sábado, 30 de maio de 2020

30/05/2020 - Defesa de Iniciação Científica: Paulo Lopes - Aprendizagem Motora pela Filosofia da Diferença




A proposta desse encontro, é diferente dos anteriores, pois foi movida a um espaço de defesa de iniciação científica, do Paulo Lopes, membro do grupo GEPEF e do PIBIC FEFISO, orientado pelo Rubens Gurgel. A banca foi composta por três professore-pesquisadores da área, contamos com a presença de Rodrigo Paiva, docente da FEFISO, Tiago Fernandes, docente da EEF USP e Gilson Rodrigues, doutorando pela FEF UNICAMP. De antemão, deixo o convite para terem acesso ao texto no link acima, e, também na defesa, que está publicada no YouTube. Por essa via, apontarei os comentários e questões centrais.
Tiago inicia perguntando o porquê Paulo se interessou em estudar esses dois temas. Paulo responde que: para mim é um encontro novo, pesquisar esses temas é uma novidade e, vejo a dificuldade de investigar a aprendizagem motora, pois não se limita a ampulheta de Gallahue e Ozmun. Ainda com Paulo, diz que, o movimento de fazer pesquisa são sensações de amor e ódio, pois, muitas vezes se deparava com o que havia escrito e não concordava. Mas, como ele mesmo aponta e Tiago reforça, esse é o sentido da escrita, se encontrar e se desencontrar com os problemas, afinal, se não houvesse isso, não seria importante fazer essas investigações, apenas escrever.
Dando continuidade, Tiago aponta que na iniciação do Paulo, ele tenta fazer uma aproximação da ciência com a filosofia, e, Tiago pensa em um certo modo de ciência única, sem ser categorizada e dimensionada. Paulo responde, que, para ele pensar em uma ciência única é difícil e pode limitar as coisas, também, pois não dá para unir coisas que são diferentes. Tiago diz: quando eu digo uma ciência universal, são é para invalidade as ciências mães, a proposta é uni-las para pensar um melhor, fazendo uma analogia com sua área de atuação, “as vezes estou preocupado com o que acontece com o coração e me despreocupo com o que acontece no cérebro e no fígado, e no fundo a gente sabe que o sistema é único e trabalha em homeostase”. Rodrigo Paiva comenta, a partir disso, que é antes de haver as ciências e suas diferenciações, existia o conhecimento, que ruma junto com esse pensamento.
Ainda com Tiago, ele aponta que as pesquisas mais recentes de Go Tani e Edison de Jesus Manuel (pesquisadores da USP, os maiores expoentes nacionais dessa área de estudos) pensam o indivíduo como um sistema aberto. Com isso, ele pergunta para Paulo, o que pensa disso. Paulo responde que para ele é uma novidade, pois essas pesquisas são recentes, mas, se eles estão pensando isso, uma maneira de contemplar a diferença, ele pode pensar junto. Estando atento as pesquisas científicas contemporâneas, Tiago pergunta: você pensa que a ciência segue os mesmos métodos estruturalistas como de antigamente?
Tiago encerra perguntando, se fosse da vontade do Paulo em fazer mestrado, quais seriam os próximos passos, o que pretende fazer com a pesquisa que construiu até o momento, lançando a pensar os próximos passos. Paulo responde que, pretende seguir pesquisando e aprofundando estudos nesses temas, não sabe como ou onde, porém tem muita vontade de seguir.
O professor Rodrigo Paiva inicia sua fala, primeiramente agradecendo pelo convite, e se propõe a lançar alguns problemas e provocações. Começa pela seguinte: ciente que seu trabalho é direcionado a pensar em aproximações entre a aprendizagem motora, seria interessante você apontar alguns caminhos. Em seguida, Paiva aponta que, em certos momentos, Paulo coloca muitas vezes a ciência e a rigidez do método a partir de Descartes do século XV, e a maneira de fazer ciência no século XXI mudou bastante. Outro ponto que foi bastante pertinente, foi o uso demasiado de autores, não que isso seja ruim, mas, precisa estar mais fluido no texto, de forma que, quem nunca teve contato com eles, possa entender.
Relacionando com a aprendizagem motora, Paiva problematiza que, talvez na vontade de olhar para a aprendizagem motora a partir da filosofia, pode ter ocorrido uma cegueira epistemológica, e que, como são duas ciências diferentes, trabalham com terminologias e conceitos diferentes. Paiva, comentando sobre a intuição, ele pensa que, quanto mais autônomo o sujeito for, maior será a sua capacidade de intuição, pois quando está aprendendo a tarefa o sujeito tem tanta demanda de atenção e acaba se perdendo, a ponto de não ter intuições. Complementa, quanto mais técnico e autônomo o sujeito for, no sentido de diminuir demanda de atenção, projetar e processar as demandas de atenção, mais a chance que tem de ser criativo. Em outras palavras, não é negar a técnica, nem a repetição, afinal, é um modo de organizar no caos, mas, criar com a partir deles.
Ainda com o Rodrigo Paiva, ele encerra agradecendo pelo convite e chama atenção, no seguinte aspecto, a pesquisa do Paulo traz uma teoria da aprendizagem motora da década de 80, com a filosofia da diferença do século XXI, para bater nela, sendo que, muitas coisas se atualizaram. Paulo agradece pelos comentários, críticas e leitura atenta, e tais problemas serão levados em consideração.
Após isso, Rubens destaca um ponto importante na pesquisa do Paulo, a diferença entre criatividade e inventividade. A criatividade se dá de ideia de criar uma solução em um problema já dado, por exemplo, no futebol, é marcar um gol. Sendo que a inventividade, não tem um planto a priori. Com isso, Paiva pensa em uma aproximação, a partir da reprodução, rumando a criatividade e se enveredando a inventividade.
Gilson inicia sua fala parabenizando a pesquisa realizada pelo Paulo, pois é uma investigação que foge do comum, e deve ter muita coragem para tentar relacionar área bastantes distintas, outro aspecto potente é que ele se coloca no texto, na sua escrita autentica. Gilson chama atenção no uso excessivo de siglas, diz que é algo pequeno, porém importante, o mesmo ressalva que, uma página no início pode resolver. A partir disso, Gilson expõe que o que ele irá comentar e sugerir são coisas para frente, ou seja, o que fazer com o texto.
Assim, Gilson sugere para criar mais diálogos, se der para fazer artigo, ou capítulo de livro, comunicar nas redes sociais, podcast... para não se isolar, no intento de conversar mais com as pessoas. Entrando no texto, Gilson faz uma analogia de um garoto que rodeia e espia o circo, mas não entra nele, não se apropria, para dizer que o Paulo faz esse movimento com Deleuze, rodeia, mas não entra, e quando vai fazer as relações, realiza a partir de Bergson, o que é diferente. E os próximos passos, seriam mergulhar mesmo nos autores, se apropriar bem dos conceitos.
As relações do método, Gilson destaque que faz através de Ribeiro (2016), e para ele falta uma descrição de como fez e por que fez, há uma lacuna na definição dos critérios, e nas análises. Em relação as aproximações e distanciamentos, Gilson aponta que, mesmo autores falando de coisas semelhantes eles olham para elas de uma maneira diferente, assim, precisa-se de mais atenção e cuidado em aproximas Deleuze e Go Tani, entre outros autores. Tendo em vista que Paulo entra na aprendizagem a partir do afeto, e esse é uma das fragilidades da aprendizagem motora, Gilson indica o Grupo do Afeto, na UNICAMP, coordenado pelo professor Sergio Leite.
Gilson afirma que as críticas que Paulo faz a ciência é importante, mas também é preciso apresentar as potencialidades dela. Gilson faz uma pergunta provocativa para Paulo: como a filosofia da diferença me ajuda a agir melhor em minhas aulas de Educação Física? Para encerrar, Gilson parabeniza, pois, o trabalho é bastante rico em ideias, e lança duas perguntas: como essa pesquisa te afetou? E por fim, o que você pretende fazer com sua pesquisa?
Respondendo a tais provocações, Paulo inicia falando do atravessamento de Bergson em sua pesquisa, ele expõe que foi justamente com esse filósofo que ele conseguiu fazer relações efetivas com a aprendizagem motora e filosofia da diferença, pois, é um pensador que pensa a dualidade para além dela e leva o tempo em consideração, a duração, a intuição. Pensando isso para o futuro, seria a proposta de responder as perguntas, apontamentos e fragilidades levantadas. Rubens finaliza realizando uma fechamento e agradecendo a participação da banca.

