segunda-feira, 27 de junho de 2016

2016 – Sexto Encontro GEPEF – 25 de junho - Encerramento 1º Semestre 2016

1 – Na data de hoje, iniciamos o encontro de forma diferente: ao invés de primeiramente debatermos sobre o texto proposto para o grupo, começamos pela defesa de iniciação científica do membro João Pedro, em respeito aos convidados que estiveram conosco. Demos início a defesa às 9:30, no entanto, passando um pouco do horário programado, terminamos por volta de 11:50, impossibilitando assim, o cumprimento integral do cronograma. Como proposta para a ata de hoje, foi combinado um resumo sobre o texto que seria discutido. Portanto, os escritos desse encontro baseiam-se em uma análise unilateral, e não em uma construção em conjunto, como estamos habituados.

2Tema: currículo saudável
Leitura principal: FERREIRA, M. S. Aptidão Física e saúde na educação física escolar: ampliando o enfoque. Revista Brasileira de Ciências do Esporte, v.22, n.2, p.41-54, janeiro 2001.
Leitura complementar: NEIRA, M. G.; NUNES, M. L. F. Educação Física, Currículo e Cultura. São Paulo: Phorte, 2009 (Teorização curricular e Educação Física, páginas 79-89).
Objetivo: compreender os fundamentos básicos desta visão curricular. Avaliação do semestre e planejamento do 2º sem. 2016.

Logo no início do seu artigo, Ferreira (2001) faz algumas observações e expõe alguns conceitos que servem como base para a argumentação de suas ideias em relação a defesa da saúde como conteúdo da escola. Inicia-se a argumentação do texto com uma proposta que chama bastante a atenção: “Hoje o senso comum aceita e propaga a ideia de que o exercício físico faz bem à saúde. (pag. 42) ”. Essa propagação nas aulas de Educação Física é considerada pelo autor um avanço em relação as propostas de “não aula” que tanto circundam o nosso meio. Porém, essa concepção está assumindo um caráter essencialmente biológico, sem se preocupar com fatores de fundamental importância para a adesão de uma vida e hábitos saudáveis, como os socioeconômicos (FERREIRA, idem). Num primeiro momento, fui surpreendido com uma ideia diferente do que tenho (senso comum, talvez) e entendo sobre o currículo saudável.
O autor segue com a exposição de diversas bibliografias a fim de justificar que o exercício físico, enquanto bem orientado por um profissional, pode contribuir em relação a diversos aspectos, combatendo muitas doenças, prevenindo de outras e etc. Desta forma, propõe-se que o exercício físico deva ser aplicado como um conteúdo da Educação Física, porém, não somente como uma série de atividades que os alunos repetem do professor, mas que possibilite a tomada de decisão do educando em relação a solução de problemas, o que autor chama de “autonomia”, baseado na “escada da aptidão física para toda a vida” de Corbin, Fox e Whithead, de 1987, que passa pela “exercitação” e vai subindo os degraus sentido a “solução de problemas”.
Para que os alunos desenvolvam essa autonomia em relação ao próprio modo de fazer exercício físico, o autor, num exemplo relacionado ao atletismo e um dos seus conteúdos, defende que: “Seria necessário ampliar as formas de se entender a corrida (...) (pag. 45) ”. Novamente, fui surpreendido pela ideia de ampliação, onde o professor possivelmente poderá relacionar fatores nutritivos, fisiológicos, anatômicos, biomecânicos, socioculturais e econômicos ao ato da corrida, ao local onde ela será realizada, a vestimenta adequada e etc.
Contudo, no decorrer do artigo, é feita uma afirmação que me gerou uma posterior dúvida. Segundo o próprio Ferreira (idem, pag. 46): “O fato é que vivemos numa sociedade dividida em classes sociais, na qual nem todas as pessoas têm condições econômicas para adotar um estilo de vida ativa e saudável.”. Se o conteúdo a ser trabalhado dos professores adeptos da corrente da Aptidão Física Relacionada a Saúde (AFRS) é justamente o “engajamento” (pag. 48) dos indivíduos num estilo de vida ativo, saudável e autônomo, o que fará um profissional na escola mais humilde de alguma cidade? Para quem está voltada essa proposta curricular?
Logo após, caminhando para o final do texto, apresenta-se uma justificativa para a minha questão. É dito que a apresentação desse conteúdo para os indivíduos, assim como os determinantes políticos do porquê não estarem acessando determinado estilo de vida, poderia causar nesses estudantes um anseio de tencionar uma “luta por mudanças sociais” (pág. 48) assim como “uma sociedade mais justa e igualitária” (pág. 51), ou então uma “luta pela redução da jornada de trabalho sem redução salarial” (pág., 48). Ao meu ver, Ferreira (idem) baseia-se em justificativas que vão um pouco além do proposto pelo currículo saudável, tentando diminuir uma distância quilométrica entre uma “ampliação” (pág. 45) e o engajamento desses jovens em militâncias políticas que lutarão em favor de seus direitos como cidadãos, para, enfim, adquirem um estilo de vida onde possam praticar atividade física.
Por fim, não poderia deixar de reconhecer que esse texto contribuiu muito para a criação de uma nova perspectiva minha em relação ao currículo saudável, com suas sugestões de autonomia e ampliação. Ao professor adepto da AFRS, é necessário um conhecimento bastante amplo sobre a área biológica, tanto quanto um conhecimento das estruturas sociais e políticas do nosso país (e de outros) para sanar as eventuais dúvidas que surgirem das ampliações. Reforça-se novamente a ideia de que o problema não está no conteúdo, mas sim, na maneira como ele é abordado.
Infelizmente, neste último texto não tivemos a reflexão da semana, pois o companheiro Moska não pôde estar presente. No entanto, espero que voltemos ainda mais fortes para o segundo semestre de 2016, com várias novas reflexões semanais! A todos, meus sinceros agradecimentos por esse semestre tão produtivo!

Boas férias!

Apresentação PIBIC João Pedro 1º Semestre 2016

BANCA DE AVALIAÇÃO DA INICIAÇÃO DE JOÃO PEDRO

Abaixo a fala dos presentes na apresentação do João. Destacado por ordem de fala. Os destaques mais potentes estão iluminados. Entre parênteses e com letras minúsculas minhas falas (Rubens) como orientador, após a fala do João.

