domingo, 25 de março de 2018

17/03/2018- GURGEL, R. A. G. O que é Pós-estruturalismo? Relações entre esse campo do conhecimento e a Educação Física. Texto não publicado



De início, o companheiro Rubens fez uma extensa introdução sobre o objeto de estudo do atual encontro, pós-estruturalismo, focando grande parte de sua fala no trabalho empregado por Nietzsche, conhecido, dentro da filosofia da diferença (também muitas vezes usada como sinônimo de P.E., apesar de conter diferenças), pela tentativa de romper com a tradição platônica de pensamento, aproximando-se, ao final sua fala, de seu objeto de escrita: os intelectuais franceses considerados “seus descendentes” e também impulsionadores do que se pode chamar de P.E. Pela dificuldade do tema e de se construir explicações rápidas, desencadeadas, isoladas sobre o que quer que seja relacionado, colocarei em tópicos apenas algumas ideias que surgem após esta introdução:
·      A impossibilidade de pensar a prática descolada da visão de mundo; e por isso toda prática é política.
·      No P.E. não existe o binarismo “pensamento x prática”; “abstração x intervenção no real”; ambas estão intimamente ligadas
·      A partir dos tópicos anteriores, a impossibilidade de se pensar o mundo neutro.
Logo após, abriu-se para o debate e o desenvolvimento das ideias e das impressões referentes ao texto. Neste encontro em especial, as intervenções ocorreram de forma bastante ampla e aproveito para deixar aqui o meu pedido de desculpas pois não pude registrar da maneira como gostaria a fala dos participantes. Comprometo-me, na próxima data, voltar a utilizar do “tradicional” auxílio do notebook (e desconfiar um pouco mais da minha capacidade de escrivão). Algumas questões parecem ter nos ajudado a conduzir as discussões, portanto, nelas e em suas respectivas possibilidades é que me concentrarei nesta segunda parte. Volto a afirmar, quando troco “respostas” por “possibilidades” é porque tento localizar aquelx que lê sobre a parcialidade deste texto, escrito, entendido, pensado por aquele que escreve.
1.    O que seria o estruturalismo? O que são as estruturas do estruturalismo?
Estruturalismo, movimento anterior ao P.E., ganha maior projeção com a antropologia, procura identificar dentro das culturas algumas “estruturas” que correspondem a todas, como as religiões, as famílias e etc. Essas estruturas estariam associadas à linguagem já que ela possibilitaria essas formações: estruturas, linguísticas, determinantes de “centros” por onde toda cultura voltearia em torno. O estruturalismo buscou cientificismo e universais, apesar de desconfiar do sujeito moderno cartesiano ao dar centralidade à linguagem.
2.    No texto, são identificadas algumas bases do P.E., poderíamos repassa-las?
·         O movimento denominado P.E. rastreia os efeitos de um limite definido como diferença. O problema do P.E. está em “descentralizar” essa estrutura exaltada pelo Estruturalismo preocupado, prioritariamente, com a diferença. Problema maior é identificar até onde pode ir a estrutura e a partir de onde começa a diferença. O que escapa; como escapa; por que escapa? O que é estrutura; como foi produzida assim; por que esta e não outra?

·         Os limites do conhecimento têm um papel inevitável em seu âmago, ou seja, o limite é o cerne.
Se para o estruturalismo o centro estava na solidez da constatação daquilo que permanece, para o P.E. o cerne está na diferença justamente porque a partir dela podemos nos perguntar: por que o centro, a identidade, é a identidade e a diferença é a diferença?

·         O limite não é definido por oposição ao anterior, é algo positivo por si.
A diferença não é melhor e nem pior em relação à identidade, mas é positiva, produtora em si mesma. Vejo também como uma crítica à filosofia hegeliana onde encontrávamos uma tese, uma antítese, ou seja, aquilo que ia de encontro a tese e produzia uma síntese: destruindo a tese, ou submetendo-se à ela para obtermos uma resposta final. O P.E. compreende a multiplicidade e não se prenderá ao “erro” ou a “exatidão” das afirmações, mas ao poder criativo daquilo que surge.

·         O limite é uma coisa inapreensível que só pode ser abordada por sua função de irrupção e mudança no âmago.
Não existe o arauto da diferença: ela só é apreensível a partir da sua irrupção.

·         O P.E. não é contra ou a favor de determinado pensar de forma definitiva, mas sim a afirmação de um poder produtivo inexaurível dos limites de uma subversão de verdades. A preocupação não recai em “ser verdade ou não” aquilo sobre o que se fala; mas sobre o poder produtivo a partir disso – produtivo no sentido de produção: o que produz essa verdade? O que produz essa diferença?
Por fim, no limite do horário, as discussões tiveram de ser interrompidas por necessidade de cumprir com nossa responsabilidade em relação ao tempo de grupo. A intervenção que vem tendo andamento, citada com mais detalhes no texto anterior, foi exposta mais uma vez e aberta novamente para todxs xs integrantes que tenham disponibilidade e interesse em participar. Assim encerramos mais um encontro, bastante satisfeitxs com os resultados (inconclusivos) e com as possibilidades irrompidas.

quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018

24/02/2018 - Primeiro Encontro do ano - Documentos de Identidade (Tomaz Tadeu da Silva)