segunda-feira, 27 de abril de 2020

4º Encontro – 25/04/2020 - Palestra com João Pedro - Formação Inicial em Educação Física: uma perspectiva dos Estudos Culturais


Texto: Significações acerca do currículo formador – egressos (as) do curso de licenciatura em Educação Física.

Disponível em: 



Demos início a palestra virtual de João Pedro, membro fundador do grupo GEPEF-FEFISO, e como ele mesmo falou que, nunca havia produzido algo um pouco mais distante do grupo, mesmo que sempre estando junto, pois eram outros problemas. Ele realizou seu mestrado na PPGED[1] UFSCar Sorocaba em Educação, voltado em um viés crítico. A partir disso, João elenca que não é especialista na área de formação de professores, e propõe um diálogo, onde em qualquer momento qualquer pessoa pode comentar o que quiser.
João Pedro explica que existe duas grandes áreas da formação, sendo: formação inicial e formação continuada. A formação inicial é todo o percurso percorrido na graduação, e a formação continuada é tudo aquilo que se faz após formado (a), ou seja, pós-graduação, cursos, especializações entre outros. Após isso, João apontou quais autores (as) ela utilizou em sua pesquisa para compor o quadro teórico, sucedendo de autores pós-estruturalistas com uma concentração maior em Stuart Hall.
Movido a isso, ele nos contou sobre seu encontro com tema, encontro com seu problema, através de uma experiência que viveu no chão da escola, e passou por uma frustração, no sentimento de achar que não estava fazendo o melhor de si e ele mesmo não acreditava muito naquilo. Então, foi trabalhar em uma indústria, mas trabalhando como ajudante geral, não parava de pensar nas questões acerca da educação, educação física, escola, currículo... foi lá que pensou – será que só eu que passei por essa experiência? Essa frustação de que o currículo formador não deu conta de preparar ao chão da escola?
João tinha um sentimento, uma intuição de que havia mais pessoas passaram e passam por isso, a partir disso, veio a ideia de investigar as significações dos egressos do curso de licenciatura em Educação Física acerca do currículo formador.
Em sua metodologia, João se enveredou sobre uma análise documental e a partir disso planejou entrevistas semiestruturadas, com quatro egressos (as) de duas instituições diferentes. Foi baseada nos DCN’s (Diretrizes Curriculares Nacionais) enquanto análise documental, e a entrevista foi pensada em cinco eixos iniciais, sendo questões acerca da: formação; identidades; transições; posicionamentos; a pesquisa na formação. Lembrando que, a entrevista como semiestruturada está aberta para discutir outras questões imanentes no momento.
Caminhando para o fim da apresentação de sua pesquisa, João aponto as analises, uma vez que sua ideia era investigar os efeitos do currículo formador nos/as egressos/as. Este bloco tem o título de remontando-traduzindo (significações), assim, como os efeitos que João notou, ele destacou que: a licenciatura em segundo plano; os discentes têm que selecionar sobre o que se fala de educação; a formação inicial não será suficiente; currículo em movimento; defasagem de si; mérito individual (sucesso ou fracasso); uma ordem salvacionista; movimento sempre, o/a egresso/a não pode estacionar; distância da formação e prática atual.
João Pedro conclui com sua dissertação que, há lacunas no currículo da formação inicial (teoria e/ou prática escolar), notou uma passividade na maioria dos depoimentos, encontrou também muitas falas associadas à lógica de mercado contemporâneo e a tradicionalidade da formação. E na tentativa de pensar em algo no lugar, no sentido de propor algo, ele aposta em um trabalho cultural mais amplo e transitar nos mapas do sentido. Feito isso, João encerra com algumas perguntas convidando os participantes ao diálogo, uma conversa acerca do tema. Perguntas como: quem se formou viu isso? Quem está na formação como vê isso? O que acham dessas “significações”? O que acharam das proposições, poderíamos pensar em outras?
Rubens relembra da importância desse tema e o grupo é composto por pessoas que estão na graduação, recém-formados, pessoal da pós-graduação e alguns pesquisadores. Assim, Moska, cita que a Renata estava no encontro, e que seria interessante ela comentar o que achou, pois, ela também pesquisando sobre formação inicial em sua dissertação de mestrado. Renata diz que trabalha direto com a formação inicial, é coordenadora na rede de Votorantim, e comentou que sua pesquisa tem muitas relações com a do João, porém sua dificuldade é pensar a formação com um referencial pós-crítico.
Moska comenta que se tivesse tido contato com esse trabalho, talvez sua concepção de vida, pois abre muito espaço para questionar, pensar, criar, experimentar outras coisas. Marina, mestranda e pesquisadora do grupo transgressão na UNICAMP, fala que em sua pesquisa não se atentou muito com as questões de currículo formador, mas sim no currículo no ensino básico e aponta ser interessante pensar algo no lugar. Assim, Rubens e Moska comentaram sobre a possibilidade de experimentar outros espaços na formação inicial, sendo grupos de estudos, ensino voltado a pesquisa, cursos de extensão.
Elder aponta que seria interessante não pensar formação inicial e continuada como polos distintos, longes, mas que se atravessem, se cruzem mais vezes, uma formação hibrida. João comenta que existe um pesquisador que sugere isso, e que a ideia para seu doutorado em pensar algo nesse sentido. E encerramos com a questão do Paulo que, é necessário ter sensibilidade aos afetos e emoções, fundamental discutir as emoções, pois a parte mais racional aprendemos a lhe dar bem, uma vez que não temos isso na formação inicial.