MASSARI

COMO LIDAR COM ALUNOS NA MODERNIDADE LÍQUIDA?
UNIDIMENSIONALIDADE DO ESPORTE COMO FERRAMENTA DO STATUS QUO, MESMO QUE OS SUJEITOS NÃO SE DÊEM CONTA DE SEREM FERRAMENTAS
GENERALIZAÇÃO DA EDUCAÇÃO FÍSICA COMO RUIM, PRINCIPALMENTE AS INSTITUIÇÕES PARTICULARES
PORQUE NÃO POSSO MISTURAR? MEU DISCURSO DEVE SER LÍQUIDO?
INTERFERÊNCIA DAS RESPOSTAS DEVIDO CONHECER OS ENTREVISTADOS, TALVEZ UMA ENTREVISTA SEM CONHECER OS PROFESSORES
A TRAJETÓRIA DO PROFESSOR JÁ DÁ UMA INDICAÇÃO DA RESPOSTA
SUGESTÃO: UMA ENTREVISTA COM PROFESSORES QUE DÃO AULA HÁ MAIS DE 20 ANOS
HÁ 50 ANOS, AS RESPOSTAS SERIAM DIFERENTES OU AS MESMAS?

RESPOSTA DO JOÃO

A MODERNIDADE LÍQUIDA É ALGO BOM OU RUIM? CONSEQUENCIAS DA LÍQUIDEZ, NÃO PODEMOS ESCOLHER, ELA ESTÁ DADA
O FRANKENSTEIN É ALGO RUIM? TALVEZ POSSA SER CRIADO UMA IDENTIDADE NOVA
FRANKENSTEIN TRANSFORMADO EM ANJO

CLAYTON

ENFOQUE MAIOR NA QUESTÃO DOS BENEFÍCIOS E MALEFÍCIOS DA MODERNIDADE LÍQUIDA
SE POSICIONAR NÃO É ARROGANCIA
NA CONCLUSÃO A ENFASE NO LAVAR AS MÃOS, FAZER PESQUISA EXIGE POSICIONAMENTO (Entendo o João, passei por um processo semelhante)
CARÁTER DE INEDITISMO, CONTINUAR COM BAUMAN

RESPOSTA DO JOÃO

BUSCAR ASSUMIR POSIÇÃO DE NEUTRALIDADE, DEVO MELHORAR (e parar de elogiar)
TENTEI NÃO COLOCAR A MINHA IDEIA COMO A MELHOR

IRIS

PORQUE ANJO? POR OLHOS AZUIS E LOIRO? NÃO, TEMOS O FRANKENSTEIN, E COM ELES TEMOS QUE LIDAR
A DIVERSIDADE APARECE E É COMBATIDA, O FRANKENSTEIN DEVE SER ACEITO

EDUARDO BORGES

A SUPERFICIALIDADE NÃO SE ENCONTRA APENAS NAS ESCOLAS/LICENCIATURA, ESTÁ IGUALMENTE NAS ACADEMIAS/BACHAREL.
A MODERNIDADE LÍQUIDA ACOMETE A TODOS

HEMERSON PATRIARCA

COMO A NEUTRALIDADE NÃO EXISTE, SE POSICIONAR SEM MEDO, PORQUE A CRÍTICA VIRÁ DE QUALQUER FORMA
O ACADEMICISMO RIGOROSO IMPEDE COISAS QUE NA PRÁTICA SÃO HIBRIDIZADAS
É DIFERENTE SER ECLÉTICO DE UTILIZAR PLURALIDADE DE IDEIAS
MUITAS VEZES O PROFESSOR NÃO DÁ CONTA DE SE APROFUNDAR DEVIDO A CARGA DE TRABALHO
BAUMAN DE FATO AFIRMA QUE A GLOBALIZAÇÃO É IRREVERSÍVEL? CUIDADO COM O DETERMINISMO
A LIBERDADE TRAZIDA PELA MODERNIDADE LÍQUIDA É DE QUE FORMA? NÃO SERIA SUPERFICIAL?
A GLOBALIZAÇÃO ANIQUILA IDENTIDADES? (Stuart Hall diz que o resultado da globalização é o hibridismo)
RELACIONAR O NOVO MODO DE PRODUÇÃO DAS FÁBRICAS, O TOYOTISMO, COM O NOVO CURRÍCULO DA EDUCAÇÃO E DA EDUCAÇÃO FÍSICA

RESPOSTA DO JOÃO

MESMO QUE NÃO IRREVERSÍVEL, NÃO VOLTAREMOS A UMA SOLIDEZ ANTERIOR
NÃO SOMOS TOTALMENTE LIVRES, ESTAMOS DE ALGUMA FORMA PRESOS EM IDEOLOGIAS (prefiro as práticas de liberdade no sentido foucaultiano, onde escolho até certo ponto os discursos que me subjetivam)

WELLINGTON

ME AJUDOU A PENSAR SE NÃO ESTOU SENDO RASO, E A PERCEBER MINHA SOLIDEZ/LIQUEFAÇÃO

RUBENS

DEFESA DO JOÃO, FALHEI EM ALGUNS ASPECTOS
A IDEIA DE COMPROVAR NÃO CASA MUITO BEM COM A PROPOSTA TEÓRICA
DESNECESSÁRIO CITAR O NOME DOS PROFESSORES
“COMÚM” NA APRESENTAÇÃO
O QUE NOS INCOMODA NÃO É O HIBRIDISMO, NEM DESCONHECEMOS O CONTEXTO QUE DIFICULTA O APROFUNDAMENTO, MAS MESMO ASSIM NOS POSICIONAMOS CONTRA A MISTURA RASA, SUPERFICIAL, A IDEIA QUE DE QUE TUDO É VÁLIDO, SEM A PREOCUPAÇÃO COM OS EFEITOS




segunda-feira, 13 de junho de 2016

2016 – Quinto Encontro GEPEF – 11 Junho

1 – Com grande satisfação, recebemos mais duas novas integrantes para o grupo! Rubens explicou um pouco de nossa trajetória até aqui, sobre os debates, sobre os textos já lidos, sobre o que pretendemos ler para o próximo semestre e sobre a visão de currículo do grupo, não só como uma carta de apresentação, mas sim, como propõe Tomaz Tadeu:

“O currículo é lugar, espaço, território. O currículo é relação de poder. O currículo é trajetória, viagem, percurso. O currículo é autobiografia, nossa vida, curriculum vitae: no currículo se forja a nossa identidade. O currículo é texto, discurso, documento. (SILVA, 2010, pag. 150) ”.