É com grande satisfação que iniciamos mais um semestre com o GEPEF e com a leitura de um livro de tamanha expressão para nós do grupo: “Documentos de identidade – uma introdução às teorias de currículo”. Começamos com a apresentação do companheiro Rubens relembrando-nos dos 3 grandes objetivos do grupo: 1 – pensar a Educação Física a partir das ciências humanas; 2 – preparação para concursos; 3 – por fim, e não menos importante, a facilitação dos caminhos para a entrada em programas de mestrado diversos, tanto pela possibilidade de poder-se ajudar na construção de um projeto, como recomendações de grupos de pesquisa e estudo que mais se encaixem no interesse do pesquisador.
Foram dadas as boas-vindas a tod@s @s nov@s participantes que estiveram presentes no dia de hoje e que, felizmente, fizeram-se em grande número. Tivemos um total de

24/02 – SILVA, T. T. Documentos de Identidade. Belo Horizonte: Autêntica, 2006.
Iniciamos então o debate com uma pequena introdução sobre o livro deste encontro. Nesta ata pretendo reservar um espaço maior para as discussões que permearam nossas falas e por isso resumirei apenas em tópicos pequenos pontos desta citada introdução. Além disso, em oportunidades outras de atas, Tomaz Tadeu, assim como o Documentos de Identidade é amplamente citado, referenciado e discutido o que nos reserva a possibilidade de apresentações menores:
·         O livro é dividido em: introdução; teorias Tradicionais e Críticas; e teorias Pós- Críticas. Nós do GEPEF fazemos o exercício de tentar pensar a Educação Física a partir do viés Pós-Crítico.
·         É dito também que o livro é um resumo muito interessante sobre as diversas propostas de leituras difíceis da área da educação e que interessam aos estudos do grupo. Portanto, aquel@ que tiver interesse por leituras daquilo que Tomaz Tadeu classifica como Tradicional, Crítica ou Pós-Crítica pode encontrar nesse livro um sentido facilitado.
A partir daqui, foi aberto o espaço para comentários diversos sobre o livro ou sobre qualquer outra impressão. Devido a discussão ter tomado múltiplos caminhos seguirei com a estratégia de tentar representar a fala daqueles que se manifestaram:
Bruno: achou interessante a diferença apresentada na introdução de tradicionalismo, criticismo e pós criticismo, que foram apresentados de maneira descomplicada. Trouxe, então, a primeira questão ao grupo: diz não conseguir visualizar como se daria na prática o currículo Pós-Crítico. Ao final do texto, essa dúvida será retomada.
Clayton: acrescenta dizendo que essa é uma relação bastante complicada já que aquel@s própri@s que são influenciad@s pelas leituras Pós-Críticas se encontram dentro do tradicionalismo de alguma maneira.
Vitor: diz que o próprio Tomaz T. afirma o currículo enquanto uma produção tradicional, assim como a escola, o que dificultaria em todos os aspectos a tomada de outras perspectivas.
Wellington: também toma a fala para dizer que a função do professor é bastante tradicional. A facilitação do entendimento que o livro propõe é a compreensão daquilo que se encaixa dentro de um currículo Tradicional ou Pós Crítico.
Aline: nova integrante, confessa que nunca tinha ouvido falar em currículo antes da sua formação em pedagogia, mas que se interessou pelo assunto. Seu encontro com as “teorias do currículo” foi bastante impactante já que julgou estarem erradas as outras formas como pensava e trabalhava, mas que o livro ajudou a nortear o seu pensamento e lhe trouxe também um certo alívio. Propôs, ao final de sua fala inicial, que conseguíssemos resgatar aquilo que de melhor tem cada currículo e criássemos nossa própria forma de trabalhar – essa última fala será abordada também ao final do texto como uma possibilidade de dúvida junto com a do companheiro Bruno.
Moska: em resposta a fala anterior, pergunta como isso pode ser feito se cada currículo tem uma visão de sujeito e sociedade que normalmente são contrastantes?
Rubens: questiona a fala do companheiro Vitor e pergunta se ele não estaria pensando em algo parecido com um “currículo cultural puro”?
Moska: acredita que não, que o currículo cultural é pós-crítico.
Clayton: dentro disso, argumenta, ao meu ver, dentro de uma crítica que pode ser feita ao movimento de hibridização curricular: ao acontecer essa seleção sobre o que seria melhor em cada currículo, um ou outro ficaria defasado pois não se abordaria em completude nenhum dos dois. Como uma aula do currículo saudável, baseado em certos pressupostos científicos, que propõe, por exemplo, um gasto calórico elevado para todas as aulas de Educação Física, poderia coabitar uma aula de pesquisa na internet, como pode propor o currículo cultural, com preocupação absolutamente inexistente sobre o gasto calórico dos alunos?
Rubens: não no sentido de defesa da hibridização mas de “exposição de posições”, insiste na argumentação de que dizer que não podemos “misturar” currículos é estarmos presos em uma proposta discursiva que não vê com bons olhos essa possibilidade.
