
- Quais seriam os limites para aprendizagem inventiva, ou seja, que não há ferramentas para utilizar, 1- desenvolvimento motor baseado na filosofia da diferença/respostas motoras (pensamento e corpo = uma mesma coisa); 2- a memória; 3- qual papel do corpo?; 4- inteligência; .... Entendendo que está ocorrendo o desbravamento de uma aprendizagem que não é muito estudada nem por psicólogos.   
- O TEXTO SUGERIU FORMAS DE FAZER A RODA GIRAR!!!:
                                           


                                               APRENDIZAGEM        

        PROBLEMATIZAÇÃO            CORPO                HÁBITO (um ciclo contínuo)
 


                                                ENCONTRO (fora-dentro, contemplação/ação)
                           SIGNOS

- Princípios Didáticos:
·         Experimentação (fluxos/atravessar de outras maneiras);
·         Modulação do controle (um momento controla e outro não);
·         Sensibilidade as potências (passagem para criação de vida/novas ideias);
·         Articulação macro-política com as máquinas sociais instituições (problema ou princípio? - Limite o que fazer com isso);


Práticas corporais e artísticas, aprendizagem inventiva e cuidado de si.
Flavia Liberman; Elizabeth Maria Freire de Araújo Lima; Viviane Santalucia Maximino; Yara Maria de Carvalho
Resumo de Vitor de Castro Mello

            Na esteira das discussões propostas nos encontros anteriores, o texto traz à baila o tema aprendizagem buscando, a partir de 3 fragmentos de relatos de prática, tecer possibilidades de se olhar para a formação na área de saúde, empreendendo no desafio de desarticular uma determinada função social de “tratamento de pessoas” para um lugar de escuta, produção de conversa e, em última instância, produção de afetos, inspiradas pelas proposições de Kastrup (2010) com a Aprendizagem inventiva, Foucault (2006) e o cuidado de si e Dewey (2010) acerca da experiência estética.
            Vale ressaltar que o texto não se resume a esses autores e autora tão pouco aos conceitos descritos, entretanto, na leitura que fizemos, acreditamos serem tais conceitos balizadores do entendimento acerca das proposições apresentadas pelas autoras.
           
Aprendizagem Inventiva, experiência estética e cuidado de si

            Assim como descrito por Kastrup (2010), a aprendizagem inventiva se trata de uma concepção de processos que levam a uma aprendizagem. Difere-se do processo de recognição (como vimos em Gallo (2017) e Kastrup (2001)) justamente por não pressupor um reconhecimento, caracterizado pela assimilação do conhecimento anterior (prévio) e sua possível utilização na vida prática.  Trata-se, portanto, de uma experiência problematizadora, instigando o sujeito a criar situações e pensamentos ao invés de apresentar respostas a problemas já existentes.
            A experiência da problematização é aquela que acontece quando os esquemas da recognição são inadequados ou impotentes para assimilar o que se nos apresenta, trazendo um intuito cognitivo, pois pode produzir deslocamentos, suspendendo atitudes naturais e produzindo um processo de Aprendizagem Inventiva (SANCOVSCHI; KASTRUP, 2013).
            O conceito de experiência estética de Dewey também nos ajuda a pensar o lugar da arte na Aprendizagem Inventiva. Associando os processos artísticos a situações cotidianas, Dewey traz a concepção de arte como experiência e afirma que, embora muito do que é vivido no cotidiano possa ser perdido, quando a experiência não é interrompida, um fluxo de pensamentos e sensações conduz a pessoa a um estado distinto do estado anterior, fazendo com que esta seja uma experiência estética, marcada por emoções e sensações intensas, que não se dissipam e não são facilmente esquecidas (DEWEY, 2010). A experiência faz aparecer uma nova configuração que é produção de território existencial com as matérias do mundo, gerando processos formativos.           
            As experiências estéticas e os processos de criação são próprios da vida e dos corpos e podem acontecer nas situações cotidianas, mas nosso modo de existência produz distâncias entre o corpo e o que ele pode, sua potência e seus processos. O contato com as práticas artísticas e corporais recoloca o problema da aprendizagem sob a perspectiva da invenção:

[...] a arte não é um alvo, mas um atrator caótico, um ponto que é tendencial, sem ser fixo e sem possibilitar falar em regimes estáveis ou em resultados previsíveis. Colocar o problema da aprendizagem do ponto de vista da arte é colocá-lo do ponto de vista da invenção. A arte surge como um modo de exposição do problema do aprender (KASTRUP, 2001, p. 20).
           