Foi reforçado o convite a todos os integrantes que ainda não participam das reuniões na USP. O grupo é aberto, as sextas feiras, de 15 em 15 dias. Aqueles que tiverem disponibilidade e interesse podem agregar com a “turma de Sorocaba”. Não é necessário nenhum pré-requisito.
Foram expostas as plataformas do grupo: Facebook, WhatsApp, Blog e Grupo de E-mail, onde são compartilhados trabalhos, produções do grupo, dúvidas, eventos, críticas e atualizações sobres as discussões de cada dia. Por falar em eventos, também foi comentado que estamos responsáveis pelo GTT da área de educação no M.A.P.A, assim como a possibilidade de convidar Jocimar Daolio para uma das mesas de discussão. Todos concordamos que seria uma grande contribuição.
Foram todos convidados para o congresso internacional sobre educação que ocorrerá na UNISO nos dias 24 a 26 de outubro. Gostaríamos que todos do grupo estivessem presentes para podermos ter uma participação em peso. A inscrição custará R$ 170,00 reais.
Também foi conversado sobre a possibilidade de ingresso em mestrado nas universidades: UNISO, USP e UNICAMP. Foi destacado, mais uma vez, aos novos e os já membros há algum tempo, que todos, sem exceção, têm a total capacidade de ingressar um mestrado em qualquer uma dessas universidades, principalmente na USP, onde temos uma aproximação maior com o grupo de pesquisa de lá (GPEFE – FEUSP). No entanto, como é exigido o exame de inglês, é necessário que todos os interessados tenham um nível um pouco mais avançado: para tanto, conversamos sobre o curso de inglês que a FEFISO oferece por R$ 60 por mês. Acreditamos que seja viável a todos.
Por fim, planejamos o próximo encontro em quatro partes distintas:
b)     Defesa de Iniciação Científica do membro João Pedro – 20 minutos de apresentação e 40 para discussões, debates e críticas.
c)      Confraternização
d)     Avaliação do semestre atual planejamento do próximo.

211/06 - Tema: Abordagem crítico-superadora (Currículo Cultural)

Leitura principal: SOARES, C. L.; CASTELLANI FILHO, L. C.; BRACHT, V.; ESCOBAR, M. O; VARJAL, E.; TAFFAREL, C. N. Z. Metodologia do ensino de Educação Física. São Paulo: Cortez, 1992. Capítulo 1 – A Educação Física no Currículo Escolar: Desenvolvimento da Aptidão Física ou Reflexão sobre a cultura corporal.

Leitura complementar: SOUZA JUNIOR, M. et al. Coletivo de autores: a cultura corporal em questão. Revista Brasileira de Ciências do Esporte, Florianópolis, v. 33, n.2, p. 391-411, abr./jun. 2011.

Objetivo: compreender os fundamentos básicos desta visão curricular, atentando para seus legados.

Iniciamos os debates com Rubens perguntando para Bruna e para Monique o que tinham achado dos textos e qual era a (primeira, talvez) impressão sobre o assunto: Bruna disse ter gostado mais do artigo, enquanto Monique disse ter preferido o livro. No entanto, as duas concordam em um ponto: sobre a importância que o Coletivo de Autores dá para a significação das atividades - chamada de “Historicização do Movimento”. É muito importante que elas tenham ressaltado esse ponto, porque é justamente dele que ocorre a gênese para os debates mais atuais. É fundamental que essa questão tenha se tornado a mais importante, pois é justamente disso que o livro trata.
O Coletivo de Autores, de forma bastante enfática e, claro, passível a todo tipo de crítica, nos mostra que o movimento está repleto de significados e imerso em simbologias capitalistas, a qual aflora uma ideologia de exclusão e de busca pelos melhores resultados. Consequentemente, torna os “derrotados”, se assim podemos dizer, acostumados com a derrota e já cientes da “função social” que irão cumprir. Essas funções, de forma “circular”, tornarão a evidenciarem-se em outras atividades que envolvam o movimento, a tomada de decisões e etc. Logo, o Coletivo faz disso seu objeto de estudo: a cultura corporal.
A cultura corporal do Coletivo de Autores é estudada através de uma visão específica: a materialista histórica dialética. Bruna questionou o porquê da denominação “dialética”:
a)               Materialismo: em oposição a ideia platônica de uma essência não mundana, de uma existência perfeita de seres e objetos que não residem nesse plano, o materialismo defende a preocupação com o material, com aquilo que se faz presente e visível no nosso mundo. Uma das frases de Marx, talvez exponha de forma bastante clara seu pensamento: “Até agora os filósofos se preocuparam em interpretar o mundo de várias formas. O que importa é transformá-lo. ”
b)               Histórico/Dialético: entendendo que a compreensão do mundo e da história devem dar-se através da análise hegeliana de realidade resumida em “tese, antítese e síntese” (por exemplo: ponto de vista; contraponto; novo ponto).
Essa cultura corporal foi bastante criticada por alguns autores, como, por exemplo, Eleonor Kunz, que foi lido no encontro passado. Esses autores entendem que, em primeiro lugar, qualquer cultura é corporal, ela não flutua fora do corpo, sendo totalmente dependente dele para o seu surgimento e criação simbólica. Em segundo lugar, criticam a dicotomização entre corpo e mente: por que apenas corporal? A simbologia cultural não é assimilada pela mente? Podemos ter uma cultura cognitiva e uma corporal? Essas, dentre outras que não foram exploradas a fundo pelo grupo, são críticas feitas ao Coletivo.
Dentro da cultura corporal, sob a visão materialista histórica dialética, os autores entendem que o conhecimento se dá de forma espiralada, propondo um aumento do grau de dificuldade das atividades propostas pelos professores. Foi assim, debatido sobre o nosso entendimento de conhecimento, pautado no entendimento rizomático de (não só) Gilles Deleuze, contrário as teorias retilíneas, sejam elas arbóreas ou espiraladas.
Sabemos que esse livro é/foi de grande contribuição para a Educação Física brasileira como um todo. Não objetivamos criticar de forma a rebaixar a obra, mas sim, expondo os avanços que ocorreram na área em relação há mais de 20 anos atrás, ressaltando as conquistas que os debates pós críticos trouxeram para o nosso campo, principalmente em relação as diferenças presentes, que vão além das diferenças classistas, ou da concepção de que todos os males do mundo giram em torno dos problemas classistas, ampliando-se para a discussão racial, étnica, de gênero, intolerância, preconceito, construção e desconstrução de verdades absolutas, entendimentos do senso comum, etc. O Coletivo de Autores nos proporcionou, a ampliação da visão, a reflexão necessária para o entendimento fundamental: seja para o esporte, para o jogo, para a dança ou qualquer outro conteúdo, o âmbito da reflexão está na significação do mesmo, e não na essência do conteúdo. O problema não está no futebol, mas o que trabalhamos através do futebol. Por que separar bom ou ruim, bem e mal, quando podemos nos perguntar: quais discursos tornaram algo bom ou ruim? Quais discursos definiram o bem e o mal sobre algo?
Para finalizar, o companheiro Moska, mais uma vez, nos deixa (como denominada por ele) a “reflexão da semana”: num mundo globalizado, qual currículo se preocupa em trabalhar as diferenças?