Jackson: pergunta se essas três (Trad.; Crít.; e P. Crít.) englobam todas as áreas da educação – e Rubens responde que sim.
Ana: diferença entre crítico e pós crítico.
João Pedro: tentei explicar o que seria a diferença entre Crítico e Pós Crítico dizendo que é chamado de Crítica a vertente teórica que tem por objetivo a crítica aos moldes da educação tradicional, a qual, segundo esta visão, daria maior ênfase para os moldes de uma educação empresarial que previa a manutenção de diversas desigualdades. A Crítica, advinda da escola marxista, por outro lado, propunha a emancipação destes que eram condicionados a um currículo tradicional dentro de uma lógica de mercado, com uma outra proposta de sociedade e sujeito. Contudo, ao que tudo indica, as duas apresentam tipos de sociedade, sujeito, economia bastante cristalizadas, o que incomoda as teorizações Pós Críticas. No fim das contas, tradicionalismo aponta para determinado lado; e criticismo aponta para um lado diferente, sim, mas também com convicções invariáveis. O Pós Crítico surge como uma alternativa para aquel@s que não querem escolher apenas entre essa polarização de um lado ou outro - contudo, ao preço de colocar em xeque os saberes, as concepções de sujeitos, de sociedades, de verdade, enfim, diversos pilares modernos apresentados por ambas que ocupam amplo espaço dentro da nossa lógica de pensamento.
Rubens: Complementa dizendo que propus uma ênfase muito forte no marxismo, mas que existem críticos de várias formas e de diversas áreas, como a fenomenologia, por exemplo. A criticidade não deve ser entendida apenas como militância, mas também como toda forma de desconforto com a hegemonia vigente.
Clayton: acrescenta ainda sobre outras questões que o Pós Crítico reflete não só sobre a desigualdade social causada pelas disposições econômicas, mas também se preocupará com (seguindo o livro deste encontro): multiculturalismo; relações de gênero; feminismo; questões étnicas etc., baseado em vertentes teóricas como a pós modernidade; pós colonialismo; pós estruturalismo; Estudos Culturais, etc. Todo um arcabouço que difere da questão maior da Crítica: a economia.
Ana Maria: pergunta se haverá dificuldade em pensar diferente em qualquer ambiente – e Rubens responde que é muito provável que sim.
Aline: diz acreditar que a função da escola é diversificar os caminhos, e os professores não deveriam colocar suas opiniões enquanto verdades a serem seguidas.
Clayton: seguindo a linha de “exposição de posição”, o companheiro Clayton ressalta que afirmar isso já é uma tomada de posição. O que problematiza e complica o debate.
Vitor: ressalta como decisões como essa são políticas e como a vida toda é política, pois passa necessariamente por tomadas de posições.
Jackson: não entendeu o que é “político em sociedade”, como isso se dá.
Rubens: tenta deixar mais claro esse entendimento ao dizer que essa política não deve ser entendida como política dentro de um senado ou partido, mas como posições, decisões políticas, pois toda posição pressupõe um discurso que a constitui: escolher por um discurso ou outro é expor uma decisão política
Andressa: coloca um exemplo muito interessante sobre as tatuagens que o companheiro Jackson possui já que optar por fazê-las foi uma posição política. Existem pessoas que não as fazem por diversos motivos.
Clayton: retoma então sobre como o processo de escolarização é político e ressalta que talvez seja isso que movimentos como “Escola sem Partido” pretendam não concordar.
João Pedro: já perto do final, abrimos para o grupo o convite para o processo de criação da intervenção deste ano do MAPA, o qual ocorrerá no segundo semestre do ano letivo de 2018. Reitero aqui mais uma vez o convite aquel@s que acharem interessante!
Rubens: se comprometeu em deixar cópias do próximo texto na biblioteca da faculdade. Por se tratar de parte de sua tese de doutorado não pode publicá-la na internet por alguns problemas que isto poderia acarretar.
Como havia citado anteriormente, duas dúvidas/comentários ficaram em aberto. Não pretendo responde-las/comentá-las (pelo menos diretamente), mas ressaltá-las neste momento que anunciei devido à importância destas. Ficarão em aberto para as diversas possibilidades de reflexão:
1.      Por que não enxergamos com clareza a prática de um currículo Pós-Crítico?
2.      O que podemos concluir sobre a “estratégia” de hibridização curricular? É interessante que seja feita? Se sim, por que sim? Se não, por que não?
Por fim, como é de praxe, nosso companheiro Moska nos deixa alguma ideia/frase nem sempre motivacional, mas, pelo menos, sincera: “mesmo que você não tenha entendido nada, venha no encontro! Ao chegar aqui, vai ver que ninguém entendeu nada também”. Faço minhas as palavras dele em relação à importância de tod@s @s presentes para que o grupo aconteça. Encerro por aqui. Esperamos tod@s no próximo encontro!