[1] Programa de Pós Graduação em Educação – PPGED, disponível em: <http://www.ppged.ufscar.br/pt-br >.

quarta-feira, 8 de abril de 2020

04/04/2020 - 3º Encontro do semestre (VIRTUAL): Jogo, Corpo e Representação - com Tadeu Rodrigues


Texto: Processos de mediação: da mídia primária à mídia terciária - José Eugenio Menezes

Inauguramos mais um encontro do Grupo GEPEF FEFISO, desta vez de maneira diferente, inédita. Pois, nunca antes havíamos feito uma discussão nesse grupo com todos os participantes conectados virtualmente. Por conta disso, deixo aqui, um pequeno recorte espacial e temporal de março de 2020, algo novo ocorre que para o mundo todo, assim fui agenciado a escrever sobre isso. Ou seja, uma dobra, as coisas que acontecem no mundo, resultam em nossas relações, nos modos de vida e de viver. Estamos passando por uma Pandemia, a COVID-19.
Dito isso, entramos na apresentação do palestrante. Tadeu é formado em comunicação pelo UNISO, mestre em comunicação e doutorando e em jogos digitais. Tadeu disse que este encontro era novo para ele, pois nunca havia falado para pessoas da Educação Física, uma vez que os temas: jogos digitais e corpo atravessam a Educação Física. A partir disso, ele comentou um pouco sobre a história da comunicação, sendo seu grande marco durando a 2ª Guerra Mundial pelo os alemães, com os rádios. Porém, como é o corpo nesse espaço virtual? O receptor é notável, mas se pensarmos em um abraço, torna-se impossível notar quem é o receptor.
Após 2ª Guerra Mundial, muitas coisas no mundo mudam, e os grandes influenciadores na comunicação na Europa era Gilles Deleuze (1925 – 1995) e Michel Foucault (1926 – 1984). Para Harry Pross (1923 – 2010) “a comunicação começa e termina no corpo”, visão bastante diferenciada e interessante para pensarmos acerca do corpo. Ao discorrer do tema, Tadeu nos disse sobre o conceito de iconofagia, que é a relação corpo imagem, imagem corpo, não existe um contato de corpo a corpo, sendo assim, um vazio de sentimento.
Tadeu Rodrigues faz uma diferenciação bastante interessante sobre o LARP (Live Action Role Play) ou, no Português - Ação viva de desempenho de papéis. Para os pesquisadores, LARP seria “um encontro entre pessoas que, através de seus papéis, relacionam-se umas com as outras em um mundo ficcional” (FATLAND; WINGARD). O que difere do RPG, e Tadeu aponta que a maior diferença deles seria que o LARP seria mais dramático e o RPG mais criativo.
Feito a introdução do tema, Tadeu abre para perguntas, dúvidas, problemas etc. Assim, Rubens coloca: é inevitável não trazer para as Fake News, pois o ambiente virtual permite a pessoa ter determinados comportamentos na rede social que é diferente estando pessoalmente. Tadeu responde, ele diz que pensa que sim, e nos traz um exemplo: o sangue tem cheiro, textura, estamos vendo e o que se passa na mídia acerca de violência é diferente de vivenciar isso pessoalmente.
Assim Vitor-Moska relaciona com o cinema, apontando os filmes da Marvel, em suas palavras: não existe mais vilão, nem união soviética. Surge então a guerra de herói contra herói. E outro modo de ser, seria romantizar o vilão, que afinal, vilão não é bem o vilão. Como vimos no filme do Coringa, muitas pessoas se identificam o vilão. Ainda com Vitor-Moska, ele lança um questionamento acerca da escola, como fica a escola a partir desse momento? Como vemos as práticas corporais? Será que não seria hora de retomar a ecologia da comunicação? Boas perguntas, fica o convite para pensarmos juntos.
Voltando a questão sobre LARP e RPG, como pedido por Júnior, uma outra explicação. E Tadeu diz que em ambos não têm roteiro pré-definido, se dá na relação, no ato, na experiência concreta, com isso vemos relações com as palestras anteriores, e dos temas o que grupo vem estudando, a aprendizagem a partir de Deleuze e Guattari.
Imerso na discussão, Rubens compartilha um exemplo da experiência banqueiros com a realidade da favela. Tadeu diz que: quando brincamos de cavaleiro medieval, não muda muito o que o pessoal do banco faz com a favela. Ou seja, cada um tem um lúdico diferente. Ainda com Rubens, ele pergunta se o RPG e LARP são utilizados como ferramenta de ensino, pois é algo bastante potente. Tadeu diz que sim e está sendo cada vez mais explorado. Aproveitando o gancho, Paulo pede para Tadeu comentar sobre como ele entende o lúdico, pois o conceito lúdico tem um valor caro para a Educação Física.
Tadeu Rodrigues comenta que, temos uma ideia de lúdico atrelado ao divertimento, a ideia de jogo em geral submetida a isso, em um divertimento padrão, mas o lúdico extrapola isso. Ele pensa o lúdico a partir de Huizinga, lúdico além do belo, do divertido, do engraçado, por isso, para os banqueiros, ter uma festa no cenário de favela, para eles era o lúdico deles, naquele momento.
Com as mudanças da sociedade e do mundo, Rubens bem nota e trazendo para um jargão nietzschiano, a ideia de que as produções artísticas dionisíacas e que nesse momento em que não se pode sair de casa, faz sentido a frase de Nietzsche: temos arte para não morrer de verdade. Pois somos muito dependentes das produções artísticas nessa quarentena para viver, seja através de músicas, filmes, séries, peças de teatro, artesanatos etc.
Caminhando para o fim do encontro, encerramos com a pergunta do João Pedro: como você vê no jogo a possibilidade da diferença? Nesse momento, Tadeu faz um mergulho em sua tese, e diz que a principal característica do jogo é que ele depende da incerteza. Se você já sabe e, se já possui uma imagem de pensamento pré-estabelecido, não é um bom jogo. Com isso ele deu um exemplo do jogo de futebol, um clássico paulistano e brasileiro, entre Corinthians e Palmeiras, assistir este jogo é estar aberto a lhe dar com a diferença. Existe um grau de incerteza, pois se já soubéssemos quem ganharia, perderia o encanto do jogo, o encontro com o imprevisível. A diferença.