REFERÊNCIA:

SILVA, Tomaz Tadeu. Documentos de Identidade: Uma introdução as teorias do currículo. 3 ed. 1 reimp. Belo Horizonte: Autêntica, 2010.

SOARES, C. L.; CASTELLANI FILHO, L. C.; BRACHT, V.; ESCOBAR, M. O; VARJAL, E.; TAFFAREL, C. N. Z. Metodologia do ensino de Educação Física. São Paulo: Cortez, 1992.


SOUZA JUNIOR, M. et al. Coletivo de autores: a cultura corporal em questão. Revista Brasileira de Ciências do Esporte, Florianópolis, v. 33, n.2, p. 391-411, abr./jun. 2011.

quarta-feira, 18 de maio de 2016

2016 – Quarto Encontro GEPEF – 07 Maio

1 – Foram apresentados dois novos participantes do grupo no dia de hoje, assim como foram apresentadas as propostas, os objetivos e os trabalhos do grupo: Hemerson Patriarca e Tiago Guilardi.

2 – Alguns apontamentos para a condução do debate foram expostos:

  • ·         Crítica as propostas progressistas
  • ·         Principais problemas que envolvem o esporte moderno
  • ·         Crítica marxista a Educação Física
  • ·         Esporte no ensino de Primeira à Quarta série
  • ·         Crítica da Psicomotricidade à Educação Física
  • ·         Diferença entre as duas críticas
  • ·         Crítica ao modelo de aula aberta
  • ·         Crítica ao conceito de cultura corporal
  • ·         Crítica ao currículo crítico
  • ·         Análise de sentido no esporte
  • ·         Crítica à ciência esportiva
  • ·         Alienação do homem na sociedade e no esporte
  • ·         Função ideológica dos esportes
  • ·         Estrutura básica para o ensino do esporte emancipador
  • ·         Ação didática comunicativa
  • ·         Transformação pedagógica do esporte


3 07/05 - Tema: Abordagem crítica emancipatória (currículo cultural?)
Leitura principal: KUNZ, E. Transformação didático-pedagógico do esporte. 6 ed. Ijuí: Ed. Unijuí, 2004. Páginas 11-45.
Leitura complementar: NEIRA, M. G.; NUNES, M. L. F. Pedagogia da cultura corporal. São Paulo: Phorte, 2006 (Currículo e Educação Física, páginas 115-120).
Objetivo: compreender os fundamentos básicos desta visão curricular, questionando a relação desta visão com o currículo cultural do coletivo de autores.

O debate foi iniciado com a exposição do posicionamento contrário do autor em relação ao esportivismo e ao marxismo, algo que foi, no mínimo, bastante inovador, tomando como ponto de princípio de sua base metodológica a fenomenologia. Digo inovador pois, tratando-se da época em que o livro foi publicado, aqui no Brasil, posicionar-se de maneira crítica a “febre” marxista em relação à Educação Física, era um ato de coragem. Contudo, como discutido, o autor apresentou uma base teórica muito boa para fundamentar a sua prática.
Para iniciar, é interessante a exposição das críticas de Kunz sobre como a Educação Física vinha sendo vista: de um lado, o esportivismo, buscando atletas e a formação de sujeitos vencedores e perdedores, fundamentados no sonho ditatorial de propaganda e alienação governamental que, no debate de hoje, encaixa-se muito bem na questão de emancipação; de outro, a ideia de cultura corporal, proposta pelos representantes marxistas, onde Kunz busca romper com - segundo ele – a dicotomização entre corpo e mente proposta, baseando-se em que “todo corpo é um ser no mundo”. Apesar dos apontamentos, o objetivo do grupo não era o de discutir sobre os fundamentos da crítica de Eleonor Kunz ao marxismo (mais precisamente ao coletivo de autores), mas sim, discutir a ideia de emancipação proposta pelo autor, que se mostrou bastante interessante.
Como exemplo, pegaremos a “clássica” dinâmica da corrida no atletismo, onde é presa uma fita na cintura do aluno e este deve correr de forma que a fita permaneça sempre na horizontal e não seja vencida pela força da gravidade. Qual a ideia? Em geral, é a de que o aluno se concentre em seu objetivo para com a fita e não seja exposto ao mecanismo da competição, criando assim a oportunidade de que não haja vencedores e perdedores, mas apenas participantes. Para Kunz, a emancipação consiste em libertar-se das amarras ideológicas impostas, talvez não de forma completa, mas ao menos reconhece-las. Em outras palavras, o aluno se perguntar o porquê da sua “sede de vitória”; por que ele deve chegar primeiro? Entender que essas ideologias engendram o seu pensamento de uma forma não essencial, ou seja, ninguém nasce precisando vencer, mas sim, somos expostos a essa realidade desde o nascimento. A proposta de emancipação de Kunz, é a proposta de “emancipar-se de si mesmo”.

Contudo, como nem tudo são flores, reconhecemos as bases teóricas do autor como muito boas, assim como a sua apropriação teórica, sua coragem à crítica do marxismo e uma possível introdução a visão de que todos os problemas do mundo não se resumem aos problemas classistas propostos por Marx. Porém, qual o real potencial de libertação dessas aulas “isoladas”? Será que o indivíduo reconhecer que não precisa chegar em primeiro, pode liberta-lo dessas amarras ideológicas transformando-o em um ser crítico em relação ao mundo em que ele está imerso? Sua crítica ao coletivo foi justamente a de criticarem tudo e todo o sistema vigente, não fortalecendo a discussão metodológica.

2016 – Terceiro Encontro GEPEF – 23 Abril

Na data de hoje, o encontro foi aberto de uma forma diferente do que estamos acostumados, começando direto pelo debate do texto. Contudo, apenas por motivos de padronização, apontarei os “recados” primeiro:

1SEMEF FEUSP em Julho, dias 24 e 25. Trabalhos devem ser enviados até 01 de junho.

2 – Nomes sugeridos para compor as mesas de manhã e de tarde, onde serão expostas as ideias (não citarei nome daqueles que deram sugestões pois falhei com o amigo Moska da última vez, como bem lembrado por ele mesmo):
- João Batista Freire
- Marcelo Hungaro
- Mario Nunes
- Marcos Neira
- Marcílio de Souza Júnior
- Jocimar Daolio
- Valter Bracht
- Oswaldo Luis Nunes
- Walter Roberto Correia.