terça-feira, 12 de dezembro de 2017

09/12 Encerramento 2 sem 2017 - Texto Matrix

No dia 09/12 estivemos reunidos para o último encontro desse semestre com o intuito de discutir o texto recentemente aprovado dos companheiros Moska, Clayton e Rubens. Eu, João Pedro, redijo essa ata. Devo dizer que essa reunião foi de especial dificuldade em relação à escrita desta, pois não seguimos uma linha de raciocínio “com clareza” e diferentes conceitos foram expostos para a melhor compreensão do texto. Diferentemente das outras já escritas neste semestre, tentarei me ater tanto ao que foi falado, como também sobre as minhas impressões e interpretações do debate no dia e em relação ao texto. Portanto, advirto que todos os pontos aqui elencados fazem parte, estritamente, da minha visão de descrição do encontro.

·         BORGES, C. C. de O.; VIEIRA, R. A. G.; CASTRO, V. Pensar a contemporaneidade de outros modos: contribuições da perspectiva foucaultiana e deleuze-guatarriana.
·         Opção em vídeo: Curta Modernidade Revolutions. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=J4ND1ks3tfA

Rubens iniciou falando sobre um dos objetivos do grupo: a preparação e o comprometimento do grupo em ajudar para o ingresso no mestrado (com revisão de projeto; orientações sobre o tema; quais linhas e universidades se encaixam melhor naquilo que @ candidat@ se interessar e etc.). Também apontou um caminho fértil para cada um que queira seguir por essa área. Lembrando que essa é apenas a exposição de uma possibilidade com base naquilo que @s integrantes se mostram interessados, não é, de forma alguma, a única alternativa. A saber:
Leandro: Estudos Culturais e a sua possibilidade de articulação com o Hip Hop, tema já de seus trabalhos anteriores.
Vinicius: Cibercultura e a sua articulação com os games e a realidade escolar.
Wellington: Já tem um projeto completo, o qual caberia na linha 3 da UFSCar, ou no GEPEFE, grupo de estudos da Universidade de SP (USP), liderado por Marcos Garcia e Mario Nunes.
Moska: Será coagido a inscrever-se nos próximos processos seletivos.
Entrando propriamente no tema do texto Rubens apresentou as ideias dos escritos e de onde vieram as inspirações. É sabido que o insight para a sua construção teve seu início com o companheiro Moska que percebeu na trilogia Matrix uma possibilidade de articulação com temas velhos conhecidos nossos, mas nem por isso muito claros em nosso pensamento: pós-modernidade; pós-estruturalismo; identidade e diferença e etc. Ao meu ver, toda a nossa discussão girou em torno da explicação desses conceitos que, claro, não podem ser completamente abordados em anos de carreira acadêmica, quem dirá em duas horas de reunião.
Para tanto, farei um exercício (que pode ser chamado de esboço) onde tentarei, de forma muito simples, em poucas linhas, dentro do meu entendimento, abordar sinteticamente estes conceitos.
Comentário de início: uma coisa que precisa estar clara em nossa mente ao adentrarmos este campo é que, dificilmente, um autor considerar-se-á um pós-moderno ou um pós-estruturalista. Seus livros não começarão com o subtítulo de “este é um texto pós-moderno”. O movimento que é feito é o de aproximação de suas ideias com o contexto pós-moderno, por exemplo: “Tal autor é considerado um pós-moderno”.
Contudo, essas respostas, aproximações, linkamentos, muitas vezes não são feitos de forma clara; ainda por cima, o autor pode ser considerado em fases diferentes como é o caso de Foucault, que é considerado um estruturalista no início de seu trabalho e um pós-estruturalista no final (e rejeitador de qualquer um desses enquadramentos) o que acaba dificultando qualquer tipo de divisão.
O mesmo acontece com outros campos: Estudos Culturais, deleuzeanos, “ciberculturalianos” (para citar referências do grupo) – nenhum virá com legenda. Como saber de onde derivam, então? Só o tempo de leitura, acompanhamento, e reconhecimento de conceitos comuns ou criados lhe trará uma escassa clareza. Talvez pareça um pouco complicado, mas é um movimento mais natural do que se imagina.
Pós-modernidade: ao meu ver, esse movimento, independentemente da área em que esteja situado (filosofia, artes plásticas, cinema, literatura), tem como característica principal o questionamento das metanarrativas (LYOTARD, 1979). Por esse termo, dentro deste esboço, entende-se qualquer explicação que tente dar conta do todo, propor um universal.
Autores modernos de diversas áreas inclinavam-se seriamente à possibilidade de pensar o todo: o sujeito, a educação, as leis, etc. Suas teorias tinham como característica, se abordadas as leis, por exemplo, de criar metanarrativas em relação a estas e contribuir para a construção última de uma constituição que regesse a todos os homens e mulheres de todos os lugares.
No entanto, o que fazia com que agissem com tamanha pretensão? Pelo fato de estarem confiantes na capacidade racional do ser; por entenderem a história de forma linear, ou seja, quanto mais tempo passa, mais evoluímos; por acreditarem que como “civilização pensante”, “tecnológica”, localizavam-se em estágio mais evoluído do que outras; e outros motivos.
Nietzsche, o possível, e considerado com cautela, precursor do pensamento pós-moderno, em seus escritos colocava em dúvida essa grande verdade esperada. Ao não aplicarmos as grandes verdades, as grandes metanarrativas sobre esses assuntos citados acima, temos a dimensão sobre o quão importante torna-se a teorização pós-moderna que procura não se apoiar em argumentações com fins últimos: e por isso pós-moderna. O que não inflige em relação de superação, mas localização diferente na geografia do pensamento. Seria um tiro no pé dizer que o pós-moderno superou o moderno. Superou por quê? Aproximou-se mais da verdade última?