sexta-feira, 20 de março de 2020

2º Encontro 1º semestre 2020 – 14.03.2020 – Palestra de Acácio Augusto – Educação Libertária





2º Encontro – 14.03.2020 – Palestra de Acácio Augusto – Educação Libertária

Iniciamos a palestra com o professor convidado Acácio Augusto, sendo esta conexão através do meio virtual, via Skype, meio este que estamos a cada vez mais se apropriando dele. Acácio inicia sua fala expondo alguns caminhos percorridos e quais pontos ele abordaria. Lembrando que para este encontro Acácio indicou a leitura do livro: Anarquismos e Educação, escrito por autoria de Edson Passetti e Acácio Augusto. A partir disso, entramos em um acordo, onde Acácio teria um tempo para fazer uma abordagem introdutória e após sua fala ou até mesmo durante nós estaríamos convidados para lançar perguntas, dúvidas, questionamentos, críticas etc.
Com isso, Acácio cita alguns autores dos quais descreve no livro, muito influenciado pela filosofia francesa contemporânea, com ênfase em Gilles Deleuze, Félix Guattari e principalmente em Michel Foucault. Em um dos temas tocados, Acácio nos fala sobre a escola, instituição moderna por excelência, dobrando em uma sociedade da obediência, que é movida através de castigo e recompensa.
Todavia, pensar a educação, logo a escola a partir da lógica do anarquismo, nos leva a percorrer outros caminhos, pois, é um modo de viver que recusa esse jogo dialético de obedecer e mandar. Porém, notamos que a partir o desse movimento estabelecido de castigo e recompensa, torna-se mais fácil governar condutas, pois é gerado certos traumas e receios, com pequenas atitudes diárias no cotidiano escolar, e também em outros espaços.
Ainda com Acácio, expondo ideias acerca da educação libertária, ele nos conta que foi criado um modelo de Educação Libertária que foi capturada pelo neoliberalismo, associada com o acúmulo de capital. Contudo, vemos que sempre toda ideia nova corre riscos, riscos de ser capturada e assim criarem modelos universais a partir disso. Acácio Augusto faz uma ressalva e diz que acredita em experiências de uma educação libertária, isto é, em certos momentos contextualizados há de ser promovido/propiciado espaços para uma experiência libertária, práticas libertárias. Movimentos menores, menor como resistência, como luta.
Com isso, Rubens aproveita a deixa e traz a discussão mais próximo do campo da Educação Física, expondo que na primeira palestra desse semestre tivemos a palestra com ele sobre como pensar uma educação física menor e que há muitas convergências com os estudos de anarquismos e educação. Acácio achou bastante potente essa ideia de Educação Física menor. Assim, o encontro foi aberto as perguntas. Junior pergunta o porquê do uso de anarquismos no plural. Acácio comenta que ele utiliza o conceito no plural justamente porque são um conjunto de práticas.
Luiz pede para Acácio explorar sobre a educação libertadora de Paulo Freire e a educação libertária a partir dos movimentos de anarquismos. Acácio pontua que algumas diferenças, com por exemplo a concepção de sujeito na educação libertadora de Freire, ele elenca que o sujeito pensado a partir de Paulo Freire está bastante ancorado na Razão kantiana. Também mostra alguns limites do sujeito autônomo. Todavia, faz uma ressalva, diz que são pensamentos diferentes e a ideia não é de destruir Freire, sim apontar limites e diferenças e coloca sua importância para o Brasil e mundo.
Elder pergunta como seria pensar o cotidiano escolar a partir do referencial elencado por Acácio Augusto. Acácio expõe que é uma questão bastante difícil, e que na escola isso se torna ainda mais complicado, pois a escola é a instituição moderna por excelência. Ele deu alguns exemplos de suas experiências como professor do ensino fundamental e médio e faz uma diferença bastante interessante de autoridade e autoritarismo. Dando como exemplo que o professor tem certa autoridade em determinados assuntos, porém ser autoritário seria uma conduta fascista.
Caminhando ao fim do encontro, Acácio nos diz a partir de suas experiências e experimentos a sensibilidade têm bastante diferencial, pois, com ela é possível pensar em práticas mais atrativas para seu contexto. Para finalizar, Acácio diz que a Educação pode escolher olhar pela potência e pela falta, porém é sempre repetido o mesmo sistema, adotado pela falta. Sendo esta falta como notas, comportamentos, negar a vida agora para viver uma vida desejável no futuro, está sempre faltando algo nos alunos e alunas. Então faz-se necessário resistir cotidianamente para uma educação não fascista, uma educação libertária.


quarta-feira, 4 de março de 2020

1º encontro – 29/02/2020 – Palestra de Rubens Gurgel – Educação menor, Aprendizagem Inventiva e Educação Física