          Dentro disso, Rubens sugeriu um novo nome para a mesa redonda: “Currículos da Educação Física e diferença”, não levando em consideração o conceito de filosofia da diferença, mas apenas as diferenças entre uma visão e outra. Vale lembrar que ainda estamos esperando uma ideia de nome que relacione Currículo e o Capitão América – qualquer sugestão é bem vinda.

3 – Rubens também comentou conosco que irá criar um grupo de email para que todos compartilhem seus trabalhos, ou seja, ao invés de mandar um artigo, por exemplo, apenas para o orientador revisar, poderemos mandar para todos do grupo revisarem, o que certamente aumentará significativamente a qualidade dos trabalhos!

423/04 - Tema: Currículo Desenvolvimentista
Leitura principal: MANOEL, E. J. A Abordagem desenvolvimentista da Educação Física Escolar – 20 anos: uma visão pessoal. Revista da Educação Física/UEM, Maringá, v.19, n.4, p.473-488, 4º trimestre 2008.
Leitura complementar: NEIRA, M. G.; NUNES, M. L. F. Educação Física, Currículo e Cultura. São Paulo: Phorte, 2009 (Teorização curricular e Educação Física, páginas 57-79).
Objetivo: compreender os fundamentos básicos desta visão curricular.

Abrimos os debates com a exploração proposta por Moska, da nossa concepção fechada sobre o desenvolvimentismo. Segundo a leitura, pudemos perceber que, pelo menos para esse autor, o desenvolvimentismo busca ir além do que apenas o motor; e ele deixa isso claro quando cita “a cultura” envolvida no desenvolvimento, algumas vezes no texto. Sobre isso, Clayton fez uma intervenção bastante interessante, quando diz entender que, para Manoel, a abordagem desenvolvimentista é um filho renegado, e que Go Tani, num artigo[1] com o mesmo nome do que lemos, defende até o fim a ideia de uma Educação Física e de um desenvolvimentismo voltado para o desenvolvimento motor.
Sabemos que, dificilmente, essa concepção da Educação Física vai levar em conta as questões filosóficas que envolvem o próprio ambiente da aula, voltando-se para o movimento como único meio e fim. Dentro disso, Rubens apontou que o sentimento de mágoa que o autor expressa no final, é o de nunca ter conseguido formular, de fato, um currículo do desenvolvimentismo e, por diversos fatores, ficaram apenas nas bases que se sustentam até hoje. Bases essas tanto atacadas pelos marxistas, que sem querer fizeram uma propaganda inversa dessa concepção. Anderson, um representante do grupo adepto ao desenvolvimentismo, nos lembrou que essa concepção não foi criada por esses autores, mas sim pelos professores no dia a dia escolar, na prática, eles apenas expuseram – e continuam expondo – as bases científicas dessas concepções, onde fica claro que o objetivo não é o de se enveredar pelos aspectos sociais que envolvem as crianças, o grupo, a escola, a comunidade etc., e sim, potencializar o movimento de cada um.
Uma das críticas propostas é a do afastamento da pedagogia. O desenvolvimentismo, por lidar muito com a “ciência de laboratório”, acaba por tornar-se fria, ou seja, preocupada com novas pesquisas e novas descobertas sobre novas fases entre um movimento e outro, o que poderá gerar um novo artigo em alguma revista médica. Se essa concepção possui versões e visões diferentes, ou possui visões distorcidas que são disseminadas, tanto que o autor ressalta isso quase o texto inteiro na dita “visão do senso comum”, por que nunca foi publicado um livro sobre a “pedagogia distorcida” que é aplicada?
Apesar da discussão de cultura, o texto mostra-se contrário a visão marxista ou toda intervenção que possa debater problemas mais complexos da sociedade em questão, que os educandos estarão inseridos. Neira e Nunes, na leitura complementar, “aproximam” o desenvolvimentismo do tecnicismo, deixando claro para nós a herança de uma concepção para com a outra. Dessa forma, podemos pensar que essa desapropriação da questão social do currículo desenvolvimentista seja uma forma de romper com o tecnicismo? Entendemos que não, pois – dificilmente – existirá neutralidade; muito menos tratando-se de concepções da educação e de currículo.
Como bem observado por Clayton, a Educação Física da finlândia tem uma concepção desenvolvimentista; porém, os contextos de desigualdade social são bem diferentes do Brasil. O desenvolvimentismo talvez funcionasse em uma sociedade perfeita, onde nada mais deve ser debatido e as maiores preocupações fossem com o aprimoramento das habilidades motoras. Até aqui, na nossa visão, a argumentação continua sendo pobre; de maior sucesso, de mais fácil aplicabilidade, porém, sem maiores intenções sociais.
Contudo, tivemos a oportunidade de acompanhar no texto uma trajetória diferente do que conhecíamos do desenvolvimentismo, o que permite uma familiarização maior com a concepção e, quem sabe, um olhar diferente sobre a mesma. Ficou claro, pelo que nos propõe o autor, que o desenvolvimentismo vai bem além daquilo que nós estamos acostumados a imaginar, ou até como ele mesmo cita: “o desenvolvimentismo não está concluído ainda”. É comum que na prática do dia a dia, ele seja voltado apenas para desenvolver o movimento, porém, Manuel, de certa forma, clamou por uma nova visão, menos restrita do que vem a ser essa concepção, contradizendo todas as nossas certezas. Uso das palavras do companheiro Moska para encerrar – também - o texto: “será que toda a nossa crítica não está embasada na visão do senso comum sobre o desenvolvimentismo? ”.