Pós-estruturalismo: não há uma definição categórica. Diferentemente do “pós-moderno”, se perguntarem-me uma definição de pós-estruturalismo não saberei dizer. No entanto, vou utilizar do exemplo dado no encontro para tentar situar o que é, ao meu ver, essa corrente teórica. Foi dito que um dos argumentos de oposição ao pós-modernismo seria: “proponha para um pós-moderno que se jogue em frente a um ônibus em movimento para ver o que acontece com a sua dúvida sobre a existência da realidade”.
Acredito que aqui esteja uma característica chave do pós-estruturalismo: a desconstrução. Não se trata da dúvida sobre a realidade material, tampouco se o ônibus existe em matéria física ou não. O questionamento é em relação a contingência do conhecimento, as relações de poder que orientam, os vetores de força que constituem o discurso de que aquilo seria um ônibus.
Em outras palavras, duvida-se de uma essencialidade de qualquer objeto, uma cadeira por exemplo, que possa afirmar que aquilo é de fato, em verdade única, em realidade, uma cadeira. São considerados as relações de poder constituidoras dos discursos que validam o conhecimento sobre algo ser uma cadeira: prega-se a separação entre signo, significado e significante.
Desse ponto de vista, a “realidade verdadeira e última” nunca é alcançada e disso a dúvida sobre um dia alcançarmos qualquer “realidade”. Foucault escreveu sobre a arbitrariedade dos conhecimentos em relação ao louco – um místico, um portador de conhecimentos esotéricos, algo que deve ser excluído, preso, tratado, etc. Escreveu sobre a possibilidade de construção do sujeito e anunciou “o fim do homem” como o conhecemos, sugerindo suas inevitáveis novas perspectivas. Por promover esse tipo de desconstrução e, claro, outros motivos, é considerado um autor pós-estruturalista.
Identidade e diferença: para essa exploração, tentarei me ater, muito brevemente, dentro da perspectiva dos Estudos Culturais. Na minha leitura, a identidade pode ser vista em relação à dois processos não isolados: “identificação” e “identidade validada”. A identificação está relacionada ao sujeito que se identifica com um determinado grupo, discurso de um determinado grupo, atitudes de um determinado grupo e assim por diante. A identidade validada é, dentro das relações discursivas e de poder, aquele grupo que possui a validação. A identidade só pode ser pensada em grupo, pois determinado grupo deve ser validado, ou identificamo-nos com determinados grupos. Atualmente e dentro de um pensamento conservador, qual seria a “identidade validada”? O branco, o macho, o heterossexual, o cabelo liso, etc. Podem ocorrer “identificações” com essa identidade? Sim, claro! Podem não haver identificações com essa identidade? Sim, claro! Dentro desse contexto de não-identificação é que se entende a diferença: aquilo que escapa à norma. Quando “diferença” for usada nesses termos conceituais é, ao meu ver, em relação ao que escapa à identidade.  Quando foi citado que o movimento homossexual tenta, de certa forma e também não enfraquecendo a luta pelo reconhecimento, se equiparar a identidade em relação ao casamento, é porque o casamento monogâmico, regido por um padre ou um pastor, faz parte da “identidade validada”. Poderíamos apenas não casarmos. Mas seríamos diferença.
Contemporaneidade: considerado o período atual, iniciado após a revolução francesa de 1789 – válido para o Ocidente.
Michel Foucault (1926-84), Gilles Deleuze (1925-85) e Felix Guatarri (1930-1992): filósofos franceses contemporâneos. Recentes pesquisas realizadas por alguns membros do grupo são provindas de suas inspirações. Deleuze e Guatarri mantiveram uma parceria em consideráveis produções de suas obras.
Estudos Culturais: a origem de um centro com esse nome (Centro de Estudos Culturais Contemporâneos) ocorreu na Inglaterra por volta dos anos 1960, apesar de sua fundação estar inspirada em produções realizadas por volta de 1950. Stuart Hall (1932-2014), teórico fundamental para o GEPEF, assume sua liderança em 1969. Seus (e outros) estudos sobre cultura, virada linguística, identidade e diferença, influenciam profundamente nossas produções.
Perto do final, discutimos sobre as possibilidades de leituras e novas contribuições para o semestre que vem. Listo aqui as contribuições oferecidas:
·         Leandro: para as férias, a leitura do livro Documentos de identidade – Tomaz Tadeu da Silva.
·         João: aprofundamento em um quadro teórico, ou conceitos de um teórico.
·         Rubens: continuarmos com as análises da produção do grupo e convidar pessoas que não participam do GEPEF para que possam contribuir com suas áreas de pesquisa.
·         Clayton: acha interessante a possibilidade de chamar pessoas que não participam do grupo.
·         Vinicius: disponibilização de textos base para a compreensão de alguns conceitos aqui esboçados e outros.
Antigamente, terminávamos com uma frase motivacional do companheiro Moska. Dessa vez o apelo será um pouco menos emocional e mais sugestivo. Para terminarmos o semestre, a sugestão é de que assistamos o vídeo abaixo e possamos contra-argumentar algumas proposições de Newton Duarte: autor que alega abertamente contra a pós-modernidade. Mas, claro, aos que não quiserem posicionar-se de maneira oposta, mas sim concordar, firmo aqui o meu apoio e incentivo! São deixadas algumas sugestões do autor para que possamos refletir.