Demos início ao encontro às 9:00 do sábado, dia 29 de fevereiro de 2020, na FEFISO. Como tradição e pela presença de novas pessoas ao grupo, sendo elas, uma parte de alunos/as do primeiro semestre da FEFISO e outros de fora, Rubens coordenador do grupo, fez uma introdução, explicou o porquê o grupo e existe e qual a sua função. Com isso, apontou que a partir deste semestre o grupo criou outro modo de operar, isto é, no semestre passado a leitura dos textos estava bastante densa e difícil, assim, foi decidido coletivamente experimentar nesse semestre uma forma de palestra. Surgindo assim espaço para convidar pessoas de fora, de outras áreas e expandir nosso pensamento.
Realizada a introdução, Rubens expos os temas que sua pesquisa de doutorado tratou, e enunciou alguns pontos fulcrais que seriam abordados no encontro de hoje. Dentre eles, o contato dele com a Educação Física (em sua formação), a história da Educação Física e seus momentos, por essa chave de pensamento, ele decidiu ver a partir de três autores centrais, Michel Foucault, Gilles Deleuze e Félix Guattari. Urge anunciar também, que dentre um escopo de pensamento, eles são classificados enquanto autores pós-críticos, entretanto, Rubens aponta os conflitos e, diz que é clássico da academia americana esse movimento de classificação.
Dito isso, mergulhamos em outros meios, demarcando algumas características do pensamento moderno. Para tanto, Rubens relatou cinco polos: realidade, razão (pensamento), sujeito, corpo e poder. Nesse modo moderno de se pensar a realidade é entendida como a representação do real, e tendo apenas uma realidade para todos. O pensamento neste viés é obtido através da razão, isto é, o pensamento é sempre racional, logo superior a outras coisas, abrindo brecha para conectarmos o sujeito e corpo também, pois, o sujeito é um ser que age pela razão, e é por meio do corpo que se manifesta. Vemos aqui, fortes influências platônicas, kantianas da razão e cartesiana, típicas das características modernas. E por último, porém não menos importante, o poder dentro desse escopo é exercido apenas pelo Estado.
Para o referencial, pós-crítico ou melhor para Filosofia da Diferença, há discordâncias plausíveis em relação ao modo de funcionamento moderno, citado acima. Realidade, pensamento, sujeito, corpo e poder possuem assim outros significados, passemos a observá-los aqui, não de uma forma segmentada, e sim a partir de lógica rizomática, que promove conexões. Sujeito nessa perspectiva é construído em conjunto a realidade e pensamento, sempre em processo constante, ou seja, não têm mais nada acabado ou dado (pensado) de antemão. Logo, o corpo é o local para a criação do pensando, que está imerso na realidade. E o poder está sempre em todas as relações, nesse sentido, o poder é entendido através da micropolítica, nas microrrelações e em certos momentos exercemos mais ou menos poder.
Com isso, entramos em outro ponto, com o conceito de menor, para entender sobre a Educação Menor. Rubens explica que Silvio Gallo (professor e pesquisador da UNICAMP) desloca do conceito de Literatura Menor a partir da obra dos franceses Deleuze-Guattari, para pensar em uma educação menor. Por essa via, foi apresentado três características do menor, sendo elas: desterritorialização da Língua; ramificação do individual no imediato-político; agenciamento coletivo de enunciação (somos e pensamos não o que queremos ser, mas ao que somos agenciados). Formulamos exemplos a partir disso.
 Entramos na história da Educação Física e seus momentos, atentos com o pensamento moderno e das filosofias da diferença e os usos do maior e menor, contudo, no intento de escapar de uma dialética, e caminhar com a lógica da multiplicidade, do mais, do e, e. Foi feito relações também com os currículos da Educação Física: Ginástico, esportivista, críticos e cultura (pós-crítico?). A grande questão que surgiu em todos os currículos foi que, sempre existe um modelo à ser seguido, pela filosofia da diferença, vemos isso enquanto uma ferramenta provisória para ajudar a operar.
Uma das partes da tese, teve como objetivo investigar os aspectos maiores do currículo cultural, baseado no referencial pós-crítico, e que foi objeto da pesquisa de doutorado. Vimos como movimentos aberrantes: a inserção em currículos oficiais; modelização didática; apoio a filosofias da diversidade: limites do multiculturalismo; baseado em pensamentos psicanalíticos: os limites dos estudos culturais. Todavia, não é toma-los como inimigos, apenas uma forma de apontar os limites para pensar em outras coisas.
Rumando ao final do encontro, vimos que a esquizoanálise a partir de Deleze-Guattari nos convida ao viver, ao experimentar. Assim, a grande criação da tese foi pensar em outros modos de se entender a aprendizagem, Rubens cria pistas da aprendizagem e princípios didáticos, dando nome a essa “gestação” de esquizoaprender. Vale a ressalva que o termo princípios é utilizado no sentido de onde partimos, e não que há uma ordem sistematizada a ser reproduzida. Abaixo está registrado algumas das pistas e princípios que discutimos, foi diversos exemplos, e como movimento de criação, foi feito o convite para cada pessoa pensar em seu próprio exemplo.

Pistas da aprendizagem:
- o aprender na filosofia da diferença: recognição x criação;
- Transformação de subjetividade – tornar-se outros, campo da multiplicidade;
- Processo intuitivo;
- Esquizoaprender, política cognitiva sensória-corporal;
- Processo de agenciamento incontrolável, atravessado pelos encontros, movimentos rizomáticos;
- Invenção de problemas, não resolução de respostas;
- Demanda gastar tempo / esforço;
- Processo de singularização, imanente ao acontecimento;
- Aprender é afirmação de vida;
- Para os dias atuais: atravessamentos cibernéticos!

Princípios didáticos
- o professor “tracer”;
- Sensibilidade ao devir;
- Atenção às misérias;
- Modulação do controle;
- Experimentar e organizar encontros;
- Tencionar a produção de singularidades;
- Associar com outras paixões;
- Dar aulas sobre o que busca aprender;
- Cartografar a possibilidade do desejo esquizo;
- Não se apaixonar pelo poder;
- Articular micro e macro política;
- Produzir tempo e espaço liso;

sexta-feira, 6 de dezembro de 2019

30.11.2019 - 4º e 5º capítulo – Nietzsche e a Filosofia.