domingo, 27 de março de 2016

2 Encontro 1 Semestre 2016 - Psicomotricidade e Educação Física - 26/03

              Abrimos discutindo o momento atual da cidade de Sorocaba e da política nacional. Foi apresentada a possibilidade de uma revista para publicação que, por ser nova, não apresenta tanto rigor, facilitando a aprovação de trabalhos: Rebescolar. Clayton também comentou sobre a revista “Conexões”, dizendo que seu trabalho sobre relatos de prática já havia sido publicado sem maiores problemas. Aproveitando o gancho, Anderson nos avisou sobre as inscrições abertas para mestrado na UNICAMP.
Comunicados:
1 - CHELEF da Unicamp, com as inscrições de trabalho vão só até dia 1 de Abril.
2 - Congresso que acontecerá no Rio de Janeiro. Aos interessados, inscrições e submissões de trabalhos devem ser feitas até dia 25 de Abril. Haverá o colóquio sobre “Filosofia e Educação”. O evento acontecerá em Setembro e terá duração de uma semana. Do grupo, aqueles que vão, irão de carro, facilitando para quem eventualmente tiver interesse. Comunicado sobre o SEMEF que ocorrerá em Julho, dia 15 e 16. Contudo, as inscrições ainda não foram abertas.
            Foi dado início as discussões sobre a programação do MAPA, no qual o GEPEF está responsável pelo GTT Escola. De forma resumida, a discussão se deu dessa forma:
- Clayton: sugeriu a vinda de professores da rede municipal e estadual para palestras sobre suas práticas cotidianas.
- Anderson: sugeriu alguns nomes, os quais Rubens anotou.
- Moska: sugeriu conversarmos com a professora Íris sobre nomes que poderíamos convidar e se ela mesma poderia apresentar algo.
- Rubens: sugeriu a vinda de Mario Nunes, ou então Lino Castellani – professores que temos um contato mais fácil.
Sobre a organização as ideias principais que surgiram foram:
- Mesas redondas teóricas na quadra, as quais pensaríamos na melhor discussão a apresentar.
- Nas salas a apresentação de professor e u alunos FEFISO com um membro do GEPEF de mediador.
- Foram expostas algumas ideias de “nomes” para a discussão da mesa redonda como: “Confusão Curricular” e “ Descobrindo os currículos da Educação Física”. No entanto, esses nomes ainda estão em aberto.

Tema: Currículo Psicomotor.
Leitura principal: FREIRE, J. B. Educação de corpo inteiro. São Paulo, 3 ed., Scipione, 1992. (Páginas 12-14/16-46/80-84/112-119/218-220).
Leitura complementar: NEIRA, M. G.; NUNES, M. L. F. Pedagogia da cultura corporal. São Paulo: Phorte, 2006 (Currículo e Educação Física, páginas 103-115).
Objetivo: compreender os fundamentos básicos desta visão curricular.


Neste livro somos apresentados parcialmente as ideias da psicomotricidade (digo “parcialmente” porque entendo que não caberiam num livro de 200 páginas todas as ideias, bases, objetivos, visões etc., de um currículo da Educação Física). Contudo, como discutido, o autor recusa definir-se como “seguidor” de um currículo, pois acredita bastante na sua experiência e prática, ou seja, aplica aquilo que acredita ser importante para o desenvolvimento dos seus alunos dentro da sua visão de Educação Física.
Logo, percebemos que essa visão acaba acarretando alguns pontos de discussões como as que ocorreram nesse último encontro – por exemplo a falta de rigor teórico na escrita do livro. É evidente que o autor utiliza de várias bases teóricas e, talvez, algumas delas que nem concordem com a visão de psicomotricidade. Contudo, entendemos a visão e sabemos – pelo menos tentando enxergar de uma ótica menos hipócrita e/ou discriminatória - que a prática no cotidiano escolar, dificilmente, será embasada em apenas uma teoria e que não haverá uma pluralidade de bases e autores usados numa aula só.
Debatemos também sobre a forma como o autor essencializa a cultura infantil. Brincar na rua, subir em árvores, rodar pneus, brincar com galhos de árvores etc. Da forma como o autor expõe sua visão, dá-nos a impressão de que aqueles que não passaram por isso, não puderam ter uma infância boa. O mesmo autor que trata na introdução sobre a violência que é submeter os alunos a imobilidade, ou seja, discorre totalmente a favor da visão mais cautelosa e respeitosa sobre o mundo da criança, trata da cultura infantil como única. Claro que não somos contra o movimento da criança e entendemos que um dos meios de comunicação dela com o mundo – principalmente nos primeiros anos - é o movimento. Porém, é preciso refletir sobre essa dita “cultura infantil”. Refletir em 1992 e em 2016. Qual a cultura infantil hoje? Impor essa “cultura infantil” pode ser considerado uma violência também?
Uma palavra foi amplamente mencionada no livro, nas partes lidas pelo grupo: simbolos. A ideia, basicamente, é que enquanto a criança não desenvolve a capacidade de decifrar, pensar e reproduzir (de qualquer forma) simbolos, ela se comunica com o mundo através do corpo e do movimento. Por isso o autor insiste na ideia de matricular um corpo inteiro na escola e não apenas a mente. Os pensamentos refletem no corpo assim como o corpo reflete no pensamento. O corpo e o movimento são chaves para o desenvolvimento cognitivo e o desenvolvimento da capacidade de compreensão e reprodução de símbolos. Até aí, tudo é bem bonito, contudo, uma questão veio à tona no grupo: “e a criação desse símbolo?”. A ideia de que o movimento prepara para a criação do símbolo é ótima, mas não encontramos nenhuma menção sobre a distinção política desse símbolo. Será que a “cultura infantil” permite a mesma assimilação de símbolos para todos? Que símbolos devem ser assimilados? Quem determinou a assimilação de determinados símbolos e quem encarregou a Educação Física da preparação para eles? Digamos, de modo extremamente simples, que a Educação Física te prepara para correr. Será que ela deve dar um motivo para essa corrida, ou essa não é sua função? Se não é sua função, por que ensinar a correr?
Logo, outras questões podem ser debatidas: a Educação Física se tornando um componente auxiliar, sem especificidade. A intenção da Educação Física é desenvolver o motor e o cognitivo, para que, com a assimilação da simbologia, os alunos possam aprender Matemática, por exemplo. O autor vai além, dizendo que podemos trabalhar Matemática na amarelinha (como citado pelo grupo). Isso talvez reforce o argumento de que: “hoje ela não vai para a aula de Educação Física, pois precisa treinar Matemática”. Entendemos que a amarelinha pode ser amplamente tematizada, possibilitando a volta aos primórdios da história e da cultura corporal. Por que deveria auxiliar na Matemática? É mais importante? Se sim, quem definiu como tal?
Pudemos reconhecer também a excelente capacidade do autor em avançar o conhecimento da época, que estava centrado no esportivismo. A ideia da psicomotricidade é realmente muito interessante e pode ser – arrisco a dizer que é – muito utilizada por todos os professores, por trabalhar com a questão de respeito ao aluno, valorização do seu conhecimento e de tirar o foco da competição, entendendo que a Educação Física vai bem além de disputas sem fundamentos.