 - Impossibilidade de superação da sociedade capitalista pela perspectiva socialista.
 - O pós-modernismo contribui para acreditar que acabou a história, não superaremos o capitalismo.

Por fim, desejo a tod@s um feliz natal, próspero ano novo, e que possamos voltar no semestre que vem para continuarmos construindo um GEPEF cada mais forte!!


terça-feira, 24 de outubro de 2017

21-10-2017 Cultura, Estudos Culturais e Educação Física

No dia 21 de outubro, estivemos reunidos na ACM Jd. São Paulo para mais um encontro do GEPEF/FEFISO, e o sequente debate do texto “Cultura e Educação Física escolar”. Eu, João Pedro, realizo a transcrição das atividades e discussões do grupo neste referido dia.
O grupo contou com um número um pouco reduzido de participantes do que o esperado rotineiramente: acreditamos que pela mudança de local e pelo Sábado chuvoso. No entanto, tivemos a primeira participação de Gabriela do primeiro período da manhã.
Logo de início, Rubens comentou sobre os processos de mestrado e ressaltou a importância para os presentes que tinham interesse em algum processo seletivo para essa modalidade de pós-graduação. Foi lembrado do nosso “convênio” com o GPEF/USP e a afinidade de nossos temas com o grupo de São Paulo. Neste Sábado, nosso encontro teve um formato um pouco diferente, já que o grupo precisava ocorrer no mesmo polo que aconteceriam os jogos interclasses da faculdade e Rubens necessitaria se ausentar por 1 hora do encontro, deixando a apresentação do texto, que era de minha autoria, e a “condução” da discussão sob nossa responsabilidade. Por isso, vale ressaltar que essa ata terá também um formato um pouco diferente, tendo um aprofundamento das discussões um pouco reduzido devido à falta de algumas anotações que eu normalmente faria se não estivesse conduzindo a apresentação do texto: para a escrita deste texto, recorro apenas as minhas memórias e algumas anotações que tive durante as conversas e anteriormente a elas.

“- LOPES, J. P. G.; VIEIRA, R. A. G. Cultura e Educação Física Escolar. Revista Brasileira de Educação Física Escolar, Ano II, V1 - Jul. 2016.
- NEIRA, M. G.; NUNES, M. L. F. Contribuições dos Estudos Culturais para o Currículo da Educação Física. Revista Brasileira de Ciências do Esporte, vol.33, n.3, Porto Alegre, Julho/Setembro, 2011.
- Opção em vídeo: “Cidadão Kane” – Disponível em: http://filmescult.com.br/cidadao-kane-1941/ 
- “Além do Cidadão Kane” – Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=049U7TjOjSA&t=148s

A dinâmica tinha o intento de ser outra das que já tinham sido aplicadas: a primeira ideia era de que @s companheir@s trouxessem suas interpretações, impressões, dúvidas e etc.; a segunda ideia era de que tudo isso fosse comentado e as dúvidas fossem tratadas da seguinte forma: se não houvesse linkagem com o texto, seriam respondidas de imediato; se houvesse linkagem com o texto, seria comentada no decorrer da exposição; se não houvesse resposta, perguntaríamos ao Rubens, que havia se ausentado para este início em decorrência do interclasses.
De início, o companheiro Leo contribuiu com alguns comentários e questões que foram debatidas antes do início do texto e que serão elencados aqui de maneira bastante objetiva:
·         Sobre a sua impressão de que o multiculturalismo possa agregar as aulas de maneira a evitar a constância das aulas que apenas “rolam a bola” ou que as crianças entrem, desenvolvam algo sem significado e voltem para as suas aulas.
·         As aulas poderiam estar embasadas na cultura local de determinada região onde a escola se localiza? – Sim, a aula pode estar baseada na cultura local e é justamente essa a proposta do Currículo Pós Crítico cunhado por Neira e Nunes (2009)[1], o qual é bastante diferente do tradicionalismo que já conhecemos e que exige um aprofundamento e apropriação bastante grandes.
·         Com o conhecimento e desenvolvimento disso, eu, como professor, qual a minha ideia de aula e como eu desenvolvo isso? – Divido em duas respostas diferentes: como professor do ensino básico e médio não tive uma experiência satisfatória da minha prática e logo, por opção própria, decidi por recusar as minhas aulas. Sobre o que eu penso d@s professor@s e d@s alun@s em aula, a resposta divide-se também entre os dois: em primeiro lugar, ao recusar as aulas escolares práticas, permaneço fora do escopo para opinar sobre como a prática deveria ser ou deixar de ser, no entanto, acredito que ambos, professor@s e alun@s, devam encontrar significados positivos em suas práticas, e isso pode ser alcançado com todos os diferentes currículos já utilizados, não só o Pós Crítico.

A companheira Eliza também contribuiu com alguns comentários e perguntas diretas, dentre elas, exponho uma, a qual considero que foi melhor explorada:

·         Como se dá a escolha dos autores base e como identificar os antagonismos presentes nas visões da cada um? – A escolha dos autores bases deu-se mediante a participação do grupo e a leitura dos primeiros textos que falavam sobre “o que era a Educação Física”. A posterior exploração do quadro teórico e a exposição ou não de suas visões e teorias antagônicas só se dá mediante a leitura e o conhecimento de diferentes autores, o que leva tempo, pressupõe diferentes leituras, participação de debates e conversas. Vale lembrar que, ao publicar esse artigo, tivemos a preocupação de “refinar” o quadro teórico com o menor contraste possível em relação aos autores. No entanto, ao escrever o meu TCC (de onde originou-se a publicação), também utilizei autores que “não conversavam” entendendo que estaria acrescentando ao meu referencial teórico: apenas com todos esses processos e no decorrer do tempo pude ir diferenciando.
Sobre a apresentação do artigo, teci alguns comentários de anotações que havia feito antes do encontro acreditando que poderiam servir de conversa esclarecedora com aquel@s que leram e não leram o texto. Como dito acima, a escolha dos autores deu-se através das leituras do grupo em seus primeiros encontros que debatiam sobre o “que era, afinal, Educação Física”. O não consenso dos autores sobre o tema me chamou a atenção e apontei o estudo para esta vertente. Ao meu ver, o que poderia estar influenciando esta distinção da Educação Física já que ela não era igual e nenhum lugar? Cheguei ao argumento da cultura e, logo, enveredei o estudo para a relação entre as duas áreas: cultura e Educação Física.
Comentei que a ideia não seria realizar um traçado histórico sobre os termos, mas que apresentaria muito brevemente as duas, fazendo apenas as relações fundamentais do texto. Para tanto, apresentei quatro livros bases para a construção do artigo e para as discussões do grupo para aquel@s que tenham interesse em dar prosseguimento ao assunto:
·         Educação Física, currículo e cultura – Marcos Garcia Neira e Mario Luiz Ferrari Nunes
·         A Noção de cultura nas ciências sociais – Denys Cuchê
·         Documentos de identidade: uma introdução às teorias de currículo – Tomaz Tadeu da Silva
·         Educação Física progressista – Paulo Ghiraldelli
Ao abordar o primeiro termo que seria o da cultura, exponho algumas de suas interpretações e momentos passados para o seu sentido polifônico hoje: passamos pela sua etimologia, pelo seu sentido francês, seu sentido alemão, antropológico e dos Estudos Culturais. Reforcei que acredito ter cometido um erro no trabalho – a exposição desses conceitos favorecendo o entendimento de forma evolutiva e em escala de se alcançar o “verdadeiro sentido”. É importante lembrar que todos eles existem, todos são entendimentos e, talvez, o sentido francês ainda seja muito mais utilizado apesar de ser o primeiro sentido dado à cultura fora do cultivo e desenvolvimento dentro da agricultura, a primeira relação entre cultura e civilização e seu status “culto ou inculto”, bastante criticado pelas outras apropriações, principalmente a dos Estudos Culturais.
Ao definir a cultura para os Estudos Culturais como uma disputa dentro das relações de poder pela validação discursiva da própria cultura (e essa discussão pode ser vista na relação exposta pela Sarah e os sapatos que um educador físico deveria usar ou não), procuramos explorar essas relações dentro da Educação Física escolar e do seu currículo. Se é que seria possível “tabelar” esse tipo de relação, tentarei mostrar a ideia do artigo dentro da tabela abaixo como forma de resenha.

Currículo Higienista
Ascenção do Capitalismo; Inchaço populacional; Doenças proliferadas.
Militarismo
Ascenção dos militares sobre as oligarquias rurais; Era Vargas.
Escola Nova
Queda de vargas e dos militares; Manifesto dos pioneiros da educação nova
Esportivismo
Nova tomada de poder dos militares no formato de ditadura; esporte como espelho de um país desenvolvido.
Psicomotricidade e Desenvolvimentismo
Queda dos militares; Novos estudos biológicos e psicológicos.
Educação Crítica
Aumento da influência dos teóricos marxistas; ideais modernos ainda bastante presentes
Educação Pós Crítica
Aumento da influência de teóricos “pós”: marxistas, estruturalistas, coloniais, modernos, os multiculturalistas e etc.

Perto do final, retomei uma discussão já conhecida pelos integrantes do grupo, expondo o porquê de acreditar que seja um terreno fértil para novas pesquisas e suas possíveis implicações culturais e como isso pode mudar drasticamente tudo o que conhecemos por educação e Educação Física, seguindo as dicas históricas que absorvemos com o desenvolvimento dessa pesquisa: as novas tecnologias da informação; internet; cibercultura; ciborgues e etc. Para todos àquel@s que se interessarem por esse tipo de pesquisa, estamos abert@s para novas conversas e possíveis produções.
Agradecemos por mais um encontro, e esperamos tod@s para o último encontro do grupo que, como é de praxe fazemos nossa confraternização, abrimos espaço para apresentações e aproveitamos um café da manhã diferente! Até o próximo, GEPEF!




[1] NEIRA, Marcos Garcia, 1967- Educação Física, currículo e cultura / NEIRA, Marcos Garcia; NUNES, Mario Luiz Ferrari. São Paulo: Phorte, 2009. 288 pág.

segunda-feira, 2 de outubro de 2017

Terceiro Encontro 2º Semestre 2017 - Hip Hop e Estudos Culturais

No dia 30 de Setembro de 2017 estivemos reunidos pela terceira vez na FEFISO – ACM/CENTRO, com o intento de discutir sobre o artigo do colega Leandro Fontão que fala sobre a tematização do HIP HOP dentro do currículo escolar, ancorado nas propostas do currículo cultural, elaborado por Marcos Garcia Neira e Mario Luiz Nunes, docentes responsáveis pelo GPEF-USP. Neste encontro, foi registrado também a presença de uma nova integrante no grupo: Sara, primeiro período. Eu, João Pedro, registro essa ata.
Texto Principal: CAMARGO, L. F. P.; VIEIRA, R. A. G. Hip Hop: Movimento Cultural que movimenta a Educação Física. Rebescolar - Rev. Bras. Educ. Fís. Escolar, Ano III, V. 1 – Jul. 2017
Texto Complementar: NELSON, TREICHLER e GROSSBERG. Estudos Culturais: uma introdução. In: SILVA, T. T. Alienígenas em sala de aula. Petrópolis: Vozes, 1995.
Opção em vídeo: “A 13 emenda”.
Dica para Neflix: Documentário em vários capítulos “Hip Hop Evolution”.