Na Aprendizagem Inventiva, a invenção não é vista como algo raro e excepcional, privilégio exclusivo de artistas ou cientistas, está em nosso cotidiano e permeia o funcionamento cognitivo de todos nós. Sendo assim, concede a aprendizagem uma dimensão ético/moral e política, pois não negligencia aspectos afetivos, emocionais, sociais, políticos, etc.
Para Foucault (2006), os sujeitos não são uma substância, mas formas produzidas por jogos de poder e saber e se encontram em relações de produção e de significação que são complexas. Pesquisando as relações entre sujeito e verdade, o autor explorou as práticas do sujeito consigo mesmo, o cuidado de si e sua emergência no mundo grego.
Trata-se de práticas e ações pelas quais o sujeito, ele mesmo, se coloca em movimento, atuando daquilo que constitui os modos de subjetivação. Segundo Deleuze (2000, p. 123), Foucault estava se perguntando sobre a possibilidade da resistência: “transpor a linha de força, ultrapassar o poder, [...] seria como curvar a força, fazer com que ela mesma se afete, em vez de afetar outras forças: uma ‘dobra’, uma relação de força consigo”.

O cuidado de si remete ao conhecer em sentido ampliado como movimento da existência, já que não há acesso ao conhecimento sem uma transformação contínua de si mesmo. O cuidado de si é certamente o conhecimento de si [...], mas é também o conhecimento de um certo número de regras de conduta ou de princípios que são simultaneamente verdades e prescrições. Cuidar de si é se munir dessas verdades: nesse caso a ética se liga ao jogo da verdade (FOUCAULT, 2004, p. 269).

            Entretanto, diferente do que se sugere o termo, o cuidado de si não se trata de uma ação no isolamento, tão pouco individualista, não se restringe a um exercício na solidão. O cuidado de si constitui-se em uma prática social, nas relações complexas com o outro, já que para os gregos “aquele que cuidasse adequadamente de si era, por isso mesmo, capaz de se conduzir adequadamente em relação aos outros e para os outros” (FOUCAULT, 2004, p. 271).
Assim, o cuidado de si torna-se ponto de referência de uma estética da existência, constituição de um modo de ser e de se conduzir, que se completa em uma dimensão de ação, por meio das práticas de si. Essas práticas não são alguma coisa que o próprio sujeito invente, mas “esquemas que ele encontra em sua cultura, sua sociedade e seu grupo social” (FOUCAULT, 2004, p. 276); elas entram em conexão com a produção da vida como obra de arte e envolvem a criação de parcelas, ainda que pequenas, de mundos que se abrem em novas composições entre corpos. São outras sensibilidades, pensamentos e ações que implicam na imersão em um campo de experiências.

Fragmentos de relatos de prática

            As autoras nos apresentam 3 fragmentos de relatos com a expectativa de serem propositivas ao compor o mosaico que abrange os conceitos propostos no texto.
            Cada relato tratará de uma dimensão possível, no sentido de práticas possíveis, no cotidiano pedagógico.
            O primeiro fragmento nos apresenta a escrita como experiência de uma prática estética e o cuidado de si.
            A ideia é propor aos estudantes diferentes experimentações com as práticas corporais e estéticas, aqui especialmente as de escrita, explorando a mistura delas a fim de problematizar a respeito do “corpo em arte”. Dos procedimentos cabe mencionar que, inicialmente, agregam o acolhimento de todos, ou um modo de apresentar os participantes que instigue a atenção e o cuidado com o outro e consigo; depois, um aquecimento com exercícios de relaxamento e respiração para prepararmos o corpo para o “encontro” com a escrita; em seguida, definir um tema disparador para o trabalho da escrita – corpo e arte, por exemplo; explorar a prática propriamente dita, com exercícios de escrita (solta, sintética, objetiva, poética); observar sua escrita; olhar para e experimentar as escritas dos outros; narrar, escutar, conversar e trocar a respeito das diferentes experiências de escrita a fim de perceber o que cada um traz e instigar a troca de impressões a respeito do que foi realizado.
Trata-se de uma prática nos termos de uma “escrita de si” que não é uma prática descritiva do que aconteceu, mas uma prática que movimenta o pensamento (FOUCAULT, 2006). A formação aqui se transforma em uma prática estética, um campo de experimentação de si, como arte de viver (FOUCAULT, 2006, p. 146). Nesse campo, os exercícios de “escrita de si” produzem forças e funcionam como dispositivos capazes de acessar o inusitado, o intempestivo, o inenarrável do cuidado de si. E para perceber os fluxos que atravessam esta escrita, é preciso se deixar afetar, sem apego.
O segundo fragmento relata um trabalho de acompanhamento de um grupo de mulheres com diferentes desafios por meio de práticas corporais e estéticas realizadas em um equipamento de arte e cultura da região.
Durante o relato as autoras destacam o encontro dos estudantes com a D. Zefa, uma das mulheres acompanhadas durante o projeto.