Chegando ao final do encontro, nossa companheira Beatriz de uma forma BRILHANTE, fez sua última intervenção relatando uma de suas técnicas para fazer a chamada em sala de aula, a qual gerou (logicamente) alguns comentários. Dentre os mais criativos, destacam-se alguns como: “Beatriz, discípula de João Batista Freire” ou “Beatriz ajudou a escrever o livro”. A questão é, assim como Beatriz (que agora descobriu as raízes de sua técnica), muitas pessoas que não leram o livro de João Batista Freire se aproximam muito de suas ideias e convicções sobre o que seja e quais os objetivos da Educação Física, utilizando-se de uma base teórica sem nunca ter ouvido falar sobre ela. As últimas perguntas que ficam são: isso acontece devido ao forte discurso sobre a psicomotricidade? Por ela trabalhar amplamente o lúdico e as aulas dificilmente fracassarem?

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

2016 – Primeiro Encontro GEPEF – 20 Fevereiro

1 - A reunião foi aberta com as boas vindas aos novos integrantes do grupo: Amanda, Anderson, João Paulo e Adriana.
2 - Foram comunicadas as publicações dos integrantes durante o período de férias, assim como os eventos que são considerados de grande importância a participação do GEPEF:
- SEMEF organizado pela faculdade de educação da USP.
- EPIC – Uniso (Primeiro semestre)
- CHELEF – Unicamp (Inscrições logo chegarão ao fim)
Eventos fora de SP:
- Colóquio Rio de Janeiro
- ENDIPE – Cuiabá (R$ 300 reais a inscrição)
- CONBRACE – Estará fazendo sua edição em São Paulo esse ano (R$ 200 reais a inscrição)
*Lembrando que o João Paulo possui parentes espalhados por todo o país e nos ofereceu “sua” casa para dormirmos, se necessário.
3 – Fomos avisados que seremos responsáveis pela organização do GTT Escola do MAPA, não só com submissão de trabalhos, mas com a organização do cronograma de quem será convidado para palestras, cursos, debates e etc.
4Sugestão do Massari: Publicar todos os trabalhos científicos do GEPEF no novo site da FEFISO. Isso inclui, claro, os trabalhos dos integrantes do grupo. Aqueles que tiverem interesse, favor enviar para Rubens.
5 – Foram discutidas as ideias para o trabalho em conjunto que será realizado pelo grupo no decorrer do ano de 2016 (para aqueles que não estavam presente no dia em que a ideia surgiu, favor ler “nota de rodapé” do tópico 5*). Foram expostas a proposta “guarda – chuva” (como sugeriu Rubens) e os eixos a serem estudados. Os eixos são articuláveis, podendo-se usar os três, ou um, ou novos eixos:
Tema principal: O viés cultural da Educação Física no Brasil – condições sócio – históricas e comparação com outros contextos.
Eixos:
Eixo 1
– Influências européias e situação atual. (Ou seja, em quem os europeus se basearam para criarem seus currículos)
Eixo 2 – Educação Física na America latina: origens e comparações
Eixo 3 – Educação Física no Brasil: comparações entre regiões e o contexto na cidade de Sorocaba.
Aquele que sentir vontade de participar da pesquisa em conjunto, deve enviar até 10 páginas para o Rubens até maio de 2016. A ideia surgiu de uma discussão sobre as influências da Educação Física brasileira. Clayton levantou a questão de o porquê a Educação Física brasileira ser tão influenciada pelas ciências humanas (marxismo foi mais apontado), sendo que em outros países que já foram “de fato comunistas” (ou socialistas) não tem esse pensamento aplicado a sua Educação Física. Disso surgiu a ideia de pesquisar a Educação Física de outros países e esse fenômeno no Brasil. Algumas ideias já começaram a serem lidas, e debatidas.
6 Leitura do Encontro: Tendências/Abordagens/Currículos da Educação Física Escolar.
Leitura principal: BRACHT, V. A constituição das teorias pedagógicas da Educação Física. Cadernos CEDES, ano XIX, n.48, ago.1999.
Leitura complementar: DARIDO, S. C. Educação Física na Escola: Questões e reflexões. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2003. Capítulo 1 – O contexto da Educação Física Escolar.
Objetivo: diferenciar a visão epistemológica de Bracht da visão catalográfica de Darido.
Para começar algumas frases de Bracht foram separadas por Rubens, para ajudar-nos em nossas reflexões:
·         Tanto as teorias da construção do conhecimento como as teorias da aprendizagem, com raras exceções, são desencarnadas;
·         Educar o comportamento corporal é educar o comportamento humano;
·         No entanto, a educação do comportamento corporal, porque humano, acontece também em outras instâncias e em outras disciplinas escolares;
·         O tratamento do corpo na EF sofre influências externas da cultura de maneira geral, mas também internas, ou seja, da própria instituição escolar;
·         Paulatinamente no século XX saímos de um controle do corpo via racionalização, repressão, com enfoque biológico, para um controle via estimulação, enaltecimento do prazer corporal, com enfoque psicológico;
·         E hoje assistimos a uma proliferação de categorias de trabalhadores sociais”. Entre estes, seguramente podemos situar os professores de EF;
·         O esporte passa a substituir, com vantagens, a ginástica como técnica corporal que corporifica/condensa os princípios que precisam ser incorporados.

Em primeiro lugar, é importante entender o que significa a visão epistemológica e a visão catalográfica. A ideia de visão catalográfica da Darido vem do fato de ela ter feito algo como uma “ficha” das abordagens que considerava serem válidas. Em sua dissertação, Darido catalogou as abordagens de forma separada e resumida, quase que como um manual para aqueles que buscam ver as diferenciações de maneira “mais simples”. Assim como é feito o cadastro de clientes, com “nome, RG e CPF”, Darido em seu livro apontou o “nome, autor e objetivo” de cada abordagem. Uma das críticas feitas pelo grupo, foi de que Darido catalogou abordagens que não propriamente são propostas de Educação Física Escolar.
A visão epistemológica de Bracht se ocupa da raíz dos conhecimentos que balizam as diferentes visões da EF Escolar. “A epistemologia é o ramo da filosofia que estuda a origem, a estrutura, os métodos e a validade do conhecimento (daí também se designar por filosofia do conhecimento)”[1]. Bracht ao falar sobre os currículos da Educação Física, visa a base filosófica daquele conhecimento, entre os que se aproximam e os que divergem. Por exemplo, Bracht engloba na vertente cultural currículos como o Crítico – Emancipatório e Crítico – Superador (hoje podemos acrescentar o Pós Crítico), por terem a mesma raíz do conhecimento, que seriam as ciências sociais. Aproxima também o Desenvolvimentista, Psicomotor e Construtivista, devido as raízes nas ciências biológicas. É notável também, que Bracht citou apenas os currículos da Educação Física e não várias abordagens como fez Darido, citando até os PCN’s, tidos (como o próprio nome já diz) como parâmetros. Entendemos que o conceito de abordagem é mais raso e superficial se comparado ao conceito de currículo.
Caminhando para o final do nosso encontro, foram então discutidas as ideias de Bracht sobre o corpo. Concordamos com Bracht, que o grande paradigma a ser quebrado é a divisão entre corpo e mente e que os dois trabalham separados. Fomos muito influenciados pela filosofia Cartesiana[2] de estudos fragmentados. A escola, não só em sua grade, ficou responsável por essa separação, onde a sala de aula fica responsável pela mente e a Educação Física pelo corpo. Foi dito que com o advento da Pós Modernidade[3] essas teorias estão sendo questionadas, assim como os objetivos da Educação Física, antes apenas voltados para a doutrinação dos corpos dos indivíduos. As abordagens antigas e os currículos novos voltados apenas para o desenvolvimento motor não estão surgindo mais efeito, por não se justificarem socialmente. Uma escolinha de futebol pode capacitar muito mais futuros esportistas, assim como parques de diversão também são responsáveis pelo desenvolvimento motor. Nos baseamos em qual discurso? Do professor ensinar o modo certo de se movimentar? Se sim, talvez voltemos aos debates modernos sobre totalitarismos e relações de poder, ou quem sabe até de utilidade em tempos de discussões Pós Humanistas[4]. Bracht ao final do seu artigo, sugere que talvez a Educação Física cultural (com aplicabilidade prática “definida” ou não) esteja tentando alçar voos cada vez maiores. Em qualquer que seja o caso ou o objetivo, algumas das questões que surgiram e que acreditamos ser de grande importância para aqueles que pretendem seguir por esse viés é: Por que temos Educação Física na escola? Estamos em um momento de transição ou tempos totalmente novos[5]?