Em nosso último encontro do ano, realizamos nossa discussão em um espaço diferente. Marcamos com antecedência um lugar para irmos realizar uma confraternização do grupo, assim, fomos na casa de uma colega do grupo, Stephanie. Demos início às 09h com a fala de João Pedro, que na reunião passada decidimos de alguém apresentar uma introdução e impressões do capítulo e, hoje João falará do 4º capítulo (do ressentimento à má consciência) e Rubens do 5º capítulo (o além do homem contra a dialética).
Com isso, João abre falando sobre o esquecer e ressentir, onde vimos que o esquecimento está ancorado na abertura do novo e o ressentimento é guardado na consciência, como doença reativa. Fomos a partir disso também correlacionando as formas de niilismo que é proposto no próximo capítulo, pois, ao nos depararmos com determinadas situações, vamos realizando processos rizomáticos, ou seja, nosso corpo não tem uma certa linearidade, ao nos depararmos com algo, somos levados a pensar determinadas coisas. Realçando que, isso simplesmente acontece, não passa por um clivo da razão.
Comentados sobre os tipos de niilismos, sendo: negativo; reativo e passivo. O niilismo negativo, de maneira bastante simples e descartável, estamos entendendo-o enquanto
A partir desses diálogos, chegamos aqui em outro ponto fulcral de Nietzsche, relacionando agora o ressentimento com o homem ressentido (eles utilizam homem para se referir ao humano). O homem ressentido é o sujeito da dialética que vive em lutas incessantes, o seu desejo é depreciar as causas, produzindo infelicidade e colocando sempre a culpa em alguém, sendo sempre no outro, nunca em si mesmo. Entendemos que com isso, temos munição para pensar nosso governo, sistemas educacionais, nossa sociedade e outros o quão ressentidos somos. Exemplos não faltam. Colocaremos um, no desejo de fazer um convite para pensarem seus próprios exemplos. Assim, o ressentido seria a pessoa que vai mal na prova e coloca a culpa em alguém, sempre no outro, pois não consegue olhar para si mesmo.
Caminhando por outros territórios, mas no mesmo platô, nos deparamos com o conceito de má consciência, que seria ela uma paralisação, sedentarismo, isso Nietzsche chama de ficção, a força niilista reativa que se volta contra si mesma. Sendo assim uma contradição com a vida, e é neste jogo da contradição com a vida que as forças reativas se apresentam como superiores, pois colocam uma figura transcendental acima de todos os valores. Mergulhando no capítulo 5, com o “além do homem” vemos que este modo de pensar é uma maneira contra dialética, uma das características do pensamento nietzschiano é ir além da dialética, pensar fora disso, escapar, desviar.
Neste emaranhado, um dos quais discutimos foi a figura de Jesus, pois o Jesus em sua essência, seu pensamento, modo de vida, sua relação com as pessoas, era completamente diferente do que fizerem dele.  Em sua essência, Jesus pregava o amor, a paz, a solidariedade etc. Assim, a crítica de Nietzsche não está em Jesus, mas na moral que foi estabelecida no pensamento cristão, na religião, que impõe valores. Nietzsche em uma tarefa nada fácil, nos convida a criar nossos próprios valores.
A ideia de transcendental que é questionada é sobre a transvaloração, e vemos que, apenas mudou rei de lugar, pois, vemos além da religião outros divinos, na ciência, Filosofia, Arte... Tenha mudado, talvez a ideia de divindade, porém, o modo de operar se assemelha muito. Voltando e sendo atravessado por outras questões, Rubens coloca o exemplo de uma música da banda Charlie Brow Jr “o home que está em paz não quer guerra com ninguém”, ou seja, a pessoa que está bem consigo mesma, não fica arrumando coisas para falar e culpar o outro, apenas vive, sendo muito diferente do ressentido.
O além do homem não tem nada a ver com o homem superior. O homem superior é decadente, reativo e ressentido em sua essência, pois lhe falta algo e precisa de uma coisa que está sempre nesse desejo fantasma para se afirmar. É um homem de status que tem a necessidade de estar provando tudo e o tempo todo, preso em suas amarras, e com as novas tecnologias isso fica mais visível e também mais subjetivado. Vemos no ciclo de Zaratustra a importância de viver cada etapa, mesmo a tristeza, pois é preciso viver no niilismo, na tristeza para poder aprender com isso e continuar fazendo o ciclo dar continuidade.
Rumando para o fim do encontro, dedicamos um tempo para ver quais caminhos seguir para o próximo semestre. Foram feitas algumas sugestões de leituras, porém, foi colocado também outros modos de operar com o grupo. Que, seria no caso como um grupo-evento, onde poderíamos abranger um público maior, convidar pessoas de fora para falar sobre determinado assunto, podendo ser da Educação Física ou não. Ou também, seguir como estamos habituados e a partir de cada encontro veremos o que vamos ler para o próximo. Assim, concluímos mais um semestre intenso de muita produção e aprendizagem!

terça-feira, 5 de novembro de 2019

26/10/2019 - Releitura dos capítulos 2º e 3º de Nietzsche e a Filosofia – Deleuze.