“D. Zefa está com um xale amarelo, presente de uma aluna. Produz um novo corpo para este encontro. Nem sempre foi assim, nem há garantia de que seja nas próximas vezes. Há momentos em que é necessário tirá-la da cama, dar banho e vesti-la. Ela entra na van e fala: eu sou a mais nova aqui, sendo que ela é idosa e provavelmente nem sabe sua idade. Aquele corpo desdentado sorri quando diz: eu sou preta e você é minha filha branca, trazendo sua ancestralidade e a história, e lugar dos negros. Faz um gesto repetido de colocar as mãos no chão, com grande flexibilidade, para espanto de todos: foi o trabalho na enxada, diz, lá na minha terra. Estes gestos, também liberados pelas propostas realizadas, fazem surgir “asa parições”, os vários corpos que habitam D. Zefa. São os corpos que existem e os novos corpos que se tornam visíveis pelos dispositivos utilizados.”

No encontro do grupo de alunos e docentes com cada mulher busca-se instaurar um clima curioso e receptivo, exercitando um olhar que apreende o conjunto sem perder a singularidade nas propostas mais variadas: explorar objetos, lembrar de uma música, contar histórias, tocar outros corpos, brincar. Estas propostas são criadas a partir dos desejos e participação de todos e visam a exploração dos corpos, a ampliação da percepção e da sensibilidade, a instauração de um estado de presença.
O terceiro fragmento relata uma visita a uma exposição de artes e abordará os efeitos produzidos a partir das obras no público de estudantes.
A obra de Sophie Calle, Cuide de você, que esteve em exposição em São Paulo no Sesc Pompéia, coloca em foco as relações entre o cuidado e a criação artística. O trabalho foi desenvolvido a partir de uma mensagem de e-mail recebida pela artista, na qual seu namorado rompia o relacionamento que havia entre eles. A mensagem terminava com um usual “cuide de você” - take care of yourself ou, na língua da artista, prenez-soin de vous -, como um “até mais” ou “nos vemos por aí”.
Recebi um email de rompimento. E não soube respondê-lo. Era como se ele não me fosse destinado. E terminava com as palavras: Cuide de você. Levei essa recomendação ao pé da letra. Pedi a 107 mulheres, escolhidas por sua profissão, para interpretar a mensagem por um ângulo profissional. Analisá-la, comentá-la, cantá-la, dançar com ela. Dissecar a mensagem. Esgotá-la. Compreender por mim. Responder no meu lugar. Uma maneira de ganhar tempo para romper. No meu ritmo. Cuidar de mim (CALLE, 2008, tradução nossa).”

            Ao compartilhar o e-mail recebido, as autoras apontam que Sophie pluralizou-se, reavivando em cada uma das receptoras do e-mail novas respostas, dores, que se multiplicam: pode-se atirar na carta, num gesto de precisão e violência, que quase nos provoca uma espécie de alívio; pode-se desabar sobre ela; pode-se interpretá-la, corrigi-la, traduzi-la para outras línguas, transportá-la para outros contextos; pode-se dançar com ela ou fazê-la desaparecer como num passe de mágica.
            No contexto da disciplina ministrada pelas autoras do relato, as visitas a exposições de arte e o contato com obras que encarnam, envolvem e desenvolvem um campo problemático, visam favorecer a experiência estética, a intensificação de desejo e a ativação da sensibilidade.
Aprendizagem é entendida aqui como um processo movido por desejo, interesses e capacidades, que provoca transformações e cria novas formas de ser, articulando a possibilidade de compartilhar conhecimentos e saberes e de construir caminhos próprios e singulares na pluralidade da existência humana.

           




Provocação 1:

            Tendo em mente que para Foucault o cuidado de si é um conjunto de práticas e técnicas que não se restringem a uma relação individual, mas, neste movimento, a relação com o outro, é possível identificarmos a leitura dos textos, debates e reflexões propostas no território do grupo como práticas de cuidado de si? Se sim, conseguiríamos aferir essa postura para além do momento do grupo? Ou seja, fora do espaço tempo/geográfico que o grupo acontece, poderíamos aferir vestígios dessa prática na nossa relação com os outros?             

Provocação 2:

            Pensando nas experiências de cada um e uma ao ministrar (ou participar de) aulas de Educação Física no contexto escolar, a partir dos relatos apresentados pelas autoras, como seriam as propostas para a Educação Física alinhadas a essa perspectiva de aprendizagem?