[1] http://www.citi.pt/educacao_final/trab_final_inteligencia_artificial/epistemologia.html
[2] René Descartes, Filósofo Frânces (1596 – 1650) considerado o pai da filosofia moderna, criou o método cartesiano de conhecimento que consistia em dividir em quantas partes fosse possível algum objeto de estudo, afim de conhecer a verdade por trás do que estava sendo estudado. http://baixar-download.jegueajato.com/Rene%20Descartes/Discurso%20do%20Metodo%20(923)/Discurso%20do%20Metodo%20-%20Rene%20Descartes.pdf

[3]Pós-modernidade, segundo o professor, pode ser descrita como o momento em que (tomando Lyotard como influência) todas as grandes narrativas entram em crise.” https://colunastortas.wordpress.com/2014/05/15/o-que-e-pos-modernidade-resumo-de-uma-falencia-da-modernidade/

[4]Mães de aluguel, nanotecnologias, inteligência artificial, recusa a ter filhos, fabricação de quimeras, busca da imortalidade... Seria o fim do corpo humano?” http://www.ihu.unisinos.br/noticias/42458-pos-humanidade-o-homem-acabou

terça-feira, 26 de janeiro de 2016

CRONOGRAMA 1º SEMESTRE 2016

Sempre aos sábados das 9h as 12h.

1. 20/02 - Tema: Tendências/Abordagens/Currículos da Educação Física Escolar.
Leitura principal: BRACHT, V. A constituição das teorias pedagógicas da Educação Física. Cadernos CEDES, ano XIX, n.48, ago.1999.
Leitura complementar: DARIDO, S. C. Educação Física na Escola: Questões e reflexões. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2003. Capítulo 1 – O contexto da Educação Física Escolar.
Objetivo: diferenciar a visão epistemológica de Bracht da visão catalográfica de Darido.

2. 26/03 - Tema: Currículo Psicomotor.
Leitura principal: FREIRE, J. B. Educação de corpo inteiro. São Paulo, 3 ed., Scipione, 1992. (Páginas 12-14/16-46/80-84/112-119/218-220).
Leitura complementar: NEIRA, M. G.; NUNES, M. L. F. Pedagogia da cultura corporal. São Paulo: Phorte, 2006 (Currículo e Educação Física, páginas 103-115).
Objetivo: compreender os fundamentos básicos desta visão curricular.

3. 16/04 - Tema: Currículo Desenvolvimentista
Leitura principal: MANOEL, E. J. A Abordagem desenvolvimentista da Educação Física Escolar – 20 anos: uma visão pessoal. Revista da Educação Física/UEM, Maringá, v.19, n.4, p.473-488, 4º trimestre 2008.
Leitura complementar: NEIRA, M. G.; NUNES, M. L. F. Educação Física, Currículo e Cultura. São Paulo: Phorte, 2009 (Teorização curricular e Educação Física, páginas 57-79).
Objetivo: compreender os fundamentos básicos desta visão curricular.

4. 07/05 - Tema: Abordagem crítica emancipatória (currículo cultural?)
Leitura principal: KUNZ, E. Transformação didático-pedagógico do esporte. 6 ed. Ijuí: Ed. Unijuí, 2004. Páginas 11-45.
Leitura complementar: NEIRA, M. G.; NUNES, M. L. F. Pedagogia da cultura corporal. São Paulo: Phorte, 2006 (Currículo e Educação Física, páginas 115-120).
Objetivo: compreender os fundamentos básicos desta visão curricular, questionando a relação desta visão com o currículo cultural do coletivo de autores.

5. 04/06 - Tema: Abordagem crítico-superadora (Currículo Cultural)
Leitura principal: SOARES, C. L.; CASTELLANI FILHO, L. C.; BRACHT, V.; ESCOBAR, M. O; VARJAL, E.; TAFFAREL, C. N. Z. Metodologia do ensino de Educação Física. São Paulo: Cortez, 1992. Capítulo 1 – A Educação Física no Currículo Escolar: Desenvolvimento da Aptidão Física ou Reflexão sobre a cultura corporal.
Leitura complementar: SOUZA JUNIOR, M. et al. Coletivo de autores: a cultura corporal em questão. Revista Brasileira de Ciências do Esporte, Florianópolis, v. 33, n. 2, p. 391-411, abr./jun. 2011.
Objetivo: compreender os fundamentos básicos desta visão curricular, atentando para seus legados.

6. 25/06 - Tema: currículo saudável
Leitura principal: FERREIRA, M. S. Aptidão Física e saúde na educação física escolar: ampliando o enfoque. Revista Brasileira de Ciências do Esporte, v.22, n.2, p.41-54, janeiro 2001.
Leitura complementar: NEIRA, M. G.; NUNES, M. L. F. Educação Física, Currículo e Cultura. São Paulo: Phorte, 2009 (Teorização curricular e Educação Física, páginas 79-89).
Objetivo: compreender os fundamentos básicos desta visão curricular.
Avaliação do semestre e planejamento do 2º sem. 2016.