Como de costume, Rubens fez a introdução do tema com estes citados acima e com outros como, por exemplo, suas impressões no recente congresso da CONFEF que esteve presente e uma pequena explanação sobre o que seria, afinal, os Estudos Culturais. Devido ao caráter extremamente vasto deste conteúdo, opto por colocar em tópicos alguns temas que foram apresentados de forma a não relacioná-los e, criar assim, um texto mais conciso.
Como forma de aprofundamento, para os interessados, sugiro a terceira parte, capítulo 8, do livro “Documentos de identidade – uma introdução às teorias do currículo” onde o tema dos Estudos Culturais é abordado novamente:
·         Os Estudos Culturais (E.C) nascem de uma proposta de contestação da concepção de alta/baixa cultura, assunto explorado por dois importantes textos de dois teóricos envolvidos na sua criação que relatam diferentes visões: a cultura operária como forma de produção cultural e a literatura não elitista.
·         Stuart Hall, o teórico mais influente dos E.C, assume a direção do grupo alguns anos após a sua criação, no lugar de Richard Hoggart, escritor de um dos textos mencionados que deram origem ao grupo - mais precisamente o texto sobre literatura.
·         Os E.C não podem ser vistos como uma coisa única: seu teor é, no mínimo, multidisciplinar pela quantidade de assuntos que é capaz de abordar.
·         Para nós, o tema que repetidamente levamos em consideração é o da “cultura” que, na visão dos E.C é constituída por um enfrentamento entre significados. A cultura é um espaço de luta pela validação de significado. Isso implica, no mínimo, dois tópicos extremamente importantes: 1) todos os “artefatos” são criações culturais; 2) toda validação é feita por intermédio das relações de poder, daí a luta por esse “poder validatório”.
O encontro tem início com a apresentação do companheiro Leandro sobre o seu TCC, que relaciona o HIP HOP com a prática escolar, mencionando suas possibilidades e intenções. Abre contando a história do HIP HOP, alguns marcos dos anos 60, sobre seus elementos – a saber: Rap, Break Dance, DJ, Grafite, Conhecimento, Beat Box, Streetball – e, por fim, nos apresentou um vídeo do rapper Rincon Sapiência. Logo após, abriu para o debate em relação ao HIP HOP e o currículo escolar (debate bastante voltado para a prática):
·         Lourenço: apresenta sua fala em relação às rinhas que contém um conteúdo vexatório e a possibilidade de se trabalhar isso com as crianças dentro das escolas.
·         Moska: intervém de forma a dizer que o “higienismo discursivo”, na medida do possível, não deve ser feito, caso contrário, não estaríamos fazendo aquilo que é proposto: apresentando uma manifestação cultural diferente, de interesse, ou emergencial, por completo, mas extraindo apenas o que é de interesse. Logo, poderíamos problematizar isso à luz dos E.C: quem possui o poder dessa higienização discursiva? Quem escolhe o que deve ou não ser apresentado de uma criação cultural?
·         Wellington: nessa mesma vertente reforça que o intento é chegar o mais próximo da realidade daquelas produções para que sejam apresentadas de forma mais complexa possível. Pergunta também se outros relatos de HIP HOP, que não sejam do GPEF, se aproximam ou divergem em suas práticas.
·         Leandro: diz que divergem bastante, e que é comum o uso de conteúdos tecnicistas em relação à dança e o streetball, como a formulação dos passos e a execução dos dribles; nada relacionado a um “aprofundamento cultural”.
·         Lourenço: questiona se a rinha crítica pode ser utilizada como uma forma de reflexão em relação ao professor e ao aluno. Uma espécie de produção sobre o que o aluno acha positivo ou não nas aulas e sobre o professor.
·         Rubens: lembra que as atitudes enquanto professor surgirão de determinado contexto, e que não há uma fórmula pronta para se trabalhar isto ou aquilo – apenas com a vivência prática os problemas e possíveis resoluções serão encontrados.
·         Massari: “Você trabalha em escola elitista, currículo esbranquiçado. Esse pessoal que lá está, que crescerão e se tornarão da elite, que conhecimentos você acha que eles poderiam ter para enfrentar os problemas sociais? Eles serão oprimidos ou opressores? Como você vê isso acontecendo, ou como você pretende fazer isso lá? Já tentou? Será que o trabalho da resistência é importante para eles? ” (pergunta literal)
·         Leandro: afirma que ainda não conseguiu trabalhar esse contexto do currículo cultural, mas tenta fazer alguns trabalhos de abordagens historicistas, de produção desse tipo de cultura. Comenta que alguns pais ficam realmente chocados, e que os próprios alunos tomam choques de realidade.
·         Rubens: em relação à pergunta do Massari, argumenta que, na visão dele e do currículo cultural, apresentar determinados conhecimentos, em determinados contextos, para que os horizontes possam se abrir e novas escolhas possam ser feitas: sejam elas de conservar determinado estado, ou mudar para um estado diferente.
·         Adriano: pergunta se os Rep’s[1] que foram criados a partir das aulas do Leandro continham um palavreado diferente do que é acessado pelos alunos.
·         Leandro: diz que foi criado uma espécie de Rap pedagógico.
·         Massari: levanta a questão de que, independente da letra, o próprio ritmo já é uma forma de resistência, no entanto, no papel de professor, devemos mediar algumas palavras e ações, já que existem diversas outras coisas em jogo e finaliza com uma questão bastante interessante: no futebol os termos usados são muito piores, as agressões são físicas, porém, a cultura do futsal é validada e incentivada nas escolas. Por quê?
Ao final do encontro, Rubens convidou a tod@s para participarem do MAPA e da apresentação do companheiro Clayton, que tentará pensar a Educação Física com um autor francês já conhecido e estudado por nós: Michel Foucault. Por fim, agradecemos a presença de tod@s e lembramos que o próximo encontro, 21 de Outubro de 2017, será realizado na FEFISO-ACM/ Jd. São Paulo.
Esperamos tod@s lá!











[1] REP – Ritmo e poesia; RAP – Rhythm and poetry.