Iniciamos nosso encontro de hoje, sábado, dia 26 de novembro de 2019, às 9h na FEFISO/ACM. Iniciamos com a fala de Rubens comentando sobre a dinâmica, sobre como seria o encontro, e, como combinado na reunião passada, combinamos de Paulo (iniciante científico e membro do grupo) fazer uma abordagem sobre o 2º capítulo e Elder (iniciante científico e membro do grupo) do 3º capítulo do livro Nietzsche e a Filosofia, do autor Gilles Deleuze. Lembrando que, entramos neste acordo, pois, nos dois últimos encontros houve convidados via Skype e o texto ficou um pouco deslocado.
O segundo capítulo que Paulo apresentou fala sobre as forças ativas e reativa. Assim, além de fazer esta devida apresentação o intento do grupo é relacionar com a aprendizagem e Educação Física. Caminhando nesta via, Paulo nos traz um vídeo sobre a vida, um rapaz que vive 100 anos e a repórter pergunta à ele qual é o segredo de viver tudo isso, ele de maneira simples responde: é só não morrer! Ora, isso soa um tanto quanto estranho. Podemos nos perguntar, como assim não morrer? Em qual sentido? O morrer está explícito, mas em qual sentido isto é colocado? Fica ai, uma primeira pergunta, um convite para pensar...
Paulo coloca: as forças para Nietzsche estão para além do bem e do mal, não é uma dialética, uma não é melhor que a outra, elas coexistem, se completam neste paradoxo. Deslocando para o escopo da aprendizagem, vemos que a aprendizagem com Kastrup (2007) a partir da recognição e invenção, que as forças reativas possuem relações com a aprendizagem como recognição, e as forças ativas com invenção, sendo que, elas acontecem juntas, porém com mais ou menos intensidade, uma não nega a outra.
Vemos que as forças reativas são as que decidem preservar o corpo, fazer o certo (certo de acordo com a moral), seguir as normas. Então notamos aqui que as forças reativas são as que somos atravessados e nos fazem segui-las, por exemplo: no trabalho temos horário para chegar, bater o ponto, trabalhar determinadas horas, acordar cedo etc. Realçando que, a força reativa não está no ato e que colocamos o exemplo para movimentar o pensamento e deixar mais didático para entender, vocês podem criar seus próprios exemplos. A força reativa não está no ato. Existe pessoas que adoram acordar cedo, trabalhar, ser pontual etc., nos atentemos aqui para não moralizar os exemplos.
Notamos a conexão da força reativa com a queda da potência, e a força ativa com a elevação de potência. Potência enquanto o querer, vontade de fazer algo, o que nos move, nos motiva. Observamos com Deleuze que possui uma agonistica entre as forças e que elas não são fechamentos, mas abertura, logo, para me afirmar parar exercer determinada força preciso do outro. Rumando à outros platôs, Paulo traz mais dois conceitos: quantidade e qualidade. Quantidade e qualidade de forças. Assim, podemos entender a quantidade enquanto número de forças, quanta existem e seguem neste atrito, e a qualidade como a maneira que somos afetamos.
Rubens faz um comentário e coloca que as forças reativas tentam conservar as coisas enquanto as formas ativas querem movimentar, mudar. Bia (professora da rede de Boituva) coloca que a instituição escolar é reativa por natureza, comenta que tenta realizar diversas coisas diferentes, todavia é submetida em relações de poder e, que a coordenação e direção não a apoiam e vetam isso. Entretanto, intenta fazer isso em suas aulas. Vemos também que, quem determina a qualidade das forças é o corpo, não o professor. Nisso, Rubens vê uma conexão com Rene Schérer (2005) quando ele fala sobre a paixão, em tornar a força reativa em ativa.
Ainda com Rubens, ele coloca um pergunta explicitamente à João Pedro (mestrando na UFSCar-So) que está estudando formação de professores no âmbito da linguagem. Nesse sentido, Rubens coloca João para pensar, se a linguagem não é uma luta reativa? João coloca que em alguns momentos pode ter uma intensidade mais reativa, pois, a linguagem é estruturada e cessa novas possibilidades, entretanto, em outros momentos é afirmação, passagem à outras forças.
A forte potência da escola é em receber os mais diferentes tipos de corpos, pois é uma instituição diferente de outras. Por exemplo, podemos escolher em quais espaços querermos frequentar, clubes, igrejas, bares, festas... Já a escola todos devem ir.
Dando continuidade, Elder comenta quem foi Friedrich Wilhelm Nietzsche (1844 – 1900) aponta algumas de suas obras e a importância desta obra de Gilles Deleuze que “salva” Nietzsche, pois seu pensamento estava sendo usado para afirmar o fascismo. Assim, Elder traz uma passagem do livro “pensar significaria descobrir, inventar novas possibilidades de vida” (DELEUZE, 2018, p. 98). Valendo lembrar que Elder comenta sobre o 3º capítulo e o nome dele é a crítica, sendo a crítica a sociedade, ao sujeito, ao conhecimento, à ciência e... e... Vemos com Nietzsche que todo fato é uma interpretação. Por essa via, ele coloca a ciência moderna em xeque, pois ela defende a ideia de uma verdade única e absoluta.
Para alimentar mais a discussão, Deleuze coloca o conceito de vontade de potência e vontade de verdade, e recorremos a mitologia grega para entender melhor isso, pois existe Apolo e Dionísio, ambos filhos de Zeus. Apolo é o deus da razão, logo, é racional, Dionísio é o deus da loucura, do caos. Observamos como as coisas vão se conectando, para falar de vontade de potência e vontade de verdade, conceitos pesados ao pensamento nietzschiano, sem abordar as forças seria de extrema dificuldade, pois uma complementa o outro. Vemos que, Apolo possui relações próximas com as formas reativas, que passa por devido crivo racional, e Dionísio com as forças ativas, onde o importante é fazer coisas que nos aumente a potência, que afirme a vida, logo, vemos intersecções com o caos, o imprevisível.
Elder vê com Guimarães Rosa que “felicidade se dá em horinhas de descuidos”, com bastante frequência vivenciamos que é difícil ficar planejando momentos de felicidades, eles simplesmente acontecem, no acaso da vida. Assim como a aprendizagem, nunca sabemos quando estamos ensinando alguém, mas, isso necessita de um esforço, porém é sempre imprevisível.  A vontade de verdade é o que determina como as coisas devem ser, impõem uma única verdade, verdade fixa e inabalável, e, em bastante momentos de nossas vidas passamos por isso, esta vontade de afirmar como uma coisas dever ser. Quando afirmamos o que dever ser, matamos a diferença, o que pode ser, entendemos isso na Lógica do rizoma com Deleuze e Guattari, a lógica da multiplicidade do mais, do e... e... e...
Rumando para o fim do encontro, finalizamos a reunião às 12h, e, ainda contamos com um lindo café coletivo durante a discussão que foi passada a fio aqui. Seguimos no próximo encontro, encontro qual terminaremos a discussão sobre o livro e veremos possibilidades para o próximo semestre. Também, foi feito o convite para irem nos eventos que os membro do PIBIC (grupo de iniciação científica) irão apresentar, no seminário na UFSCar-So, Semef na USP, conexões na UNICAMP e CONIC.







domingo, 6 de outubro de 2019

28/09/2019 - 3º capítulo Nietzsche e a Filosofia - A crítica.


Demos início ao encontro de hoje, sábado, 28 de setembro de 2019, às 9:00. Contamos com a participação de um novo membro do grupo, Junior Gabriel, formado em 2008 pela FEFISO e está trabalhando com aulas de jiu-jitsu, e Priscila, que estuda biologia na UFSCar Sorocaba. Rubens fez uma abordagem para a professora Adriana Gehres (convidada para o encontro) professora da Universidade Federal de Pernambuco, que estuda dança, filosofia da diferença e também Deleuze e Guattari. Assim, Rubens comentou a ela como o grupo funciona, qual o intuito, o que já lemos e estamos lendo. E, um dos objetivos nossos é estudar a aprendizagem a partir da(s) filosofia(s) da diferença, jogando com diversos autores, e neste semestre estamos lendo o livro “Nietzsche e a Filosofia” de Gilles Deleuze.
Ainda Rubens, disse das possíveis maneiras de dinâmicas para o encontro, e abriu espaço para nós do grupo e a professora Adriana. Decidimos em ouvir a professora fazer uma introdução ao assunto, pois, ela enviou alguns vídeos de dança e um texto para lermos e discutir. E, estudar especificamente dança é algo novo para nosso grupo. Adriana iniciou com uma introdução ao tema e nós no intento de entender, cunhar algo do texto de Nietzsche e a filosofia, e também com a ideia de não entender as coisas à risca, mas o contexto e seus modos operantes, para criarmos o nosso modo de fazer, e também possíveis traduções ao que estudamos e trabalhamos.
Adriana começa, então, dizendo dos movimentos na dança, sendo tais movimentos entendidos através de 2 perspectivas: biológica e artística. A primeira consiste-se em movimentos que podem ser copiados, decorados, repetidos, a segunda perspectiva tem relações com as intensidades do encontro, encontro com o ambiente, com pessoas, com a música, sempre com algo, e, que é um movimento com mais da ordem dos sentimentos, dos afectos. A dança não representa algo, ela é, ela é a própria realidade em si.
A professora diz que trabalha este texto do Lepeck com seus alunos também em Pernambuco e diz a complexidade que é de ler. E, que ele aborda uma teoria crítica além da qual usamos no Brasil, diverge de vários, inclusive Tomaz Tadeu. Cita também um filósofo recente e que vem ganhando força, sul koreano, Byung-Chul Han, que pensa para além do crítico e pós-crítico. Assim, vendo a dança por outra perspectiva, diferentes autores e diferentes experiências, Adriana entende e desenvolve aulas em um viés mais artístico da dança, como a aula sendo espaços de criação, pois, em suas aulas ela chega com um objetivo, e tem seu celular e notebook em mãos, porém o que vai acontecer é sempre imprevisível.
Rubens comenta de um coreógrafo citado no texto que, escapa da representação, e com isso, ele pergunta como é o público deste coreógrafo, se as pessoas o acompanham, em seus festivais e afins. Adriana diz que essa arte não é uma atração, não é para ser bonito, ela está além do bem e do mal, ela causa impactos, e complementa dizendo que a arte é necessária para a produção do humano. E, com o público, pensa que quem gosta frequenta como outros tipos de espetáculos. A partir disso, o encontro tomando outros rumos, comentamos sobre o currículo cultural, no qual se tem base teórica com autores da filosofia da diferença e multiculturalismo crítico, todavia, suas abordagens em geral sempre apontam determinada modalidade esportiva hegemônica para a partir disso as aulas tomarem seus rumos.
Elder comentou que em suas aulas na faculdade sobre dança, via a dança uma bifurcação com a dança, ela pelo movimento e com gesto. Pelo movimento seria, ele por si só, sem contexto, apenas uma repetição, algo a parte, já com o gesto seria algo que faça sentido, que está envolvido com pessoas e sentidos e ancorado em um contexto. E, assim, ele pergunta como Adriana vê isso. Ela disse que são autores diferentes e perspectivas diferentes, e retorna com a pergunta: quais são a relações de gesto, movimento, materialidade e representação nessa perspectiva?
Em seguida, Paulo explica o trabalho que vem realizando com aprendizagem motora e filosofia da diferença e diz que nota muito o movimento que Adriana trabalha em sua pesquisa. Nesta via, ele pergunta como são as aulas dela, pedindo para contar os detalhes, como desenvolve. Ela se posiciona dizendo que, no momento da aula ela está com os estudantes, e o que faz é ir aguçando as perspectivas para além das imagens e vai dançando com eles. Suas aulas não se baseiam em plano de aulas duros, mas trabalho com eixos, objetivos, porém, como vai fazer para chegar nesses eixos é sempre diferente.
Deste modo, caminhando para o fim do encontro, e contanto com os imprevistos da internet, agradecemos a participação da professora doutora Adriana, e deixamos o convite para participar mais vezes. E, nos restou mais um tempo de debate. Para tanto, Rubens comentou um pouco sobre frequentar grupo de estudos, e utilizou uma analogia com comida, sendo que, as aulas são como um self-service, pois pode escolher o que quer, quando quer, que horas e tudo mais. Já o grupo de estudos é fazer parte do processo, da preparação, que toma mais tempo, e que ainda no final, pode não ficar tão boa a comida. Como o professor Silvio Gallo diz: “aprender demandar perder tempo”.
Então, Rubens de maneira didática trouxe ferramentas para pensarmos a Educação Física para além da dança. Sendo as práticas corporais: lutas, danças, jogos, esportes e ginásticas, e que essas práticas têm algo em comum, a técnica aparece muito forte nelas, a repetição do mesmo movimento. O como se faz já está dado, como deve ser. E, relacionando com o currículo cultural, vemos que na grande parte de seus relatos, apresenta um congelamento na maneira de fazer e, nas abordagens, predomina a tematização das práticas das modalidades hegemônicas. Ou seja, trabalham com imagens congelados de determinadas práticas, pois, o esporte que passa na televisão – o abordado pelo currículo cultural – não é o mesmo que o público escolar tem convívio.
Com isso, caminhamos para nossa foto de registro, mas, antes disso, Elder junto com Paulo, criam mais uma pista para o documento “pistas da aprendizagem”, na qual aprender é afirmar a vida. Rubens faz uma ressalva bastante pontual que nos encontros anteriores foi um pouco apagado o texto de Nietzsche, o qual movimentou o encontro. Entretanto, para o próximo encontro, Paulo (iniciante científico) ficou responsável por apresentar um resumo do 2º capítulo do livro, e Elder (iniciante científico), ficou com o 3º capítulo, para que retomemos ao texto. Assim, finalizamos mais um encontro do às 12h na manhã de sábado.

Curiosidades do encontro:
·        Participação da Prof. Dra. Adriana Gehres;
·        Movimento na dança como artístico e biológico;
·        Aprender é afirmar a vida – pistas da aprendizagem;
·        Currículo cultural trabalha com a tematização das práticas hegemônicas (as que passam nas grandes mídias);